Autoridades governamentais, profissionais do direito e representantes de diversas comunidades religiosas se reuniram com líderes e profissionais adventistas do sétimo dia na Guatemala para um congresso nacional voltado à defesa da liberdade religiosa e ao apoio às pessoas que buscam se manter fiéis às suas convicções nos ambientes educacional e profissional.
O encontro contou com a participação de membros da comunidade muçulmana, da Igreja do Evangelho Pleno e de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, como parte de um esforço mais amplo para promover o diálogo entre diferentes religiões e a cooperação em defesa da liberdade religiosa na Guatemala.
Com o tema “Integrados na Missão com Liberdade”, o congresso reuniu 160 profissionais no dia 26 de setembro, no Clube de Oficiais La Aurora, na Cidade da Guatemala. Organizado pelo Departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da União da Guatemala, o evento foi voltado especialmente a profissionais e advogados interessados em se envolver mais na defesa da liberdade religiosa e na missão.
Guenther García, presidente da União da Guatemala, destacou a importância do encontro para fortalecer os laços com representantes do governo e da sociedade civil, além de abrir espaço para o diálogo com outras comunidades religiosas.
Segundo García, a Igreja promoveu o fórum com base no princípio de que a liberdade religiosa deve ser defendida para todos. Ele explicou que, ao defender a liberdade de consciência de pessoas de todas as religiões, a Igreja também contribui para assegurar o direito dos adventistas de viver e compartilhar sua fé sem restrições.
De acordo com os líderes da Igreja, congressos semelhantes sobre liberdade religiosa já foram realizados em âmbito regional e nacional na Guatemala.

Autoridades governamentais participam do encontro
Autoridades governamentais e representantes da comunidade jurídica da Guatemala participaram de um painel mediado pela advogada Magda Urizar de López, diretora de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da União da Guatemala.
O debate abordou o significado e o papel da liberdade religiosa no país, as formas pelas quais esse direito pode ser violado e como as instituições podem respeitar as convicções religiosas das pessoas que atendem.
Os participantes também discutiram os desafios enfrentados por estudantes quando as exigências acadêmicas entram em conflito com suas práticas religiosas, além de formas de ampliar o conhecimento da população sobre as garantias de proteção à liberdade religiosa.
O deputado Ronald Portillo, integrante do Parlamento pela Liberdade Religiosa do Congresso da República, destacou a importância de assegurar o direito de cada pessoa de praticar e expressar suas crenças sem discriminação.
“A liberdade religiosa é parte essencial de uma sociedade verdadeiramente livre”, afirmou Portillo. “Toda pessoa deve poder viver e expressar sua fé de acordo com suas convicções, com respeito aos outros e sem medo de sofrer discriminação por causa de suas crenças.”
“Acredito em uma Guatemala onde a fé seja respeitada, as pessoas possam viver de acordo com suas convicções e a liberdade seja sempre protegida”, acrescentou.

Patricia Gámez, presidente do Colégio de Advogados e Notários da Guatemala, destacou o direito de todas as pessoas de professarem sua fé.
O ministro do Meio Ambiente da Guatemala, Edwin Castellanos, também participou do debate e falou sobre a fé e a responsabilidade de cuidar da criação de Deus.
Para García, reunir autoridades públicas, advogados, profissionais adventistas e representantes de outras religiões foi uma oportunidade tanto de fortalecer relacionamentos quanto de desfazer ideias equivocadas.
Ele afirmou que o diálogo com representantes muçulmanos e de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, entre outros, ajudou a demonstrar que a proteção da liberdade religiosa é uma preocupação compartilhada, que vai além das diferenças entre denominações.
Firmes em suas convicções
Entre os líderes adventistas internacionais que participaram do congresso estavam Elie Henry, diretor associado de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Associação Geral, e Balvin Braham, vice-presidente da Divisão Interamericana.
Henry desafiou os profissionais a permanecerem fiéis às suas convicções, mesmo em ambientes onde suas crenças são colocadas à prova.

