Para Meri Mohandas, voluntária da Associação da Grande Sydney, servir durante a campanha Ilhas Salomão para Cristo significou muito mais do que ajudar nas reuniões evangelísticas realizadas todas as noites.
Ao lado de outras integrantes da equipe do Ministério da Mulher da Associação, Mohandas passou duas semanas na Igreja Adventista do Sétimo Dia de Kurivulu durante a campanha Ilhas Salomão para Cristo. Nesse período, visitou famílias, realizou um programa da Escola Cristã de Férias para crianças e ensinou mulheres da comunidade a preparar refeições nutritivas com ingredientes facilmente disponíveis.
Natural de Fiji, Mohandas vive na Austrália há 40 anos e frequenta a Igreja Adventista Fijiana Kema, em Sydney, na Austrália. Ela foi uma das 13 voluntárias do Ministério da Mulher da Associação da Grande Sydney que viajaram às Ilhas Salomão para participar da campanha. Três delas foram designadas para Kurivulu. Todas as manhãs, as voluntárias se dirigiam à igreja e depois acompanhavam mulheres da comunidade em visitas pelas cinco regiões vizinhas.
“Visitamos cerca de seis famílias por dia”, contou Mohandas. “As mulheres de cada região nos levam para visitar pessoas que costumavam frequentar a igreja, além de viúvas, mães solo e famílias que enfrentam dificuldades.” Ao longo das duas semanas, a equipe visitou mais de 20 famílias.
Segundo Mohandas, uma das características mais marcantes da comunidade era a quantidade de mulheres que cuidavam dos filhos sem a presença do marido ou do pai. “Em quase todos os lugares que visitamos, havia apenas mulheres e seus filhos. Isso foi algo que chamou muito a minha atenção: há mais mulheres do que homens”, afirmou.
“Quando você chega de carro, vê uma pequena barraca onde vendem noz de areca. Há muito desemprego aqui e muitas crianças. Também há muitas famílias separadas. É possível perceber que existe uma grande necessidade de apoio.”
Catherine Carver, esposa do pastor local e ex-professora da escola de Kurivulu, afirmou que muitas mulheres da região enfrentam grandes dificuldades financeiras e familiares.
“A maioria das mulheres que visitamos criavam os filhos sozinhas e enfrentavam muitas dificuldades”, contou Carver. “Os pais das crianças se casaram com essas mulheres, depois as abandonaram e se casaram com outras pessoas. Muitas vezes, essas mães ficam responsáveis por alimentar sozinhas os filhos e, em alguns casos, também os netos.”
Ela acrescentou que a violência familiar também representa uma séria preocupação na comunidade, especialmente para mulheres e crianças. Quando trabalhava em uma escola adventista local, Carver teve contato com alunos que viviam assustados por causa de ameaças e atos de violência contra suas famílias.
[Foto: Adventist Record]
[Foto: Adventist Record]
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[Foto: Adventist Record]
[Foto: Adventist Record]
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Além das visitas aos lares, as voluntárias organizaram na igreja um programa infantil nos moldes da Escola Cristã de Férias. As atividades ofereceram ensinamentos bíblicos, brincadeiras e um espaço seguro para reunir o grande número de crianças que viviam nas proximidades. A equipe levou da Austrália bolas, materiais para trabalhos manuais e outros recursos para as crianças.
“Trouxemos muitas coisas de Sydney para distribuir às crianças”, contou Mohandas. “Havia bolas de futebol e de vôlei para que as crianças da igreja e da comunidade pudessem se divertir.”
As voluntárias também realizaram demonstrações culinárias para as mulheres da comunidade. Em vez de apresentar alimentos caros ou desconhecidos, elas se concentraram em ingredientes que poderiam ser cultivados ou encontrados localmente.
“Percebemos que havia muitas bananas na região e que parte das frutas estava sendo desperdiçada”, explicou Mohandas. “Queríamos ensinar as pessoas a aproveitar o que estava disponível.”
A equipe demonstrou novas maneiras de preparar bananas e abóboras, que são facilmente cultivadas ao redor das casas da região. Segundo Carver, as demonstrações permitiram que as mulheres aprendessem habilidades úteis e, ao mesmo tempo, construíssem amizades com as voluntárias visitantes.
“Foi uma bênção trabalhar com Meri e a equipe”, afirmou. “Fizemos caminhadas de oração, visitas e atividades culinárias. Elas compartilharam muitos de seus conhecimentos com as mulheres daqui.”
Outra voluntária, Minerva Sindac-Lebmeier, compartilhou seus conhecimentos sobre como preparar a flor da bananeira. “Eles não a consomem, então nós a víamos espalhada por toda parte”, contou. “No meu país, as Filipinas, nós a cozinhamos. Por isso, mostramos a eles como fazer. Agora, eles sabem preparar bolinhos de flor de bananeira.” Em seguida, Sindac-Lebmeier demonstrou como cortar e cozinhar a flor da bananeira e depois misturá-la com temperos, cebola, alho, ovo e farinha.
Para Mohandas, a campanha demonstrou que a missão inclui tanto a pregação pública quanto os gestos pessoais de cuidado. Uma experiência que permaneceu em sua memória aconteceu durante uma visita por uma estrada isolada e empoeirada. As voluntárias passaram por um homem sentado à beira da estrada, cumprimentaram-no e continuaram caminhando. Quando já estavam se afastando, ele gritou uma única palavra: “Oração”.
“Paramos e oramos com ele no meio da estrada”, contou. “O sol estava muito forte e sentíamos calor, mas aquele momento nos lembrou de parar e prestar atenção às pessoas que, de outra forma, poderiam passar despercebidas.”
As reuniões noturnas em Kurivulu atraíram entre 250 e 300 pessoas por noite. Durante um dos apelos, 17 pessoas manifestaram o desejo de se preparar para o batismo. Segundo Mohandas, a resposta foi animadora, mas os relacionamentos construídos por meio das atividades infantis, dos programas de culinária e das visitas às famílias foram igualmente significativos.
“Quando as pessoas nos viam chegando para visitá-las, isso lhes trazia alegria, e também era uma alegria para nós”, afirmou. “Essa experiência me mostrou mais uma vez que precisamos dedicar tempo para enxergar as pessoas, ouvi-las e orar com elas.”
“É uma experiência única na vida”, afirmou Sindac-Lebmeier. “Pensamos que estamos abençoando as pessoas, mas voltarei para casa ainda mais abençoada. As pessoas aqui são muito humildes. Aprendi muito. Deus me deu esta oportunidade para me ensinar sobre humildade e sobre depender somente Dele.”
Ao refletir sobre a experiência de pregar, ela acrescentou: “Eu não conseguia me imaginar fazendo isso, mas, durante 14 dias, precisei depender completamente de Deus. Toda vez que subo ao palco, sempre digo: ‘Senhor, assuma o controle. Já não sou eu. Não se trata da minha apresentação, mas de Ti.’ É uma experiência que nos ensina muita humildade.”
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão do Pacífico Sul, Adventist Record.





