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General Conference

Secretário da Associação Geral faz apelo para que líderes mantenham o foco na missão mundial

“Nossa missão se estende por todo o mundo, até que Jesus volte”, disse Rick McEdward.

16 de outubro de 2025

Estados Unidos

Marcos Paseggi, Adventist Review
Rick McEdward, secretário da Associação Geral, apresenta seu relatório ao Comitê Executivo da Associação Geral durante o Concílio Anual de 2025, realizado em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos.

Rick McEdward, secretário da Associação Geral, apresenta seu relatório ao Comitê Executivo da Associação Geral durante o Concílio Anual de 2025, realizado em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos.

[Foto: Peterson Fagundes]

Em outubro de 2024, Rick McEdward, então presidente da União do Oriente Médio e África do Norte, não participou do Concílio Anual. Com a guerra em andamento no Líbano, ele decidiu permanecer no local para coordenar a equipe de obreiros e instituições da igreja durante a crise. Um ano depois, McEdward — que foi eleito secretário da Associação Geral (AG) dos Adventistas do Sétimo Dia durante a Assembleia da AG em St. Louis, Missouri, em julho — apresentou o relatório da Secretaria aos membros do Comitê Executivo da Associação Geral (CEAG) na sede mundial da denominação, em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos, no dia 12 de outubro de 2025.

Junto com sua família, McEdward possui ampla experiência como missionário no exterior, tendo servido no Sri Lanka, na Divisão Sul-Asiática do Pacífico e no Oriente Médio.

“Junto com minha esposa e filhos, nossa dedicação tem sido servir a Deus nas áreas e entre os grupos de pessoas ainda não alcançados do mundo. Somos missionários”, afirmou antes de apresentar e agradecer à sua equipe na Associação Geral. Nas horas seguintes, membros da equipe da Secretaria da AG apresentaram estatísticas, relatórios e compartilharam experiências sobre a igreja e seu trabalho missionário — tanto no passado quanto no presente.

Hensley Moorooven, secretário adjunto da Associação Geral, fala durante o Concílio Anual de 2025. [Foto: Peterson Fagundes]

Crescimento em meio a desafios contínuos

David Trim, diretor do Escritório de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da Associação Geral, apresentou os números e tendências mais recentes sobre o crescimento da igreja. Enquanto 1,887 milhão de pessoas se tornaram membros adventistas do sétimo dia em 2024, quase 900 mil — ou mais de 4 em cada 10 — estão se afastando, informou ele.

“Nos últimos cinco anos, houve um total de 4.050.104 perdas vivas”, relatou. “Esses não são números para se celebrar... mas ainda assim há motivos para certo grau de satisfação, pois as revisões de membros estão acontecendo em todo o mundo... [e] agora temos uma visão mais realista das tendências de membresia”, disse.

Trim mencionou que a Igreja mundial continua enfrentando esse desafio. “Mas é um desafio não apenas para os líderes reunidos nesta sala, mas também para cada membro da igreja — para cada discípulo de Jesus — ser o guardião de seus irmãos e irmãs.”

Há outros números que ajudam a ilustrar melhor a situação atual e as tendências de crescimento, acrescentou Trim. Entre eles, a proporção entre população e membros, que passou de 350 para 341 no último ano (um avanço positivo), e o número de admissões (novos membros) por congregação, que está atualmente em 10,4, com grandes variações geográficas.

“Cada território da Igreja mundial experimentou crescimento... Mas, em algumas partes do mundo, o trabalho de compartilhar [o evangelho] é mais fácil do que em outras”, reconheceu.

Após revisar os números, Trim desviou o foco deles. “Contar batismos e membros é um meio, não um fim em si mesmo”, afirmou. “É uma forma de entendermos como estamos avançando em direção ao nosso objetivo maior: exaltar Jesus.”

