A destruição causada pelo furacão Melissa na Jamaica “vai além do que a palavra desastre pode descrever”, afirmou Glen Samuels, presidente da Associação Oeste da Jamaica, enquanto avaliava os danos nas paróquias do oeste da ilha, cinco dias após a passagem da poderosa tempestade.
“Eu vivi o furacão Gilbert”, disse ele, referindo-se ao ciclone de 1988, lembrado pelos jamaicanos por sua devastação generalizada, “mas o Gilbert não foi nada comparado a este.”
O furacão Melissa, de categoria 5, atravessou a Jamaica em 28 de outubro de 2025, destruindo casas, dizimando a infraestrutura e deixando comunidades inteiras sem energia elétrica nem comunicação. Em meio à devastação, líderes da igreja confirmaram a morte de cinco membros adventistas do sétimo dia na região oeste da ilha.
Líderes adventistas de toda a Jamaica e da Divisão Interamericana (DIA) visitaram as áreas mais afetadas em 2 de novembro para avaliar os danos, demonstrar solidariedade aos membros atingidos e apoiar os esforços de assistência que estão fornecendo alimentos, água e cuidado espiritual a milhares de pessoas deslocadas. Líderes locais da igreja continuam trabalhando para localizar membros na devastada paróquia de St. Elizabeth, onde muitos ainda estão sem energia elétrica e água potável.
Resposta imediata e mobilização
Everett Brown, presidente da União da Jamaica, descreveu a primeira fase da estratégia de resposta da igreja como uma mobilização total para atender às necessidades mais urgentes.
“Esta é uma das crises mais comoventes que já enfrentamos”, disse ele. “Nunca vimos nada dessa magnitude em nossa geração.”
“As maiores necessidades neste momento são alimentos, água e abrigo”, continuou Brown. “Antes do furacão, posicionamos previamente meio milhão de dólares jamaicanos em alimentos distribuídos entre as cinco associações, e desde então a ADRA e a União têm coordenado a entrega dos suprimentos.”
Ele observou que mais de 150 igrejas adventistas sofreram danos significativos em toda a ilha, especialmente nas paróquias de St. Elizabeth, St. Mary e Westmoreland. Quase 200 mil membros foram afetados — de um total de mais de 340 mil adventistas do sétimo dia na Jamaica.
“Estamos planejando uma grande distribuição de alimentos e água nesta semana”, disse Brown. “Muitas pessoas estão com fome, dormindo em colchões molhados e sem ter para onde ir.”
Esforços coordenados da ADRA
A Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), tanto em nível internacional quanto por meio de seu escritório da Divisão Interamericana, está atuando no local para auxiliar na logística e na coordenação da distribuição de suprimentos.
Rubén Ponce, coordenador de resposta emergencial da ADRA Internacional na Jamaica e diretor da ADRA México, destacou que a colaboração com as entidades da igreja tem sido rápida e harmoniosa.
“Estamos vendo membros da igreja abrindo suas casas, atuando como voluntários em abrigos e mobilizando recursos em tempo recorde”, afirmou. “Isso é uma prova viva do espírito de serviço adventista.”
Igrejas como centros de esperança
Na Associação Oeste da Jamaica, Glen Samuels e sua equipe transformaram as instalações da igreja em centros de armazenamento e distribuição.
“Encomendamos cerca de 70 mil dólares americanos em alimentos, mas isso está longe de ser suficiente”, disse Samuels. “Estamos tentando conseguir mais suprimentos enquanto avaliamos a quantidade de chapas metálicas e de madeira necessárias para ajudar os membros a reconstruírem seus telhados.”
Para restaurar a comunicação, a associação está instalando estações de carregamento e dados movidas a energia solar em cada capital de paróquia, permitindo que membros e moradores se reconectem com suas famílias.
“O silêncio tem sido devastador”, afirmou Samuels. “Temos pastores que ainda não conseguem chegar até suas igrejas. Mas, mesmo entre os escombros, as pessoas se reúnem para orar.”
O cuidado pastoral de Samuels vai além das necessidades materiais.
“Muitos estão traumatizados, questionando como um Deus de amor poderia permitir algo assim”, compartilhou ele. “Eu lhes digo: Deus é quem leva a culpa pelo trabalho sujo do diabo. Mas é pela misericórdia do Senhor que não somos consumidos. Sua compaixão jamais falha.”
Líderes da divisão visitam o campo
Vinda da sede da Divisão Interamericana (DIA) em Miami, Flórida, uma delegação liderada por Abner De los Santos, presidente da DIA, juntamente com o vice-presidente Balvin Braham e o diretor da ADRA Interamericana, David Poloche, viajou à Jamaica para se reunir com líderes locais e testemunhar de perto a devastação.
