Depois de 15 anos longe da sala de aula, Leila Souza, decidiu voltar a estudar. Aos 32 anos, almeja cursar Psicologia. No último domingo, 25, ela participou de um aulão gratuito de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Promovida pela Ação Solidária Adventista (ASA), a atividade foi realizada na Igreja Adventista Central de Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, e ofereceu 250 vagas para estudantes interessados em fazer a prova.
Para Leila, acompanhar as aulas depois de tanto tempo afastada dos estudos foi importante para retomar conteúdos. “Finalizei o ensino médio com 17 anos e estou retornando aos estudos. O conteúdo foi super importante.” Ela também destacou a dinâmica da programação e a condução dos professores. Segundo ela, mesmo após várias horas de atividades, conseguiu manter a atenção.

Além da revisão das disciplinas, os participantes receberam orientações sobre a lógica utilizada na elaboração das questões. “A gente está ali tentando fazer uma abordagem específica de como a prova cobra, não só o conteúdo, mas como a banca elaboradora da prova pensa”, afirmou Thiago Coelho, um dos professores voluntários.
A identificação de Coelho com a iniciativa vem da própria trajetória. Ele estudou em escola pública e também foi aluno de um cursinho comunitário. Anos depois, voltou ao mesmo projeto como professor, experiência que reforçou seu interesse por ações sociais voltadas ao ensino.
Para Mariana Ramos, idealizadora do projeto e uma das organizadoras, ver os estudantes atentos durante a programação foi um dos pontos mais significativos da atividade. “Minha sensação é de realização e de esperança de que realmente todos tenham a oportunidade de ingressar no ensino superior e transformar suas histórias por meio da educação”, afirmou.
As provas acontecem no dia 08 e 15 de novembro de 2026, em todo o território brasileiro e os candidatos podem usar essa nota para ingressar no ensino superior público e privado.

Como surgiu o projeto
Professora desde os 18 anos, Mariana tem grande apreço pela educação. Ela trabalhou em uma universidade, no setor responsável pelo ProUni e pelo FIES, programas públicos de financiamento universitário, onde acompanhou de perto a dificuldade e a alegria de muitos estudantes que sonhavam com uma vaga no ensino superior.
Ao decidir retomar os estudos, percebeu a desigualdade na preparação dos estudantes. “Eu tinha condições de pagar um cursinho caro, com excelentes professores”, relatou. Ela, porém, sabia que essa não era a realidade de muitos alunos das escolas públicas. “Foi dessa experiência que surgiu a ideia de criar um aulão gratuito para o Enem, oferecendo aos alunos uma oportunidade de revisão e preparação que muitos não poderiam pagar”.
O aulão está em sua segunda edição e já apresenta resultados positivos. Mariana conta que, na edição anterior, um pai de família que havia concluído o ensino médio há anos participou do projeto porque não tinha condições de pagar um cursinho. Pouco depois, ela recebeu a notícia de que ele havia sido aprovado em uma instituição pública de ensino superior para cursar Engenharia de Produção.
Para Mariana, o projeto também tem um significado pessoal. Filha de uma ex-empregada doméstica e de um chaveiro, ela estudou em escolas públicas e particulares e atribui à educação boa parte de suas conquistas profissionais. “Eu também lutei para conquistar meu espaço. Agora, quero ajudar outros estudantes a conquistar o deles”, declarou.
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão Sul-Americana em português.
![O evento foi aberto para toda a comunidade e divulgado na mídia local. [Foto: Rafael Oliveira]](https://images.hopesoftware.org/resize/L3c6MTkyMCxxOjc1L2hvcGUtaW1hZ2VzLzY1ZTcxMzAxZjY1NTI4MWE1MzhlZDM3My9hbVcxNzkzMjMxNjkwMTk3LmpwZWc/w:1920,q:75/hope-images/65e71301f655281a538ed373/amW1793231690197.jpeg)