David Trim, diretor do Escritório de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da AG, apresenta aos membros do Comitê Executivo os números e tendências mais recentes de membresia. [Foto: Peterson Fagundes]

Preparando pessoas dispostas para a missão

Após a apresentação de Trim, Oscar Osindo, diretor do Instituto de Missão Mundial (IMM), apresentou seu relatório sobre as atividades e conquistas do que chamou de “o braço de treinamento da Secretaria da Associação Geral”. O instituto tem como objetivo preparar missionários interculturais e fortalecer o testemunho missionário para um serviço eficaz, lembrou Osindo aos membros do CEAG.

Nos últimos 12 meses, as quatro sessões de treinamento realizadas em diferentes partes do mundo capacitaram 118 adultos e 67 crianças, com ênfase no serviço e na adaptação intercultural, relatou Osindo. Para apoiar aqueles que estavam retornando de missões, ele acrescentou que “três retiros de reentrada ofereceram o tão necessário acolhimento e apoio à transição a 73 adultos e 29 crianças”.

Segundo Osindo, o IMM também ampliou seu alcance ao oferecer seminários, podcasts e módulos de treinamento para voluntários adventistas, além de cursos online voltados a missionários em todo o mundo. “À medida que reconhecemos a urgência destes tempos e a proximidade da volta de Cristo, permanecemos comprometidos em cultivar a visão missionária, preparar obreiros interculturais e fortalecer o testemunho missionário para um serviço eficaz na seara de Deus”, afirmou.

Membros do CEAG recebem materiais da Missão Adventista durante o relatório da Secretaria. [Foto: Peterson Fagundes]

O poder do serviço voluntário

Elbert Kuhn, diretor do Serviço Voluntário Adventista (SVA), apresentou em seguida um relatório sobre o que chamou de “crescimento e expansão” do departamento responsável por coordenar o envio de voluntários ao redor do mundo.

Entre as principais conquistas, Kuhn destacou o crescimento das Escolas de Missão, que agora somam 296 unidades ativas em todo o mundo. “Esses centros missionários promovem tanto a formação espiritual quanto o treinamento prático, preparando voluntários para atuar nas áreas de educação, saúde, tecnologia, plantio de igrejas, mídia e trabalho humanitário”, explicou. “Eles se tornaram verdadeiras plataformas de lançamento para a missão.”

Kuhn também mencionou o que chamou de “uma tendência encorajadora”: o aumento de voluntários que se tornam missionários em tempo integral. “Muitos que começaram com um serviço de curto prazo agora abraçaram a missão como um chamado permanente, provando que o voluntariado é um dos caminhos mais fortes para o ministério de longo prazo”, afirmou.

O progresso, no entanto, não veio sem desafios, reconheceu Kuhn. Ele mencionou dificuldades políticas e logísticas, incluindo restrições de viagem e questões de imigração que afetam o envio internacional de voluntários. Mesmo assim, o SVA conseguiu se adaptar, “fortalecendo as oportunidades dentro das próprias divisões (ou seja, dentro da região do voluntário) e abrindo portas para o voluntariado digital. Mesmo quando as fronteiras se fecharam, a missão não parou”, declarou Kuhn.

Segundo Fylvia Fowler Kline, responsável pela principal plataforma de envio missionário, a VividFaith, o desafio atual é que o número de pessoas dispostas a servir é maior do que o de oportunidades disponíveis. “Durante o último ano, as designações cresceram, mas lacuna ainda é grande”, explicou, ressaltando que há “milhares de trabalhadores dispostos, mas sem lugar para servir.” Ela concluiu: “A tarefa diante de nós é clara — transformar necessidades em missão, onde o evangelho é compartilhado e a fé é vivida.”

Elbert Kuhn, diretor do Serviço Voluntário Adventista, apresenta um relatório sobre o crescimento e a expansão do envio de voluntários ao redor do mundo. [Foto: Peterson Fagundes]

Mission Refocus

O Escritório de Missão Adventista também faz parte da equipe da Secretaria. Gary Krause, diretor da Missão Adventista, lembrou aos membros do CEAG sobre a Missão Global, uma iniciativa de longa data da Igreja Adventista mundial voltada para o estabelecimento de novos grupos de crentes em áreas e entre povos ainda não alcançados. Essa missão é realizada por meio de projetos como os Pioneiros da Missão Global, Centros de Missão Global, Centros de Influência Urbana, entre outros.

