“Comprometo-me com este comitê e com a igreja mundial a ser um mordomo fiel dos recursos que Deus concedeu à Sua igreja, para que sejam usados em Sua missão”, declarou Paul H. Douglas, tesoureiro da Associação Geral (AG), em suas palavras de abertura em 13 de outubro de 2025.
Douglas e sua equipe apresentaram o relatório da tesouraria intitulado “Integrados para a Missão” ao Comitê Executivo da Associação Geral (CEAG), reunido na sede mundial da denominação, em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos.
Força, mordomia e estratégia
Após apresentar sua equipe, Douglas destacou três áreas de ênfase para este quinquênio. A primeira delas foi a força. Segundo ele, as instituições da igreja devem operar com autossustento, sem depender de repasses.
“Isso significa viver dentro das suas possibilidades”, explicou Douglas, “não depender de repasses para cobrir despesas operacionais, mas fazer investimentos missionários.”
Douglas também fez um apelo para que os líderes da igreja tenham cautela ao buscar crescimento institucional, dizendo: “Devemos ter cuidado para não expandir rapidamente nossas estruturas administrativas, mas destinar uma parcela cada vez maior dos recursos à missão, não à máquina administrativa.”
A segunda área de ênfase foi a mordomia, ou seja, a administração responsável dos recursos que Deus nos confiou. Ele destacou que isso deve ser não apenas pessoal (o que Deus requer de cada um), mas também organizacional (como agimos e nos comportamos como líderes).
“A mordomia organizacional pode — e de fato tem — impacto na mordomia pessoal de nossos membros”, afirmou. “O que eles veem em nossas ações e na forma como conduzimos a obra de Deus pode, sim, influenciá-los.”
Douglas também mencionou uma parceria com o Departamento de Mordomia da Associação Geral, que se concentrará em cinco áreas de ênfase e colaboração. Entre elas estão os princípios de que “mordomia diz respeito à fé, não à arrecadação de fundos”, e de que os líderes da igreja devem “valorizar a confiança dos membros”. O plano também afirma que “os princípios da mordomia orientam todos os aspectos da vida diária” e que “a mordomia é para todos, em todos os lugares.”
Por fim, Douglas abordou a estratégia, que envolve tomar decisões baseadas em evidências, maximizar o impacto dos investimentos missionários e mobilizar recursos para a missão.
“Vamos fazer mais do que funciona — mas, se algo não estiver funcionando, vamos tentar outra abordagem”, sugeriu.
O impacto da economia global sobre a Igreja
Após a fala de Douglas, Timothy Aka, tesoureiro associado da Associação Geral responsável por investimentos e operações bancárias, apresentou uma análise da situação econômica mundial e de como ela afeta a Igreja.
Em sua apresentação, Aka explicou que o dólar americano continua sendo a principal moeda de reserva mundial nos mercados financeiros, o que permite ao governo dos Estados Unidos contrair empréstimos com juros mais baixos e manter déficits comerciais mais altos. No entanto, ele observou que alguns países estrangeiros têm demonstrado interesse em se afastar do uso do dólar.
Segundo Aka, outros desafios incluem o aumento do endividamento do governo norte-americano, a ameaça de inflação e a incerteza quanto à oferta de mão de obra. Ainda assim, ele ressaltou que “o dólar dos Estados Unidos provavelmente não perderá seu status de moeda de reserva mundial em um futuro próximo.”
Aka afirmou que reflete constantemente sobre como esses fatores podem afetar o trabalho da Igreja, especialmente em relação ao papel profético dos Estados Unidos nos eventos globais. Embora tenha reconhecido que não é possível prever como os detalhes proféticos se desenrolarão, ele alertou que essas mudanças podem influenciar diretamente as operações da Igreja, incluindo “nossa capacidade de conduzir os negócios como temos feito até agora e de movimentar recursos ao redor do mundo para apoiar nossa missão.”
Por isso, enfatizou Aka, a autossuficiência financeira das instituições da Igreja torna-se ainda mais essencial.
Resultados financeiros e relatório da Assembleia da Associação Geral
Douglas voltou ao púlpito para apresentar as demonstrações financeiras da Igreja até agosto de 2025. Ele informou que houve um aumento de 3,9% nos dízimos e uma redução de 0,5% nas ofertas em comparação com o mesmo período do ano anterior. O capital de giro — diferença entre ativos e passivos circulantes — corresponde a 12,4 meses de operação, enquanto a liquidez — recursos facilmente convertidos em dinheiro — equivale a 9,5 meses.
Em seguida, a tesoureira associada Sabrina C. DeSouza apresentou o relatório da Assembleia da Associação Geral, realizada no início deste ano em St. Louis, Missouri. Segundo ela, uma pesquisa de satisfação indicou que 91,1% dos participantes consideraram a Assembleia efetiva ou muito efetiva. DeSouza também comemorou o fato de que as despesas reais foram 1,1 milhão de dólares abaixo do orçamento previsto.
De acordo com DeSouza, 53% dos recursos da Assembleia da Associação Geral foram destinados à tecnologia e comunicação. O restante foi aplicado em operações e segurança (28%) e em experiência e suporte aos delegados (19%). Ela acrescentou que o custo total do evento por membro da Igreja foi de apenas 24 centavos de dólar.
