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Histórias do Mission Refocus desafiam líderes adventistas a ir onde a necessidade é maior

Programa do Concílio Anual destaca a necessidade de enviar mais missionários a comunidades pouco alcançadas pelo evangelho

Associação Geral

Libna Stevens para Adventist News Network
Richard E. McEdward, secretário da Associação Geral, faz um apelo durante o programa Mission Refocus no Concílio Anual, em 9 de outubro de 2026, em Silver Spring, Maryland. [Foto: Tor Tjeransen/AME (CC BY 4.0)]

Richard E. McEdward, secretário da Associação Geral, faz um apelo durante o programa Mission Refocus no Concílio Anual, em 9 de outubro de 2026, em Silver Spring, Maryland. [Foto: Tor Tjeransen/AME (CC BY 4.0)]

Na noite de sexta-feira, 9 de outubro, segundo dia do Concílio Anual, líderes adventistas do sétimo dia deixaram de lado as votações, os relatórios e os demais itens da pauta para um momento de adoração e reflexão sobre o que significa responder ao chamado de Deus para a missão.

Líderes adventistas do sétimo dia, reunidos para o segundo dia do Concílio Anual, deixaram de lado votações, relatórios e outros itens da agenda na noite de sexta-feira, 9 de outubro, para adorar e refletir sobre o que significa responder ao chamado de Deus para a missão.

Mais de 440 líderes da Igreja de todo o mundo, reunidos na sede da Associação Geral (AG), em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos, ouviram relatos em primeira mão sobre fé, sacrifício e serviço de missionários que atuam em comunidades onde compartilhar o evangelho muitas vezes começa com a construção de confiança, a formação de amizades e a busca de novas maneiras de se conectar com as pessoas.

Suas experiências, compartilhadas ao longo da noite entre músicas, leituras bíblicas e momentos interativos, ofereceram um vislumbre do programa Mission Refocus, uma iniciativa da Igreja para enviar mais missionários e recursos a lugares onde a presença adventista é limitada ou inexistente. A iniciativa prioriza a Janela 10/40, os grandes centros urbanos e as sociedades seculares e pós-cristãs.

Os testemunhos também refletiram o tema do Concílio Anual deste ano, “Chamados para a Missão”, por meio das experiências de missionários que atuam em diferentes culturas e longe de seu ambiente familiar.

“O programa desta noite é especial e se concentra nas histórias e na vida daqueles que foram enviados por meio do Mission Refocus”, disse Rick McEdward, secretário executivo da AG, ao dar as boas-vindas aos líderes.

Uma missão que a transformou

Entre os missionários que compartilharam suas experiências estava Katie Davis, que passou nove meses como missionária estudante no Camboja por meio do programa de missão estudantil da Universidade Andrews.

Davis atuou em um centro de influência adventista que oferece aulas de idiomas e música, um restaurante vegetariano e outras atividades voltadas à construção de relacionamentos com a comunidade. Ela contou que logo percebeu que compartilhar sua fé no Camboja exigia uma abordagem diferente.

“Minha missão passou a ser representar Jesus por meio das minhas ações, das minhas palavras e da minha conduta diária, dependendo completamente do Espírito Santo todos os dias”, disse Davis.

Durante os nove meses que passou no país, Davis contou que usou sua formação em serviço social para realizar oficinas de saúde mental em vilarejos, ajudar crianças a desenvolver habilidades socioemocionais, formar amizades que levaram a estudos bíblicos e ajudar um adolescente cambojano a se preparar para estudar no exterior.

Katie Davis compartilha como sua atuação como missionária estudante por meio do Serviço Voluntário Adventista moldou sua fé e sua missão, durante o programa Mission Refocus no Concílio Anual, em 9 de outubro de 2026. [Foto: Tor Tjeransen/AME (CC BY 4.0)]

Mas Davis contou aos líderes que uma das maiores transformações aconteceu em sua própria vida.

“Minha experiência missionária não se tratou do que eu queria oferecer ao meu povo, mas foi justamente a ferramenta que Deus usou para me formar como discípula, desconstruir minhas suposições e fortalecer minha fé”, afirmou.

Agora cursando um mestrado em desenvolvimento comunitário e internacional, Davis desafiou os líderes da Igreja a oferecer aos jovens oportunidades de servir desde já.

“Quando vocês dão a nós, jovens, a confiança, a oportunidade e o espaço para servir, seja do outro lado do mundo, no Camboja, ou aqui mesmo, em nossas comunidades, Deus faz coisas incríveis em nosso coração.”

Construindo relacionamentos em uma comunidade pós-cristã

Para uma família missionária que atua em um contexto altamente secular e pós-cristão, o plantio de igrejas tem se concentrado na construção de amizades e de confiança. Ao criar oportunidades para conexões significativas, a família tem aberto caminho para que pessoas que talvez não se identificassem, a princípio, com uma igreja tradicional possam explorar questões sobre a vida e a fé.

Essas conexões têm aberto espaço, aos poucos, para conversas espirituais mais profundas. Um participante que se identificava como ateu começou a estudar a Bíblia e a frequentar os cultos aos sábados, enquanto outro, que se descrevia como agnóstico, expressou o desejo de dar mais uma chance a Deus.