Krause destacou a iniciativa Mission Refocus, voltada para alcançar três grandes “janelas” de desafio missionário: a janela 10/40 (região do mundo com a maior população e menor presença cristã); a janela pós-cristã (principalmente o ocidente secularizado); e a janela urbana (as grandes cidades do mundo).

Ele também mencionou diversos recursos disponíveis para aumentar a conscientização missionária, incluindo vídeos da série Mission Spotlight, um programa de TV, uma revista, os relatórios missionários trimestrais para as igrejas locais e publicações nas redes sociais.

Em seguida, Karen Porter, secretária associada da Associação Geral, apresentou um relatório sobre o avanço da iniciativa Mission Refocus, que envolve o envio e a recepção de missionários para as regiões mais desafiadoras do mundo, além do direcionamento estratégico de recursos para os locais onde há maior necessidade. “Mission Refocus não é apenas uma mudança estratégica; é um realinhamento espiritual”, afirmou Porter. “Trata-se de estar integrado para a missão — de alinhar intencionalmente nossas pessoas, nossos recursos e nossa visão com os lugares onde o evangelho é menos conhecido.”

Nesse novo contexto de prioridades, Porter reforçou que a igreja precisa de todos. “Precisamos da sua criatividade, da sua coragem e do seu compromisso. Porque quando focamos — quando nos tornamos verdadeiramente integrados para a missão — não estamos apenas realocando orçamentos. Estamos mudando a eternidade”, declarou. 

Gary Krause, diretor da Missão Adventista, fala sobre a Missão Global — uma iniciativa de longa data da Igreja Adventista mundial voltada para o estabelecimento de novos grupos de crentes em áreas e entre povos ainda não alcançados, por meio de projetos como os Pioneiros da Missão Global, Centros de Missão Global, Centros de Influência Urbana, entre outros. [Foto: Peterson Fagundes]

Foco na Janela 10/40

Na segunda parte do relatório da Secretaria, Rick McEdward concentrou sua apresentação na janela 10/40, que, segundo ele, é um desafio que “não desaparecerá até a volta de Jesus”. A magnitude dos desafios missionários nessa região é impressionante, explicou. “Ela abrange 69 países e 66% da população mundial, ou 5,4 bilhões de pessoas, em comparação com 2,8 bilhões no restante do mundo.”

Os membros adventistas na janela 10/40 representam apenas 12% do total mundial, o que equivale a 1 adventista para cada 1.946 habitantes, em contraste com 1 adventista para cada 135 pessoas no restante do mundo, informou McEdward. “É também a região que contém 11 países sem presença adventista oficial”, acrescentou.

Outro grande desafio na janela 10/40 são os grupos etnolinguísticos de grande porte que permanecem praticamente intocados pela pregação cristã. Há cerca de 200 milhões de pessoas em apenas cinco desses grupos que tiveram pouquíssimo ou nenhum contato direto com testemunhas cristãs. “Vamos trabalhar juntos para identificar e encontrar maneiras de compartilhar o amor de Deus em áreas de difícil acesso”, incentivou McEdward.

Relação com o Islamismo

McEdward também explicou que muçulmanos e cristãos juntos compõem 55% da população mundial. No entanto, o islamismo cresce mais rapidamente e possui uma proporção maior de jovens do que o cristianismo. Em algumas regiões da África, ambas as religiões estão se expandindo rapidamente, às vezes em competição direta.

Ele destacou a dificuldade de enviar missionários para países muçulmanos, devido às restrições existentes. “Esses países não são de fácil acesso para o envio de missionários, mas o fato de não ser fácil não significa que o testemunho seja impossível.”

Assim como os adventistas, os muçulmanos também têm uma visão missionária e esperanças escatológicas. McEdward sugeriu que a escatologia pode ser um ponto de conexão entre as duas religiões. “Para nós, adventistas, a escatologia é uma ponte pouco explorada que pode ajudar os muçulmanos a compreenderem quem somos e no que cremos”, disse.

