Aos 18 anos, Luz Esmeralda de León chegou à Universidade de Montemorelos (UM) — uma instituição adventista no norte do México — determinada a estudar medicina e servir a Deus por meio da área da saúde. Por trás de seu sorriso e determinação está uma trajetória marcada por milagres, dificuldades e uma fé que levou toda a sua família a sacrificar tudo em apoio ao seu sonho.
Essa determinação remonta à época em que, aos 13 anos, de León foi diagnosticada com um tumor cerebral. Os médicos não deram esperança. Após a cirurgia, ela permaneceu inconsciente por 10 dias e, quando finalmente despertou, mal conseguia se mover.
“Disseram que ela nunca mais andaria ou falaria”, relembra sua mãe, Lucinda González. “Mas, como família, colocamo-nos nas mãos de Deus. Oramos e jejuamos, pedindo forças e que a vontade d’Ele fosse feita.”
A recuperação foi lenta e dolorosa, mas, contra todas as previsões, de León conseguiu dar os primeiros passos apenas três meses depois. Submeteu-se à quimioterapia e à radioterapia, e os especialistas afirmavam que dependeria de uma válvula para sempre. No entanto, certo dia, os médicos constataram que a válvula havia secado por completo e já não era mais necessária.
“O neurocirurgião me disse: ‘Tive uma surpresa — sua filha está bem’”, relembra Lucinda, emocionada. Para a família, não havia dúvida de que se tratava de um milagre de Deus.
A experiência deu um novo rumo à vida de de León. Mais próxima de Deus, ela descobriu também uma vocação na ciência e na saúde. Decidiu, então, estudar em uma escola adventista, mesmo sabendo que isso exigiria um grande esforço dela e de suas irmãs: sair do rancho às 4h da manhã, caminhar até o transporte, chegar a tempo das aulas e só voltar para casa ao anoitecer.
No meio dessa rotina exaustiva, de León descobriu uma paixão pela química. Somada à experiência que havia vivido no hospital, essa afinidade despertou nela a decisão de seguir a medicina. Hoje, seu maior objetivo é tornar-se neurocirurgiã para ajudar pessoas que enfrentam o que ela mesma já superou.
Realizar esse sonho, porém, não seria simples. Para sua humilde família trabalhadora em Chiapas, isso representava um enorme sacrifício.
“Não somos profissionais — meu marido é agricultor e eu sou dona de casa”, explica sua mãe. “Quando ela me disse que queria estudar na Universidade de Montemorelos, respondi: ‘Filha, se chegamos até aqui pela fé, também chegaremos lá.’”
Com nada além da passagem de ônibus e a confiança em Deus, Lucinda partiu para Nuevo León com de León e suas duas filhas mais novas, incluindo um bebê de apenas um ano de idade.
Chegaram à UM sem conhecer ninguém, mas com a certeza de que o mesmo Deus que as havia sustentado durante a doença abriria portas nessa nova etapa. O marido e a outra filha planejam juntar-se a elas em breve para continuar apoiando de León em sua formação.
Hoje, como estudante do primeiro ano de medicina, de León olha para frente com esperança: “Sou grata aos meus pais, pois eles deixaram tudo para me apoiar. Sei que não é fácil, mas Deus está no controle. Quero me formar em medicina, servir ao próximo e compartilhar a mensagem da fé. Sempre digo: se Deus começa uma obra, Ele nunca a deixa inacabada — Ele a completa.”
De León e sua família sabem que ainda enfrentarão desafios, mas permanecem firmes no mesmo Deus que realizou um milagre em sua vida. Sua história está apenas começando, mas já se apresenta como um testemunho que inspira outros a acreditarem que a fé pode transformar sonhos em realidade.
Lisandra Vicente e Brenda Cerón contribuíram para este artigo.
A versão original deste artigo foi publicada no site de notícias da Divisão Interamericana. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.