Oferta da Assembleia da AG para a estratégia digital de missão
O tesoureiro associado da AG, Richard Stephenson, responsável pela estratégia digital, apresentou um relatório sobre a oferta especial da Assembleia da Associação Geral, destinada a apoiar iniciativas de estratégia digital para a missão. Segundo Stephenson, a oferta especial da Assembleia totalizou mais de 3,8 milhões de dólares, destinados a financiar e apoiar a evangelização digital regional.
Stephenson explicou que os planos incluem iniciativas projetadas para transformar cada clique em um convite ao engajamento e, o mais importante, em uma oportunidade de conectar pessoas interessadas com uma igreja adventista local. Essa segunda parte, enfatizou ele, é essencial: encontrar formas de ligar os buscadores digitais a uma comunidade física. “Se não tivermos esse vínculo com uma comunidade local da igreja,” explicou Stephenson, “todos os nossos esforços online serão em vão.”
Nesse sentido, cada Divisão da Igreja mundial foi incentivada a desenvolver estratégias digitais adaptadas à sua realidade regional, afirmou.
“É com grande alegria que informo que a Igreja Adventista está mobilizando recursos digitais para a missão, a fim de alcançar um mundo cada vez mais digital.” Stephenson destacou que essa estratégia digital de missão não é apenas um plano: “É um movimento para alcançar pessoas onde elas estão.”
Como o dízimo é utilizado?
Após o relatório de Stephenson, o tesoureiro adjunto Ray Wahlen apresentou uma atualização sobre o uso do dízimo — os 10% devolvidos pelos membros a Deus para sustentar as atividades ministeriais e evangelísticas.
Com base nas políticas atuais, Wahlen lembrou aos membros do Comitê Executivo da Associação Geral (CEAG) que “os comitês administrativos e executivos precisam compreender os conselhos das Escrituras e do Espírito de Profecia sobre o uso do dízimo.”
Em nível mundial, 35,7% dos dízimos devolvidos pelos membros fiéis foram utilizados para sustentar o trabalho pastoral, enquanto 29,2% foram destinados a despesas operacionais, informou Wahlen. Entretanto, ao analisar a mediana das Divisões mundiais, em 2024, o percentual gasto com despesas administrativas (39,7%) superou o destinado a pastores (36,4%).
“As operações de escritório se tornaram o principal uso dos dízimos na maioria das Divisões,” afirmou Wahlen. “Isso é preocupante para nós, e ainda estamos analisando o que isso significa para a Igreja mundial como movimento.” Segundo Wahlen, a equipe da Tesouraria da Associação Geral irá analisar cuidadosamente essa tendência nos dados.
Destinações e missão
Douglas voltou ao púlpito para lembrar aos membros do Comitê Executivo da Associação Geral (CEAG) que, de acordo com as políticas vigentes, as destinações financeiras — ou seja, os recursos enviados pela Associação Geral às regiões e instituições da Igreja em todo o mundo — seguem uma metodologia que prioriza a missão.
Assim, foi votado que o valor básico das destinações será ajustado de acordo com o tamanho econômico de cada Divisão. Além disso, explicou Douglas, será adicionado um valor complementar com base em uma matriz que considera fatores financeiros e missionários.
Entre os novos critérios a serem considerados, Douglas destacou um “índice de formação de discípulos” recentemente desenvolvido, que levará em conta elementos como atividades missionárias e de evangelismo, fidelidade nos dízimos e planos de discipulado.
“Quanto maior o índice, maior será o valor adicional das destinações”, explicou. “É uma metodologia de alocação de recursos que incentiva a missão.”
Considerações orçamentárias
Em seguida, Wahlen apresentou alguns fatores considerados na elaboração do orçamento de 2026.
Entre eles, mencionou a eliminação do acréscimo de 0,85% dos dízimos provenientes da Divisão Norte-Americana (DNA) e o estabelecimento das despesas operacionais dentro do limite previsto pelas políticas da Igreja.
Douglas informou que o dízimo orçamentário total foi reduzido, enquanto as ofertas e os rendimentos de investimentos previstos devem aumentar.
Em relação às destinações financeiras, Wahlen relatou que as verbas para repasses e serviços de auditoria devem aumentar. O mesmo vale para os fundos administrados pela Associação Geral, que incluem prêmios de seguros e investimentos contínuos em tecnologia digital.
Em um gráfico final, Wahlen apresentou como os recursos são distribuídos. Segundo ele, a Associação Geral destina 40% — “a parte mais ampla e importante do orçamento” — à estratégia e ao apoio da missão, 31% às despesas operacionais, e 9% tanto para mídia e publicações quanto para desenvolvimento de liderança.
Outros 8% são direcionados a quatro instituições educacionais que dependem diretamente da Associação Geral, e os 3% restantes destinam-se a outros usos.
Ao encerrar, Douglas lembrou aos membros do Comitê Executivo da Associação Geral (CEAG) que o projeto Mission Refocus ainda está ativo. Ele compartilhou que, neste quinquênio, os recursos destinados a iniciativas missionárias e de alcance nas janelas 10/40, pós-cristã e urbana totalizarão 126 milhões de dólares.
“Temos uma grande oportunidade de pregar este evangelho com o OneVoice27”, disse Douglas, referindo-se à iniciativa evangelística mundial de 27 milhões de dólares, prevista para setembro de 2027.
Os desafios à frente são consideráveis, mas, nas palavras de Douglas, “nada é impossível para o nosso Deus. Quando nos dispomos a cooperar com Ele, nossa humanidade unida à Sua divindade realiza coisas onipotentes.”
A versão original deste artigo foi publicada no site da Adventist Review. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.