Ele acrescentou que um número crescente de muçulmanos tem entrado em contato com a Bíblia por meio de aplicativos digitais, redes sociais e encontros pessoais — muitas vezes de forma privada. No entanto, para criar conexões significativas, os adventistas precisam superar cinco barreiras: o medo, a raiva, o desânimo (na missão voltada aos muçulmanos), a falta de conhecimento sobre sua língua e cultura, e a escassez de ferramentas ministeriais.

Apesar das dificuldades, McEdward compartilhou que o Espírito Santo está atuando em contextos muçulmanos, despertando muitas pessoas para uma busca espiritual mais profunda e abrindo corações para um novo entendimento de Deus. “Há necessidade de maior compreensão entre líderes cristãos e muçulmanos, o que pode ajudar a construir pontes de respeito e diálogo mútuos — e, ao mesmo tempo, permitir que os adventistas mantenham clareza sobre sua própria identidade”, concluiu.

Rick McEdward apresenta Anthony e Karina Stahl ao final de seu relatório aos membros do CEAG. [Foto: Peterson Fagundes]

Missão: Passado e presente

McEdward também explicou como o rosto da missão está mudando graças à iniciativa Mission Refocus, uma estratégia “que veio para ficar” e “continuará a crescer e se fortalecer com o apoio de todos”, afirmou. Segundo ele, essa nova abordagem “levou a Associação Geral a reformular completamente o processo de envio de missionários, fortalecendo o envio de plantadores de igrejas para locais estratégicos em todo o mundo”. Como resposta, “as divisões também se uniram, enviando trabalhadores para as três janelas missionárias”, relatou.

Até o momento, em 2025, a Igreja Adventista já enviou 33 famílias, somando 43 novos missionários e 114 crianças para 21 países. Além disso, há 58 chamados em andamento, com obreiros se preparando para seguir rumo a 33 nações, acompanhados de 77 filhos — totalizando aproximadamente 310 pessoas envolvidas na missão.

“Há 25 anos, era quase impossível encontrar um chamado missionário para trabalho pioneiro”, contou McEdward. “Agora, com a Mission Refocus, a Igreja está conseguindo enviar plantadores de igrejas para as áreas menos alcançadas do mundo” — algo que ele considera uma tendência extremamente positiva.

O objetivo, destacou, é que Mission Refocus passe a se basear em uma inteligência missionária mais precisa, um desenvolvimento estratégico mais robusto, um alinhamento mais eficaz da missão e as melhores práticas no envio de missionários.

Um estudo de caso

Na parte final do relatório, McEdward destacou o exemplo de Ferdinand e Ana Stahl, missionários no Peru entre 1909 e 1939. Uma foto antiga do casal foi usada para criar um vídeo com mediação por inteligência artificial, no qual, com base nos diários de Ana, o casal “recontava” suas memórias e experiências missionárias.

Após o vídeo, McEdward apresentou Anthony e Karina Stahl aos membros do CEAG. Anthony, presidente do Centro Médico Adventist HealthCare White Oak em Silver Spring, Maryland, é bisneto de Ferdinand e Ana Stahl. “Quando vejo os rostos deles e ouço suas vozes, a história ganha vida”, declarou Anthony. “Isso dá profundidade ao que eles realizaram.”

Anthony compartilhou ainda que seus bisavós são uma grande inspiração, pois “eram pessoas comuns que acreditavam em um Deus extraordinário”. Ele acrescentou: “Eles ansiavam de todo o coração pela volta de Jesus, e quero seguir os passos deles — esse desejo também arde no meu coração.”

McEdward encerrou fazendo um apelo aos membros do CEAG e a todos os que acompanhavam o relatório para que se lembrassem de que a missão adventista é global. “Nossa missão se estende por todo o mundo — até que Jesus volte.”

A versão original deste artigo foi publicada no site da Adventist Review. Visite o site oficial do Comitê Executivo da Igreja Adventista do Sétimo Dia para saber mais.

Marcos Paseggi, Adventist Review

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