Líderes adventistas do sétimo dia na Jamaica, em Cuba, no Haiti e na República Dominicana estão trabalhando para localizar membros e avaliar os danos após o furacão Melissa ter passado pelas ilhas entre 27 e 30 de outubro de 2025.
A tempestade derrubou linhas de energia, arrancou árvores, destruiu casas e edifícios, inundou comunidades e deixou pelo menos 34 pessoas mortas. Líderes da Igreja confirmaram que, até o momento, não há registro de mortes entre os membros adventistas.
Situação na Jamaica
Na Jamaica, o impacto do furacão foi sentido em toda a ilha, afetando centenas de membros que “perderam tudo”, disse Everett Brown, presidente da União Jamaicana.
Ele observou que várias estruturas da Universidade do Caribe Setentrional, em Mandeville, também foram danificadas pela tempestade.
“Sabemos que as pessoas perderam seus telhados, suas plantações, seus meios de subsistência”, disse Brown. “Queremos reunir todos os recursos que tivermos para aliviar o sofrimento e ajudar as pessoas a reconstruírem suas vidas.”
Glen Samuels, presidente da Associação Oeste da Jamaica, descreveu a destruição na Paróquia de St. Elizabeth — a área mais severamente atingida pelos ventos que chegaram a 300 km/h — como “um desastre colossal e catastrófico.”
“Entre 80 e 90 por cento dos edifícios em St. Elizabeth foram afetados, com praticamente toda a região arrasada”, disse Samuels. “Sabemos que 100 das nossas 246 igrejas adventistas sofreram danos totais ou parciais.”
Segundo ele, as enchentes e a lama, que chegou a atingir a altura dos joelhos, tornaram as estradas quase intransitáveis, dificultando os esforços de socorro. Apesar do bloqueio das vias, membros de toda a Jamaica se mobilizaram para ajudar, e dois caminhões carregados com alimentos, lanternas e suprimentos essenciais partiram de Kingston em direção a Montego Bay.
Brown acrescentou que, antes da chegada do furacão, a Igreja já havia distribuído cestas básicas e fundos emergenciais às suas cinco associações, garantindo que os membros mais vulneráveis tivessem acesso a comida e água.
Resposta da ADRA
David Poloche, diretor da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) para a Divisão Interamericana, afirmou que a ADRA Internacional e os líderes regionais coordenaram os esforços de resposta antes, durante e depois do furacão, para garantir que a ajuda chegasse àqueles que mais precisavam.
A ADRA atua como o braço humanitário da Igreja Adventista do Sétimo Dia em todo o mundo.
A resposta inicial incluiu a distribuição de kits de alimentos, kits de higiene pessoal e kits de limpeza doméstica para 850 famílias, com planos em andamento para o alcance de outras 4.500 famílias nos próximos dias.
“A ADRA está enviando uma equipe de resposta emergencial para trabalhar junto com a equipe local da ADRA na Jamaica e coordenar os esforços de socorro nos próximos dias”, afirmou Poloche.
Além disso, a ADRA está fornecendo assistência financeira a mais de 350 famílias afetadas pelas enchentes na região de Santo Domingo, na República Dominicana, e a 230 famílias no Haiti.
Situação em Cuba
Em Cuba, os líderes ainda estão tentando determinar a situação dos membros nas províncias orientais de Santiago de Cuba e Holguín, onde a tempestade atingiu o solo como furacão de categoria 3 antes de enfraquecer para categoria 2. Relatos indicam deslizamentos de terra, casas destruídas e bairros inteiros submersos, informou Aldo Pérez, presidente da União Cubana.
“A situação é crítica”, disse Pérez. “Muitas comunidades ainda estão inacessíveis por estrada, com comunicação e eletricidade totalmente interrompidas.”
Cidades inteiras foram inundadas à medida que os rios transbordaram, destruindo plantações, casas e infraestrutura, explicou ele. Apesar da destruição generalizada, não há registro de mortes entre os membros da igreja.
Pérez atribuiu o enfraquecimento do furacão Melissa, ao chegar a Cuba, à proteção de Deus e às vigílias de oração que mobilizaram fiéis em toda a ilha durante a noite de 29 de outubro.
Na Associação do Amanhecer, entidade local que supervisiona o trabalho da Igreja Adventista nas províncias de Santiago de Cuba e Guantánamo, Adaias Lores, presidente da associação, tem entrado em contato com pastores e membros cujas casas foram destruídas ou gravemente afetadas pelo furacão.
“Temos conhecimento de várias igrejas e plantações que foram completamente devastadas”, disse Lores. “O maior desafio neste momento é a falta de alimentos, e estamos fazendo tudo o que podemos para ajudar os mais afetados.”
Membros adventistas também relataram danos significativos. “Em Sagua de Tánamo, o telhado da igreja foi arrancado, mesmo depois de ter sido reforçado com sacos de areia”, explicou Pérez. “Em Mayarí, a igreja ficou completamente submersa quando os rios transbordaram.”
O pastor adventista local Yoendris Verdecia, de Sagua de Tánamo, na província de Holguín, descreveu cenas de devastação generalizada e inundações, onde praticamente toda a parte baixa da cidade continua submersa. Ele relatou que mais de 6.000 casas foram alagadas e muitas famílias perderam tudo.
“É devastador”, disse Verdecia. “Não há palavras para descrever o que estamos vendo. As pessoas estão presas nos andares superiores”, acrescentou.
Embora tenha havido grandes perdas materiais, Verdecia expressou gratidão por nenhum membro da igreja ter perdido a vida. Muitos fiéis buscaram abrigo no prédio da igreja ou em casas mais seguras, e a comunidade adventista local se mobilizou para remover escombros e preparar refeições quentes para os vizinhos.
Situação no Haiti
No sul do Haiti, líderes regionais estão avaliando a extensão dos danos após a tempestade destruir duas igrejas, danificar várias escolas adventistas e afetar dezenas de casas de membros, incluindo as de três pastores, além de plantações em propriedades da igreja.
Oração e apoio
“Estamos profundamente preocupados com a devastação em Cuba, Jamaica e Haiti. O impacto foi imenso”, afirmou Abner De los Santos, presidente da Divisão Interamericana (DIA).
Antes, durante e depois da tempestade, líderes e funcionários na sede da DIA, em Miami, uniram-se em oração, pedindo a proteção de Deus sobre os territórios que estavam no caminho de Melissa.
De los Santos afirmou que as medidas de resposta emergencial da Divisão já haviam sido ativadas antes da chegada do furacão.
“Os planos estavam em andamento nos três territórios, e continuaremos acompanhando a situação para garantir uma resposta eficaz, tanto para nossos membros quanto para a comunidade em geral”, disse ele.
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Interamericana.













