O que começou em 2015 como um encontro de presidentes de associações e diretores de evangelismo para compartilhar boas práticas cresceu e se tornou um evento anual que reúne pastores, anciãos e líderes da igreja de toda a Divisão Norte-Americana (DNA).
Neste ano, pela primeira vez, o encontro também incluiu 25 estudantes de teologia, refletindo o foco crescente da DNA em preparar líderes da nova geração. De 23 a 25 de fevereiro de 2026, quase 500 participantes se reuniram em Houston, no Texas, para o maior eHuddle já realizado. Durante o evento, eles acompanharam apresentações curtas e de alto impacto que destacaram iniciativas de evangelismo que já estão dando resultados, além de projetos planejados para gerar impacto contínuo.
Os temas abordados em sete sessões em inglês incluíram visão, o evangelho de Jesus e a atuação do Espírito Santo; evangelismo motivado pela compaixão, evangelismo por meio da mídia, pequenos grupos missionários, plantio de igrejas e outras boas práticas.
Entre os modelos criativos de alcance apresentados estava o Saturday Café, realizado na casa de Roberson e Thaksheela Dorelus, em Alberta, no Canadá; o Church Under the Bridge, ministério liderado pelos pastores leigos Geraldo e Mandy Alonso, que oferece alimentos, roupas, chuveiros móveis e serviços de lavanderia para pessoas em situação de rua em San Antonio; e pequenos grupos online iniciados por Deidre Rivera-Martin, em Arlington, no Texas.
O poder dos pequenos grupos missionais
Na sessão de abertura, José Cortés Jr., diretor associado de evangelismo da DNA, apresentou uma nova iniciativa para estabelecer 50 mil pequenos grupos missionais em toda a divisão até 2030.
A iniciativa, desenvolvida por recomendação do conselho consultivo de evangelismo pastoral em 2025, inspira-se no relato bíblico da igreja primitiva, quando a colheita do Pentecostes foi seguida por crentes que se reuniam em casas para partir o pão e crescer juntos.
“Isso ajudaria a levar pessoas a Jesus”, disse Cortés, “porque é mais fácil levar um amigo a Jesus do que levar um completo desconhecido.”
Além de apoiar os esforços evangelísticos, disse Cortés, os pequenos grupos podem promover uma comunidade autêntica, fortalecer a permanência dos recém-batizados, melhorar a frequência, aprofundar o discipulado intencional, desenvolver liderança, impulsionar a revitalização e multiplicar igrejas.
Os apresentadores compartilharam histórias de experiências com pequenos grupos e ofereceram orientações práticas sobre como estruturá-los para alcançar sucesso a longo prazo.
Jonathan Burnett, pastor de Chicago, relatou seu desânimo após um treinamento de pequenos grupos que ele acreditava ter fracassado. Sem que ele soubesse, uma das oito participantes havia iniciado um pequeno grupo em seu local de trabalho. Embora nenhum dos participantes fosse adventista, eles começaram a se reunir todos os sábados à tarde na casa dela e depois convidaram Burnett para participar.
“Quando entrei naquela sala”, contou aos participantes do eHuddle, “senti como se o livro de Atos ganhasse vida.”
“Descobri que o Espírito de Deus não é limitado pelas minhas limitações”, acrescentou. “Na verdade, é nas minhas fraquezas que a força dEle se aperfeiçoa.”
Confiando em Deus em meio aos desafios
Em uma sessão sobre plantio de igrejas, a família Cancino também compartilhou os desafios enfrentados após se mudar para os Estados Unidos para atender a um chamado no estado de Washington.
“A única matéria à qual eu não prestei muita atenção foi o inglês, porque achei que nunca iria usá-lo”, disse Juan Cancino, filho universitário que leva o mesmo nome do pai, que é pastor.
“Estávamos enfrentando dificuldades, especialmente com o idioma”, disse Juliena Cancino, filha universitária da família. “Sentíamos que não pertencíamos ali, e a barreira do idioma era muito grande.”