“O estrago é estarrecedor”, disse De los Santos. “Em alguns momentos, parece que estamos andando por uma zona de guerra. Mas oramos com nossos líderes e membros, os abraçamos e lembramos que, mesmo em meio à tragédia, este é o nosso momento de demonstrar amor prático.”
De los Santos fez um apelo à comunidade adventista em toda a DIA para que ore pela Jamaica e contribua por meio da ADRA e das iniciativas locais das igrejas.
“Conforme Mateus 24, eventos como terremotos, furacões e guerras nos lembram de agir com amor”, afirmou. “Quando o amor de muitos se esfria, cabe aos fiéis demonstrar compaixão.”
Desde a passagem da tempestade, Braham coordena os esforços da igreja na resposta ao desastre em toda a Jamaica, trabalhando de forma incansável. Ele mantém comunicação constante com as autoridades locais para garantir autorizações de voo para a chegada de ajuda humanitária.
Trabalhando em parceria com a Adventist World Aviation, ele está providenciando uma aeronave destinada ao transporte de suprimentos e equipes para comunidades remotas, além de colaborar com a Divisão Norte-Americana para mobilizar voluntários especializados na reconstrução de igrejas e casas devastadas pelo furacão Melissa.
Olhando para o futuro: fé e reconstrução
Apesar das perdas e dos desafios logísticos, a esperança permanece firme. Brown relatou que igrejas fora das áreas afetadas já começaram a organizar campanhas de arrecadação de alimentos, enquanto adventistas no exterior — na Inglaterra, no Canadá e na América do Norte — estão oferecendo apoio.
“Recebemos ligações de presidentes de uniões de toda a Divisão Interamericana, e eles se comprometeram a apoiar os esforços de socorro”, disse Brown.
“A igreja não pode permanecer em silêncio quando seus membros estão em necessidade”, disse Brown. “Precisamos estar presentes por eles — não apenas em oração, mas também em ação.”
Enquanto caminhões saíam da Associação Oeste da Jamaica, em Montego Bay, rumo às paróquias do oeste, Samuels observava os voluntários carregando caixas e lonas.
“Não podemos substituir tudo o que eles perderam”, disse ele em voz baixa, “mas podemos levar luz onde a escuridão se instalou. E é para isso que a igreja existe.”
O desafio imediato, explicou Samuels, é que a primeira rodada de distribuições fornece suprimentos suficientes apenas para cerca de duas semanas.
“A necessidade é imensa”, disse ele, destacando que os voluntários estão trabalhando sem parar para reembalar os alimentos e enviá-los novamente o mais rápido possível. “As pessoas estão traumatizadas. Dá para ver isso no rosto delas. Perderam tudo”, afirmou.
Samuels, cuja casa foi inundada e ainda está sem energia elétrica e sem água, disse que não parou para avaliar suas próprias perdas. Sua prioridade, explicou, tem sido ouvir os membros da igreja, identificar os mais vulneráveis, orar com eles e oferecer apoio enquanto enfrentam dias de incerteza.
“Precisamos garantir primeiro as necessidades básicas e o abrigo, e logo em seguida oferecer apoio psicológico”, acrescentou Samuels.
Uma visita à paróquia de St. Ann, no norte do país, revelou igrejas com os telhados arrancados e templos completamente destruídos, relataram os líderes. Das 80 igrejas pertencentes à Associação Norte da Jamaica, seis foram destruídas, incluindo a Igreja Adventista Palavra de Esperança, segundo informou Karl Archer, presidente da associação. Apesar da devastação, os membros se reuniram no terreno da igreja para adorar e orar na manhã de sábado, 1º de novembro.
Na Igreja Adventista de Discovery Bay, onde o furacão arrancou todo o telhado e o arremessou a vários metros de distância, os líderes se reuniram na entrada para orar por todos os membros afetados pela tempestade e pelos esforços de ajuda nos dias seguintes.
Saiba como ajudar
Contribuições para os esforços de ajuda trazem esperança, alívio e dignidade àqueles que estão reconstruindo suas vidas, afirmam os líderes. Os recursos doados apoiarão a distribuição contínua de alimentos, a reparação de abrigos e os projetos de reconstrução comunitária na Jamaica e em outras ilhas afetadas pela tempestade.
Para saber como apoiar os esforços de recuperação na região, visite adra.org. A versão original deste artigo foi publicada pelo site da Divisão Interamericana.


