Desde então, um grupo de estudo bíblico foi formado e está sendo desenvolvido como base para uma nova congregação e como modelo para alcançar outras comunidades pós-cristãs.

Robert C. Csizmadia, secretário executivo da Divisão Transeuropeia (DTE), apresenta um relatório sobre os missionários do Mission Refocus que atuam em todo o território da divisão, durante o programa Mission Refocus na noite de sexta-feira, 9 de outubro de 2026. [Foto: Tor Tjeransen/AME (CC BY 4.0)]

Essa experiência reflete um desafio mais amplo em toda a Divisão Transeuropeia (DTE). Robert Csizmadia, secretário executivo da divisão, destacou seu maior campo missionário, onde vivem cerca de 65 milhões de pessoas, quase um terço da população da divisão, e onde há aproximadamente um adventista para cada 82 mil não adventistas.

Em uma região cada vez mais influenciada por culturas seculares e pós-cristãs, Csizmadia afirmou que alcançar as pessoas exige novas abordagens missionárias. Ele descreveu a DTE como um “laboratório missionário” para encontrar novas maneiras de se conectar com essas comunidades.

“Queremos ser parceiros na missão”, disse ele. “Gostaríamos de recebê-los em nosso campo missionário. E gostaríamos de apoiá-los em seu campo missionário.”

Um despertador para a missão

Ao longo da noite, o som e a imagem de um despertador reforçaram o senso de urgência.

Passagens bíblicas como Romanos 13:11-12, João 9:4, Lucas 10:2, Mateus 25:13 e Mateus 28:19-20 foram usadas para chamar a atenção dos líderes para a urgência de alcançar pessoas que ainda não ouviram o evangelho.

“Esses versículos bíblicos são como despertadores que nos chamam a despertar para a missão”, disse Justin Kim, editor da Adventist Review.

Justin Kim, editor e diretor da Adventist Review, fala durante o programa Mission Refocus no Concílio Anual, em 9 de outubro de 2026. [Foto: Tor Tjeransen/AME (CC BY 4.0)]

Kim então direcionou essa reflexão ao público, convidando os líderes a usar seus celulares para participar de uma nuvem de palavras interativa. Eles responderam a perguntas sobre onde haviam servido, onde há maior necessidade de obreiros e do que a missão mais precisa. Países e regiões de todo o mundo apareceram na tela, enquanto “obreiros”, “Espírito Santo”, “amor” e “oração” se destacaram entre as necessidades identificadas para a missão.

Kim também desafiou os líderes a considerar o que estavam dispostos a abrir mão pela missão, convidando-os a “reconsagrar” e “reorientar” sua vida, com um maior senso de responsabilidade por outras culturas, países e povos.

Transpondo barreiras

McEdward retomou esse senso de urgência em seu apelo final, apresentando o chamado bíblico para levar as bênçãos de Deus às nações e desafiando os líderes a não permitir que barreiras geográficas, étnicas, linguísticas ou religiosas limitem a missão da Igreja.

“O povo de Deus é chamado a superar barreiras para levar o evangelho”, disse ele. “Não partimos em busca de aventura. Não partimos apenas para ganhar mais um carimbo no passaporte.”

Ele também destacou a conexão entre o Mission Refocus e o OneVoice27, a iniciativa mundial de evangelismo digital da Igreja. As ferramentas digitais podem levar o evangelho a novos lugares, afirmou, mas a Igreja também precisa de pessoas nesses locais que possam construir relacionamentos com aqueles que são alcançados por meio da tecnologia.

Richard E. McEdward, secretário da Associação Geral, faz um apelo durante o programa Mission Refocus no Concílio Anual, em 9 de outubro de 2026, em Silver Spring, Maryland. [Foto: Tor Tjeransen/AME (CC BY 4.0)]

Essa conexão refletiu a ênfase mais ampla da Igreja em estar “Integrados para a Missão”, reunindo missionários, membros, líderes e iniciativas em um esforço conjunto para alcançar pessoas em lugares onde a Igreja ainda não está presente.

McEdward desafiou os líderes a garantir que o OneVoice27 alcance populações e grupos linguísticos entre os quais a Igreja Adventista tem pouca ou nenhuma presença.

“Certifiquem-se de que estamos fazendo algo pelos grupos, pelas etnias e pelos grupos linguísticos que não estão representados na Igreja”, disse ele.

Ao destacar os missionários que haviam deixado seu ambiente familiar e, em alguns casos, uma vida de considerável segurança para servir em outros lugares, McEdward enfatizou a necessidade de mais obreiros.

“Podemos ter mais? Podemos enviar mais pessoas como eles?”, perguntou. “Podemos ver mais luzes como eles brilhando neste mundo?”

Mas ele ressaltou que essa responsabilidade vai além daqueles que são enviados. Com base no chamado de Deus a Abraão para abençoar as nações, McEdward lembrou aos líderes que eles também fazem parte dessa missão: “Vocês também são parte da solução para levar as bênçãos de Deus às nações”.

A noite terminou com uma oração do presidente da AG, Erton Köhler, que agradeceu aos missionários por seu serviço e convidou os líderes a renovar seu compromisso. “Mantém a missão viva por meio de nós”, orou. “Ajuda-nos a manter sempre o foco na missão em tudo o que fazemos para preparar este mundo para a segunda vinda de Jesus.”

Libna Stevens para Adventist News Network

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