“Vocês estão na Babilônia, mas não são da Babilônia”, disse Henry aos participantes, incentivando-os a permanecer firmes em suas convicções.
Em seu seminário, “Profissionais Adventistas e Liberdade Religiosa Integrados na Proclamação do Evangelho”, Braham desafiou os profissionais a tornar a liberdade religiosa parte integrante da missão da Igreja, defendendo o direito de cada pessoa de buscar, adotar e expressar suas crenças.
Estudantes relatam desafios para guardar o sábado
Os desafios relacionados à liberdade religiosa ganharam uma dimensão pessoal com os relatos dos universitários Paulina Pérez e José Manuel Torres Tumax. Os dois contaram que a observância do sábado bíblico, do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado, entrava em conflito com as exigências acadêmicas.
Segundo os líderes da Igreja, para concluir os estudos sem abrir mão de suas convicções sobre a guarda do sábado, Pérez precisou mudar de universidade, enquanto Torres Tumax se mudou para outra região do país em busca de uma instituição de ensino que respeitasse suas crenças religiosas.
A advogada Leslie Tzicap também contou que pediu demissão de um cargo para não comprometer sua fé e seus princípios.
Segundo García, os relatos tiveram o objetivo de encorajar jovens profissionais e universitários a reconhecer que é possível permanecer fiéis às suas convicções religiosas enquanto dão continuidade aos estudos e à carreira.

O congresso buscou conscientizar estudantes e jovens profissionais sobre questões relacionadas à liberdade religiosa e incentivá-los a buscar soluções adequadas quando suas convicções entram em conflito com as exigências das instituições.
Advogada volta a participar ativamente da Igreja
O congresso também marcou um recomeço na vida da advogada Ana Cristina González, que respondeu a um apelo espiritual e renovou seu compromisso com a Igreja Adventista por meio da profissão de fé.
González, que cresceu na Igreja Adventista, mas estava afastada havia vários anos, contou que os testemunhos de profissionais que permaneceram fiéis em circunstâncias difíceis a levaram a refletir sobre sua própria caminhada espiritual.
“Respondi ao chamado que Deus vinha me fazendo havia algum tempo: ter coragem e seguir pela vida sabendo que Ele nunca me abandonará e que está sempre comigo”, afirmou.
Sua decisão marcou o retorno à participação ativa na Igreja e, segundo ela, renovou sua determinação de viver a fé tanto na vida pessoal quanto na profissional.
Em busca de maior proteção à liberdade religiosa
O congresso também destacou medidas adotadas na Guatemala para proteger as práticas religiosas dos estudantes.

A Circular VDEEA-01-2024 do Ministério da Educação orienta as autoridades educacionais a respeitarem as práticas religiosas dos estudantes. O documento foi assinado por Edna Leticia Portales de Núñez, vice-ministra de Educação Extracurricular e Alternativa, e Annelisse Lainfiesta Soto de Zepeda, vice-ministra de Educação Técnica, com a aprovação da então ministra da Educação, Claudia Ruiz Casasola de Estrada.
A medida é especialmente importante para estudantes adventistas que podem enfrentar conflitos relacionados a aulas, provas ou outras exigências acadêmicas durante as horas do sábado.
Urizar de López afirmou que ainda é necessário ampliar essa proteção para além do sistema escolar.
“Os esforços em defesa da liberdade religiosa continuam, com o objetivo de alcançar um acordo semelhante para o ensino superior e o ambiente de trabalho”, disse ela.
Segundo os líderes da Igreja, o congresso fortaleceu os vínculos entre profissionais adventistas, autoridades públicas e outras comunidades religiosas, além de abrir espaço para a continuidade do diálogo sobre liberdade religiosa na Guatemala.
Os organizadores afirmaram que essas conversas terão continuidade à medida que a Igreja busca ampliar a conscientização e garantir condições para que as pessoas possam seguir suas práticas religiosas nas universidades e nos locais de trabalho.
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão Interamericana.




