Daniel Jiao, presidente da União Chinesa, viajou de Hong Kong para as Ilhas Salomão a fim de gravar uma série de mensagens evangelísticas no estúdio da Hope Channel da Missão das Ilhas Salomão (MIS). Os programas foram transmitidos pela televisão local, pelo Facebook e pelo YouTube, com o objetivo de alcançar os chineses que vivem e trabalham nas Ilhas Salomão.
“Nosso objetivo é compartilhar a mensagem do evangelho com os chineses que vivem nas Ilhas Salomão”, disse Jiao. “Duas semanas é muito pouco tempo, mas temos gravado um sermão por dia.” Em vez de pregar em um local físico, como os outros oradores da campanha Ilhas Salomão para Cristo, Jiao apresenta uma mensagem pré-gravada, transmitida todas as noites. “Muitos dos chineses daqui são donos de empresas ou trabalham no setor comercial”, explicou. “Eles são muito, muito ocupados. Abrem suas lojas sete dias por semana. Normalmente, aos sábados ou domingos, as lojas estão fechadas. Mas as que permanecem abertas são lojas de chineses.”
Durante a visita, Jiao e sua equipe conheceram muitos pequenos empresários, trabalhadores e professores provenientes de diferentes regiões da China. Alguns viviam nas Ilhas Salomão havia 20 ou 30 anos, enquanto outros tinham chegado poucos meses antes. Muitos eram originários de províncias costeiras chinesas, como Guangdong e Fujian. Nascido na China, mas atualmente residente em Hong Kong, Jiao afirmou que falar cantonês ou outros dialetos chineses conhecidos ajudou a equipe a estabelecer conexões.
“Eles estavam muito ocupados enquanto conversávamos. Mas percebi que também estavam muito interessados em conversar com pessoas que falassem sua própria língua.”
Entre os moradores com quem Jiao estabeleceu contato estava um professor que havia se mudado para as Ilhas Salomão sem a família. “Perguntei a ele: ‘O que você faz no seu tempo livre?’ Ele respondeu: ‘Eu simplesmente entro na internet e assisto a alguns vídeos.’”
“Percebi que ele provavelmente se sente sozinho. Então, troquei informações de contato com ele e disse: ‘Teremos prazer em conversar com você.’” Jiao e a equipe o visitaram duas vezes e convidaram tanto o professor quanto outros dois docentes para participar de uma reunião sabática e de um batismo.
“Percebi que ele deseja ter esse tipo de felicidade em sua vida”, disse Jiao, depois que o homem contou ter visto cristãos locais cantando e adorando juntos.
Ele observou ainda que muitos chineses residentes haviam aprendido o pijin das Ilhas Salomão para fazer negócios, mas também recebiam com satisfação as oportunidades de conversar sobre suas famílias, suas experiências e os desafios de viver longe de casa.
Depois de vários dias sem receber retorno das transmissões noturnas, a equipe orou para que alguém respondesse aos programas. Pouco tempo depois, veio uma resposta direta dos telespectadores: um grupo de dez pessoas telefonou solicitando as Bíblias gratuitas que Jiao havia oferecido durante as transmissões. “Ficamos muito felizes”, disse ele. “Isso significa que a mensagem está chegando às pessoas. Elas estão ouvindo e assistindo, e acredito que Deus tocará o coração de muitas delas.”
Jiao afirmou que a experiência fortaleceu os planos para um ministério de longo prazo voltado aos chineses nas Ilhas Salomão. Ele conversou com os líderes da Missão das Ilhas Salomão sobre o envio de um casal ou de uma família de missionários chineses para trabalhar entre a comunidade chinesa local. Oportunidades semelhantes também estão sendo consideradas em Papua-Nova Guiné, Fiji e outras nações do Pacífico com populações chinesas já estabelecidas ou em crescimento. “O ambiente aqui é muito diferente do da China. As pessoas têm mais oportunidades, estão com a mente aberta e são mais receptivas ao evangelho.”
Jiao contou à Adventist Record que, embora a União Chinesa atenda toda a China, somente em Hong Kong os cristãos adventistas do sétimo dia podem compartilhar abertamente sua fé. “Na China, o governo impõe fortes restrições ao que pode ou não ser compartilhado e às circunstâncias em que isso pode acontecer. No entanto, os cidadãos chineses que vivem fora da China não estão sujeitos a esse tipo de fiscalização. Com a expansão da influência da China em toda a região do Pacífico, novas oportunidades missionárias estão surgindo como nunca antes.”
Glenn Townend, presidente da Divisão do Pacífico Sul, está entusiasmado com as oportunidades que isso poderá criar.
“Há milhares de empresários chineses no Pacífico, inclusive nas Ilhas Salomão e em Tonga. Já tivemos missionários nos dois lugares, mas com resultados limitados e interrupção do financiamento. É importante que o líder da União Chinesa reconheça o potencial do trabalho missionário entre os chineses no Pacífico, enquanto avaliam o interesse dos chineses em todo o mundo. Somos muito gratos pelas percepções e pela colaboração e trabalharemos para que essa iniciativa missionária seja bem-sucedida.”
A oportunidade é grande, assim como os desafios. “Há comunidades chinesas não apenas aqui nas Ilhas Salomão, mas também em Papua-Nova Guiné, Fiji e outros países insulares do Pacífico. Vemos muitos benefícios no envio de missionários chineses para essas regiões”, disse Jiao. “Por causa das restrições existentes na China, pode ser difícil para nossos pastores exercerem determinados tipos de ministério naquele país. Vir para cá lhes dá a oportunidade de conhecer outra cultura e outro ambiente, onde podem compartilhar a mensagem de Jesus com mais liberdade. Isso, por si só, já é uma experiência valiosa para eles, e vejo um grande potencial para alcançar as comunidades chinesas em todas as ilhas do Pacífico. Já nos reunimos com o presidente da Missão das Ilhas Salomão e concordamos em trabalhar juntos para enviar um casal de missionários às Ilhas Salomão. Esperamos fazer o mesmo em Papua-Nova Guiné e em outros países.”
“Isso funciona de duas maneiras. Primeiro, incentiva nossos membros e ministros da China. Quando vêm para cá, eles conhecem um ambiente mais amplo e percebem o potencial de alcançar outras pessoas. Segundo, os chineses que vivem aqui têm familiares em seu país de origem. Ontem, conhecemos uma cristã chinesa que administra um restaurante. Ela disse que voltaria para a China para ficar com os filhos, que estudam lá. Quando as pessoas que vivem no exterior aceitam Jesus, elas podem influenciar seus familiares em seu país de origem. Embora o ministério na China possa ser difícil, os parentes que vivem fora do país e seguem Jesus podem levar essa mensagem de volta para casa.”
“Vemos que Deus está usando meios extraordinários para levar a mensagem do evangelho às pessoas na China”, disse Jiao. “Oramos para que Deus continue abrindo portas para nós.”
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão do Pacífico Sul, Adventist Record.







