Todos os dias, a agente comunitária de saúde Selina Peña passa por pontos de ônibus e jardins próximos ao Departamento de Emergência do Centro Médico da Universidade de Loma Linda em busca de seus pacientes. Muitos deles são “usuários frequentes”, pessoas em situação de rua que recorrem ao pronto-socorro várias vezes por semana — alguns, até várias vezes por dia.
Peña vai ao encontro desses pacientes onde quer que estejam para oferecer ferramentas e apoio. A alguns, ela lembra de consultas ambulatoriais agendadas e os ajuda com questões de saúde mental. A outros, cumprimenta com um sorriso amigável para mostrar que alguém se importa com eles.
Na verdade, seu trabalho consiste em tentar ajudá-los a evitar visitas desnecessárias ao pronto-socorro — onde internações evitáveis aumentam ainda mais a longa fila de espera e geram custos de centenas ou milhares de dólares ao hospital e aos programas públicos de reembolso. E tudo começa com a construção de relacionamentos.
Aos 39 anos, Peña diz que entende como muitos deles se sentem — ela mesma já viveu em situação de rua. Depois de fugir de casa aos 14 anos, morou com amigos e só teve um lar fixo aos 25. Cansada das dificuldades da vida e da falta de oportunidades, voltou à escola e concluiu o ensino médio. Largou as drogas e, por anos, trabalhou como assistente social em centros que ofereciam apoio e abrigo a pessoas sem moradia. Recentemente, formou-se em um curso universitário técnico, sendo a primeira da família a conseguir esse feito.
Ela se identifica com pacientes que enfrentam dependência química, alcoolismo, analfabetismo e situações de abuso. Diz que muitos são como ela foi um dia: por muito tempo, não souberam da existência de recursos disponíveis nem receberam o apoio necessário de algumas instituições.
Agora, ela e sua equipe visitam os pacientes tanto nas calçadas quanto quando estão internados no pronto-socorro, ajudando-os a acessar os serviços de que precisam.
“Eu amo o que faço”, afirma Peña. “Sim, há desafios em trabalhar com essa população. Mas minha paixão é conectar pessoas.”
O Centro Médico da Universidade de Loma Linda (LLUH, em inglês) emprega outros dois agentes comunitários de saúde como Peña, além de um assistente social clínico licenciado e um enfermeiro gestor de casos, por meio do programa Medi-Cal de Gestão Aprimorada de Cuidados da Califórnia.
Uma subvenção de 1,2 milhão de dólares está permitindo que o centro se aproxime de determinados pacientes que buscam atendimento no pronto-socorro — seja para conversar, receber um cobertor ou uma refeição — e os conecte a programas e recursos que possam abordar os fatores sociais que influenciam sua saúde. Por exemplo: encontrar um centro médico para acompanhamento, fazer a inscrição em um plano de saúde, conseguir um documento de identidade, retomar o vínculo com serviços para veteranos, acessar moradia ou participar de programas de capacitação profissional. Mas tudo começa com a construção de vínculos — com esses pacientes se sentindo cuidados, seguros e valorizados.
A subvenção financia o programa por 18 meses e permite ao centro estender seu cuidado para além das próprias paredes, complementando os serviços oferecidos a pacientes que necessitam de atenção adicional, conforme explica Pamela Glaspell, vice-presidente assistente de Coordenação de Cuidados Sociais e Gestão de Casos da LLUH.
“Estamos oferecendo pequenas coisas que ajudam a preencher lacunas e, com sorte, ajudam aquele paciente a entrar no caminho do autocuidado e a seguir em frente”, disse Glaspell.
Para profissionais como Peña, isso significa se reunir com enfermeiras e seguranças do hospital para saber se algum de seus pacientes habituais está por ali naquele dia. Ela pergunta como estão e tenta descobrir como pode ajudar.
“Como agentes comunitários de saúde, podemos lidar com o problema real de uma pessoa, e não apenas pensar em seus direitos ou em medicamentos”, explicou Peña. Hoje, muitos pacientes já sabem que podem perguntar por ela ou procurá-la antes mesmo de se registrarem no pronto-socorro.
Peña conta que muitos de seus pacientes são como ela foi: não concluíram o ensino médio, cresceram em famílias disfuncionais e pobres, e não tinham metas de vida.
“Eu só tinha uma mentalidade. E não era boa. Eu não sabia que podia conquistar coisas”, disse Peña.
“Sou a prova viva de que a mudança é possível”, afirmou. “Às vezes, a gente só está pronto para mudar quando alguém mostra que se importa com a gente.”
A versão original deste artigo foi publicada no site da Loma Linda University Health. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.






