A recém-eleita líder entrou no estúdio fotográfico improvisado com lágrimas ainda escorrendo pelo rosto, borrando sua maquiagem.
Momentos antes, durante a Assembleia da Associação Geral, ela havia sido escolhida para um cargo de liderança importante — uma decisão que mudou sua vida num instante. Dave Sherwin a recebeu com a paciência serena de quem compreende, há décadas, como esses primeiros momentos podem ser delicados.
Ele sabia exatamente como lidar com situações assim. Como fotógrafo principal da Adventist Review, Sherwin é o responsável por capturar todos os retratos oficiais dos líderes recém-eleitos — muitas vezes apenas minutos depois de terem suas vidas transformadas por uma votação. É uma função que exige tanto habilidade técnica quanto um respeito sensível pelo peso daquele instante.
A edição deste ano, realizada em St. Louis, Missouri, nos Estados Unidos, marcou a oitava vez que Sherwin cobre o evento mundial — uma trajetória que começou em 1985, quando ele havia acabado de se formar na faculdade e ainda trabalhava exclusivamente com filmes em preto e branco.
Do Quarto Escuro ao Digital
Naquela época, ele e um colega se revezavam correndo do plenário para o quarto escuro, muitas vezes trabalhando a noite inteira para revelar rolos de negativos. No meio da Assembleia, os editores decidiram publicar sua primeira capa colorida. Sherwin precisou pegar um táxi e viajar por uma hora até um laboratório fotográfico que revelava em uma hora, esperar as impressões e correr de volta para que o boletim da Adventist Review pudesse ser enviado para impressão em Maryland.
“Aquela primeira capa colorida ficou muito bonita,” lembrou ele. “Era um tempo mais simples em certos aspectos, mas também muito mais corrido.”
Hoje, o trabalho de Sherwin é totalmente digital, com as imagens sendo revisadas no momento e entregues aos editores em poucos minutos. A preparação para esta Assembleia começou muito antes de ele chegar a St. Louis. De sua base em Berrien Springs, Michigan, ele planejou o que levaria: monitores, equipamentos de iluminação, fundos fotográficos e praticamente uma van cheia de equipamentos. Ele levou cinco computadores para prevenir falhas — uma precaução que se mostrou necessária quando uma das máquinas travou logo no início do evento.
“Chegamos a alugar cerca de 100 mil dólares em lentes,” contou Sherwin. “E eu ainda fiz um seguro só para cobrir tudo isso.”
Nunca um Dia Comum
A maioria dos dias começa por volta das 7h, com um momento de adoração ao lado da equipe da Adventist Review. Em seguida, os fotógrafos se reúnem com os editores para planejar as pautas do dia. O estúdio de Sherwin vira uma verdadeira porta giratória de líderes, cônjuges e famílias. Sua esposa, Jane, está frequentemente ao seu lado para ajudar a organizar os horários dos retratos.
Em 2022, ele tirou quase 150 fotos de perfil e espera um número semelhante este ano — embora vá concluir os retratos que faltarem nas reuniões de fim de ano na sede da Associação Geral em Maryland.
O trabalho dificilmente é previsível. Durante um almoço, uma mensagem urgente solicitou a presença imediata de um fotógrafo. Um dos membros da equipe de Sherwin levantou-se na hora, deixou o prato na mesa e correu com a câmera para capturar o momento — só depois voltou para terminar a refeição.
“Isso acontece o tempo todo”, comentou Sherwin com naturalidade. “A gente tenta planejar, mas, na maioria das vezes, é preciso estar pronto para pegar o equipamento e sair correndo.”
Além dos retratos oficiais, ele ainda encontra tempo para circular pelo plenário e registrar cenas espontâneas dos cultos, reuniões administrativas e desfiles culturais.
“Eu adoro esse lado fotojornalístico do evento,” disse ele. “Estar ali fora, observando as pessoas, captando expressões reais — isso é a melhor parte. As longas sessões administrativas são difíceis. A gente acaba ficando entediado esperando algo acontecer. Mas quando há uma votação importante ou, no sábado, quando os delegados desfilam com seus trajes típicos, a emoção volta rapidinho.”
Raízes Pessoais e Família Global
Sherwin cresceu no Paquistão, onde seu pai servia como missionário. Para ele, essas assembleias também têm um sabor de reencontro. Enquanto corre pelos corredores lotados, carregando câmeras e lentes, é frequentemente parado por alguém chamando seu nome.
“É como uma grande reunião de família,” disse ele com carinho. “Estou ocupado demais para conversar por muito tempo, mas é especial reencontrar pessoas de todas as partes do mundo.”
Talvez a parte mais gratificante do trabalho seja mentorar fotógrafos mais jovens. Dois de seus ex-alunos da Universidade Andrews — onde ele lecionou por décadas até se aposentar em maio — hoje são profissionais atuantes e fazem parte de sua equipe nesta edição.
“Eu sei do que eles são capazes. Confio neles,” afirmou, olhando com orgulho enquanto eles tratavam suas fotos. “É bom vê-los aqui fazendo o que amam também.”
Sherwin deu risada ao resumir as reviravoltas do dia a dia da função:
“Você vai de arrancar os cabelos a morrer de tédio. Mas eu não trocaria isso por nada. Ainda amo tirar fotos.”
A versão original deste artigo foi publicada no site de notícias da União do Lago. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.









