Um prédio de vários andares localizado ao lado do campus da Corporación Educativa Adventista, em Cali, Colômbia, desabou durante o terremoto de 10 de agosto. Em 17 de agosto, Yeison Andrade, presidente da Associação do Pacífico Colombiano, apresentou um relatório aos líderes da União Sul-Colombiana e aos representantes da Maranatha Volunteers International, informando que todos os estudantes e professores saíram do prédio ilesos.
Durante o relatório, Andrade compartilhou fotos e testemunhos do que chamou de “circunstâncias milagrosas”. Ele chegou à escola poucos minutos após o terremoto e também relatou que, apesar da tragédia, o local logo se transformou em um centro de distribuição de alimentos para as equipes de resgate e outros voluntários.

O terremoto ocorreu depois que o sinal de entrada tocou, indicando que os estudantes deveriam deixar a quadra descoberta e seguir para o culto na capela.
“Eles estavam ouvindo a meditação diária quando o terremoto aconteceu”, contou Andrade. “Se o prédio tivesse desabado apenas alguns minutos antes, a história teria sido diferente.”
A primeira de muitas circunstâncias favoráveis que contribuíram para a segurança de todos foi a mudança no horário do culto na capela, conduzido por Deiby Bustamante, capelão da escola. Anteriormente, a meditação matinal acontecia às 6h30.
“Alguns pais chegavam atrasados, então decidimos transferir a meditação diária para as 7h30, para que ninguém a perdesse”, explicou. “Caso contrário, os estudantes poderiam estar do lado de fora, durante o recreio.”

Em segundo lugar, Andrade explicou que a escola possuía um protocolo de evacuação para desastres como aquele. Carolina Gómez, diretora da escola, contou que, assim que sentiu os primeiros tremores, correu para o corredor e deu a ordem de evacuação. Bustamante viu Gómez e se juntou aos esforços para retirar os estudantes.
“Eu estava preocupado com meu filho, que é aluno da educação infantil”, contou. “Mas também estava preocupado com as outras crianças. E confiava plenamente em nossa equipe.”
Entretanto, nem tudo aconteceu conforme o planejado.
“O protocolo de evacuação determinava que os estudantes deixassem as salas de aula e se reunissem na quadra descoberta, exatamente onde o prédio desabou”, explicou Andrade. “Isso teria sido fatal.”
Algo inesperado aconteceu, porém, com as turmas do primeiro e do sexto ano, as duas mais próximas da área aberta. A turma do sexto ano correu em direção ao local, mas, como o chão tremia intensamente ali, os estudantes voltaram para o prédio da escola e se apoiaram na parede, ficando de costas para a quadra descoberta, contou Gómez. Foi nesse momento que o prédio desabou.
“Nós simplesmente permanecemos ali, orando para que Deus nos ajudasse a respirar e a sair daquela área o mais rápido possível”, disse ela.

Enquanto isso, os alunos do primeiro ano estavam prontos para deixar a sala e seguir para a área aberta em poucos segundos. No entanto, um estudante ainda estava no banheiro. A professora precisou tomar uma decisão rapidamente.
“Vamos esperar pelo aluno que está faltando. Sairemos todos juntos”, disse ela à turma. Essa decisão também salvou vidas.
Gómez contou que, mais tarde, os funcionários da escola tiveram a alegria de entregar todos os estudantes aos seus pais, sem nenhum ferimento. Enquanto os pais, preocupados, chegavam para buscar os filhos, os estudantes não ficaram simplesmente esperando, explicou Bustamante.
“Pedi que formassem um círculo para orar e os lembramos das promessas de Deus”, contou. “No fim, todos nos abraçamos enquanto dizíamos: ‘Vocês não estão sozinhos! O Rei dos reis está conosco!’”
Segundo Andrade, outro fator que pode ter contribuído para salvar vidas foi o fato de o prédio não ter desabado completamente sobre a área aberta. O solo sob o peso do concreto cedeu, fazendo com que parte da estrutura afundasse antes de se inclinar levemente e cair.
“Parte do prédio afundou no solo antes de girar alguns graus e desabar”, explicou Andrade. Como resultado, apenas uma parte da estrutura caiu sobre a área aberta, o que ajudou a preservar a vida dos alunos do sexto ano que estavam do lado de fora.
Outro milagre, nas palavras de Andrade, foi o que aconteceu na área do refeitório e da cozinha da escola.
“Parte do prédio atingiu essa área da escola no momento em que as cozinheiras trabalhavam”, contou Andrade. “Quando corremos para descobrir o que havia acontecido, vimos as cozinheiras saindo do local cobertas de poeira, mas ilesas.”

Poucas horas após o terremoto, membros de várias congregações da cidade se reuniram para apoiar as operações de resgate e servir à comunidade naquele momento de necessidade.
“Ajudamos a alimentar os integrantes das equipes de resgate que chegaram do México e de Israel”, contou Andrade.
Andrade acrescentou que alguns espaços da escola foram transformados em locais de descanso para os membros das Forças Armadas que participavam das operações de resgate na região.
“Neste momento, temos cerca de 40 soldados alojados no local”, informou durante o relatório.
Os membros da Igreja levaram alimentos e outros suprimentos para as pessoas afetadas na região. Em pouco tempo, a escola se transformou em um centro de armazenamento e distribuição, relatou Andrade.
“Foi uma mobilização extraordinária, na qual também pudemos testemunhar a solidariedade de nossos vizinhos”, disse. “Assim, a escola tornou-se um centro de influência que contribuiu para fortalecer a reputação da Igreja Adventista.”
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão Interamericana.