Quando os filhos expressaram frustração por aprender inglês, os pais responderam: “Vocês vão aprender esse idioma e dedicá-lo a Deus.” Em seguida, a família orou junta.
Com o filho atuando como tradutor, o pastor adventista Juan Cancino relatou sua decepção ao descobrir que pastorearia igrejas menores do que esperava. Ele decidiu dedicar-se à oração e começou a visitar os membros. Com o tempo, as congregações cresceram.
Mais tarde, quando a família sentiu o chamado para alcançar hispânicos de segunda geração, enfrentaram novamente um desafio.
“Estávamos tão envolvidos em nossas comunidades hispânicas que não falávamos inglês”, disse Carly Cancino por meio da tradução da filha. “Como abriríamos uma igreja bilíngue se não falávamos inglês?”
“Lembramos da oração ousada que fizemos quando dissemos que consagraríamos esse idioma ao Senhor”, disse Carly. “E agora [nossos filhos] estão pregando em inglês!”, afirmou, observando que traduzir os sermões dos pais os treinou como pregadores.
“Veja o que Deus fez conosco”, acrescentou o jovem Juan. “Nunca imaginamos aprender esse idioma, e agora Ele está usando essa nova língua que nos deu como parte de Seu ministério.”
O tema de confiar em Deus em meio aos desafios também apareceu em várias outras apresentações.
Os participantes se emocionaram com a jornada de Naraya Omar no ministério após superar a perda dos pais, gravidez na adolescência, divórcio, dependência química, desafios de saúde mental e um período de afastamento espiritual. Depois de explorar outras religiões, ela sentiu um chamado de volta à fé e à missão que seu pai — um convertido que plantou cinco igrejas — havia transmitido a ela.
Quando sua igreja de origem a rejeitou, ela disse: “O próprio Deus me encontrou.” Ao decidir dar “mais uma chance” ao adventismo, visitou uma nova igreja em processo de plantação, chamada BELOVE, em Washington, D.C. Inspirada pelo ambiente acolhedor, ela e uma amiga iniciaram o Safe Haven, um pequeno grupo para jovens adultos, “excluídos como nós”, no norte da Virgínia. Vários participantes do grupo aceitaram a Cristo e hoje discipulam outras pessoas. O Safe Haven tornou-se o BELOVE Nova, uma congregação liderada pela pastora Joanne Cortés, da BELOVE.
Hoje, Omar é anciã ordenada e pastora leiga em tempo integral na BELOVE Nova e está concluindo seu mestrado para se tornar pastora. “Aprendi que Deus usa qualquer pessoa, limpa ou impura, jovem ou idosa, homens e mulheres”, concluiu.
Evangelismo e compaixão
Em outra apresentação, Ray Valenzuela e Doug Cross, pastores na região de Minneapolis, Minnesota, compartilharam como sua igreja respondeu às recentes ações de fiscalização relacionadas à imigração. Voluntários logo se mobilizaram para apoiar as famílias afetadas com alimentos e outros itens essenciais.
À medida que o número de famílias em busca de ajuda aumentava, Valenzuela perguntou a Deus como a igreja, que não possuía um banco de alimentos adequado, poderia atender à necessidade. A resposta veio por meio de generosas doações de igrejas e grupos comunitários.
Várias pessoas que receberam ajuda solicitaram Bíblias e pediram para se conectar com uma igreja. A história foi uma entre muitas que demonstraram que o evangelismo e os atos de compaixão são inseparáveis.
Participantes do eHuddle disseram ter apreciado a transparência dos palestrantes, que compartilharam tanto vitórias quanto dificuldades.
“Podemos aprender com os erros e também com as vitórias deles”, disse Abraham Guerrero, pastor de Oklahoma. “Trata-se mais do que as pessoas estão fazendo do que do que os livros dizem.”
Christelle Agboka também contribuiu para este artigo. A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Norte-Americana.










