Há um ano, Manuel Baena era considerado um perigo para a própria família. Depois de 28 anos de dependência química, chegou ao ponto de tentar incendiar a própria casa. Sua mãe, uma fiel adventista do sétimo dia, nunca deixou de orar por ele.
Quando os voluntários do ministério Un Pan de Amor (Um Pão de Amor) ouviram sua história, não hesitaram em agir. A partir das cinco horas da manhã, eles passaram a visitá-lo, um após o outro — conversando com ele, orando ao seu lado e lembrando-o de que Deus ainda podia transformar sua vida.
“Foi naquele momento que senti Deus falando comigo através deles”, recorda Baena. “Ele me disse que era minha última oportunidade.”
No mesmo dia, ele foi internado em um centro de reabilitação.
“O processo foi cheio de obstáculos”, conta Yajaira Fuentes, fundadora do Um Pão de Amor. “No hospital, enfrentamos médicos que não entendiam que aquilo não era apenas uma crise humana, mas uma batalha espiritual. Oramos e cantamos ali mesmo, e Deus realizou o milagre.”
Hoje, Baena está livre das drogas, restaurado e ativo em sua igreja local. “Depois de Deus, o ‘Um Pão de Amor’ foi tudo para mim”, ele compartilhou. “Aqui eu recuperei minha vida e o desejo de ser um exemplo para minha família.”
Um ministério que nasceu da oração e da necessidade da comunidade
A iniciativa começou em um domingo de 2024, durante um culto de jejum e oração na Igreja Adventista do Sétimo Dia do bairro La María, no setor de Los Corales, em Cartagena, Colômbia. Naquele dia, enquanto estudavam a lição da Escola Sabatina, Fuentes conta que Deus colocou em seu coração um peso especial. Ela era comunicadora social, professora da rede pública e membro ativa da igreja, e estava acompanhada de seu marido, Daniel Senior, e da enfermeira Nelcy Pérez.
“Entendemos que a igreja precisa ser um centro de influência”, disse Fuentes. “Víamos pessoas com grandes necessidades passando em frente ao nosso templo, e sabíamos que Deus estava nos mostrando nossa missão.”
Com o pouco que tinham, um biscoito, um copo de aveia e um coração disposto, eles começaram a servir, conta ela. Todos os sábados, a partir das seis da manhã, montavam tendas em frente à igreja para oferecer alimentos, banho, roupas limpas e oração.
O pastor Fabián Blanco, líder do Distrito Norte de Cartagena, conhece de perto a realidade enfrentada por muitos beneficiários.
“Um dia eu também estive preso no mundo das drogas, do crime e das gangues”, compartilhou. “Como eu gostaria que a minha igreja local, naquela época, tivesse uma fundação como Um Pão de Amor. Minha recuperação psicológica, emocional, física e espiritual certamente teria sido mais rápida.”
Para Blanco, esse ministério é uma resposta divina a uma necessidade urgente.
“A Fundação Um Pão de Amor é uma grande bênção para o cumprimento da missão. Por meio dela, podemos alcançar uma população vulnerável, discriminada e marginalizada — não apenas com o evangelho de Jesus Cristo, mas também com o evangelho das boas obras”, disse Blanco.
Ele destacou que a combinação de profissionais adventistas, psicólogos, professores, advogados e enfermeiros, com o poder do Evangelho tem produzido frutos notáveis.
“Mais de dez jovens foram batizados graças a esse trabalho. Por isso, incentivo toda a igreja a orar e apoiar esse ministério, para que, como um grão de mostarda, ele cresça e se expanda do distrito para a associação, a união e a divisão.”
Servindo dezenas a cada semana
Com o passar dos meses, o Um Pão de Amor tornou-se uma fundação legalmente registrada. Hoje, atende entre 30 e 35 pessoas em situação de vulnerabilidade por semana. Profissionais adventistas voluntários oferecem aconselhamento, apoio e oração.
O projeto já ajudou diversos beneficiários a retornar aos estudos, conseguir emprego ou iniciar processos de reabilitação. Até o momento, oito pessoas decidiram declarar publicamente sua fé em Jesus por meio do batismo, informaram os organizadores.
Entre as histórias mais comoventes está a de Rubén Darío, um jovem cujo coração e corpo foram profundamente afetados pelas drogas e por uma deficiência física.
“Ele morreu em paz, acompanhado e com dignidade”, lembra Fuentes. “Não pudemos salvar seu corpo, mas sua alma descansou em esperança. Isso também é redenção.”
Sonhando com um lar, uma padaria e um centro de atendimento
Mesmo com recursos limitados, a fundação continua sonhando. Atualmente, busca financiamento para adquirir uma casa própria que funcione como um centro de atendimento completo e para estabelecer uma padaria comunitária, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem (SENA). A padaria ofereceria capacitação profissional e oportunidades de emprego para aqueles que desejam recomeçar.
“Nosso lema é Salvação e Serviço”, explicou Senior. “Acreditamos que ajudar os necessitados é a melhor preparação para encontrar nosso Senhor.”
Fuentes sonha em criar um Centro Adventista de Reabilitação Integral, um espaço que una apoio espiritual, profissional e educacional.
“A Igreja Adventista tem escolas, hospitais e universidades, mas também precisamos de um lugar para curar as feridas invisíveis da dependência”, afirmou.
Sua convicção se resume nas palavras de Jesus: “Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40).
Para Fuentes, cada copo de aveia, cada oração e cada abraço é uma semente para a eternidade.
“O Reino dos Céus também é para os dependentes, para os esquecidos, para aqueles que ninguém quer ver. No Um Pão de Amor, vimos que o amor de Cristo ainda quebra correntes”, disse Fuentes.
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Interamericana.











