A Igreja Adventista no Sul de Luzon (MSL), nas Filipinas, escritório regional da Igreja Adventista do Sétimo Dia na região de Bicol, celebrou seu centenário desde sua organização oficial em fevereiro de 1926 por meio de um encontro comemorativo de quatro dias, realizado de 25 a 28 de fevereiro de 2026, reunindo obreiros, convidados e membros de toda a região.
Os primeiros anos da Missão do Sul de Luzon
Ao celebrar um século da fidelidade de Deus, a missão também relembrou seus começos humildes.
As bases do trabalho adventista na região de Bicol remontam a antes de 1926, quando o território ainda estava sob a administração da Associação Centro-Sul de Luzon. Em 1924, a região foi separada de sua associação de origem para fortalecer os esforços evangelísticos na parte mais ao sul de Luzon.
Com apenas três igrejas (Matnog, Bulan e Magarao) e um total de 80 membros, a obra em crescimento lançou os fundamentos para o que em breve se tornaria uma missão organizada.
Em 2 de fevereiro de 1926, durante a 42ª reunião do Comitê Executivo da União Filipina, a Missão do Sul de Luzon foi oficialmente estabelecida, tornando-se a terceira missão da então União Norte das Filipinas. Ela abrangia as províncias de língua bicolana, Camarines Norte, Camarines Sur, Albay e Sorsogon, além das ilhas de Ticao e Burias, com sede em Albay.
Em 1929, apenas três anos após sua organização, o progresso da obra já era evidente. O número de membros cresceu de 80 para 350, enquanto o número de igrejas aumentou de três para onze. À medida que a obra se expandiu, o escritório da missão foi transferido de Albay para Legazpi. Em junho de 1967, um novo escritório da missão foi inaugurado no terceiro andar da Escola Primária Adventista do Sétimo Dia de Legazpi.
Hoje, a Missão do Sul de Luzon conta com 24.220 membros em 216 congregações, um testemunho da contínua direção de Deus ao longo dos anos.
Participante mais idoso compartilha sua história
Entre os presentes estava Dulcisimo Gonzales, de 92 anos, de Catanduanes, um dos participantes mais idosos. Apesar da idade, mostrou-se lúcido e falou com clareza. Sua história remonta aos primeiros anos da igreja, quando os fiéis se reuniam em casas por ainda não haver templos. Ele relembrou que, ainda criança, acordava por volta das 4h da manhã para estudar a Bíblia com a família e contou que, em 1954, foi batizado por meio do trabalho dos colportores.
Ao relembrar o passado, ele contou que, na década de 1960, havia apenas 26 igrejas na região de Bicol, em comparação com as muitas congregações existentes hoje. Ainda assim, apesar dos recursos limitados na época, os membros apoiavam ativamente o trabalho evangelístico, muitas vezes com recursos próprios.
Para Gonzales, a fé começa no lar, sendo cultivada por meio do culto em família, da leitura da Bíblia, do envolvimento pessoal e de uma experiência crescente com Deus. Seu apelo aos membros mais jovens da igreja é simples: fortalecer a fé, fazer discípulos e cuidar daqueles que foram recém-batizados.
Sua presença na celebração tornou-se, por si só, um testemunho. Poucos dias antes do evento, ele sofreu um acidente de motocicleta e teve um ferimento na cabeça, além de dores nas costelas, o que o deixou desanimado ao pensar que talvez não pudesse participar após tantos anos de serviço fiel como membro da igreja, incluindo seu trabalho como colportor e líder leigo de distrito.
Em oração, pediu a Deus por cura e, pela graça divina, começou a se recuperar, o que lhe permitiu participar da celebração ao lado da esposa.
A unidade dos membros é a força da MSL
Edgardito Franche, pastor aposentado da MSL, expressou alegria ao ver o crescimento da missão ao longo dos anos. Ele incentivou os obreiros mais jovens a manter o mesmo espírito dos pioneiros, com disposição, compromisso e fidelidade no serviço, mesmo quando isso exige sacrifício.
Ele destacou que a missão avança com mais eficácia quando os membros estão envolvidos, observando que o crescimento desacelera quando a participação é limitada, mas se intensifica quando todos participam. Para ele, a força da Missão do Sul de Luzon está na unidade de seus membros.
Ele acrescentou que essa unidade é fortalecida pela confiança dos membros na liderança. Segundo ele, o crescimento da missão e o forte apoio observado nos últimos anos estão diretamente ligados a essa confiança. Também expressou apreço pela liderança atual, observando que, quando os líderes têm uma base espiritual sólida, os membros se mostram mais dispostos a apoiar e a participar ativamente da obra.
Essa unidade também ficou evidente na forma como os membros apoiaram a própria celebração.
Renante Bareja, secretário da Missão do Sul de Luzon, compartilhou que ficou profundamente tocado com o amplo apoio dos membros da igreja. Apesar dos recursos limitados, muitos contribuíram voluntariamente, oferecendo seus próprios equipamentos, auxiliando nas necessidades técnicas e até fornecendo combustível durante atividades de alcance comunitário, como o corte de grama.
A missão vivida na comunidade
A celebração se estendeu além da igreja e alcançou a comunidade.
O evento começou com uma grande carreata, com a participação de cerca de 2.000 membros da igreja e aproximadamente 400 veículos e motocicletas, percorrendo as principais vias da cidade de Legazpi. A mobilização permitiu que a população acompanhasse a celebração e serviu como uma expressão visível da presença da igreja na cidade.
Uma corrida das cores, com a participação majoritária de jovens, também fez parte da programação, acrescentando uma expressão vibrante e dinâmica do envolvimento da nova geração.
Esse engajamento continuou com uma ampla distribuição de literatura, com aproximadamente 3.700 livros entregues em locais estratégicos, como terminais rodoviários, o capitólio provincial, a prefeitura, centros comerciais, parques públicos e até mesmo uma igreja católica.
Em seguida, foi realizado um programa comunitário de alimentação, que atendeu cerca de 250 pessoas por meio do trabalho dos ministérios femininos e da associação de esposas de pastores.
Também foi promovida uma ação de saúde, oferecendo atendimentos gratuitos à comunidade. Entre os serviços estavam consultas oftalmológicas, odontológicas, cardiovasculares, clínicas gerais e pediátricas, beneficiando 514 pessoas e levando cuidado prático a quem necessitava.
Dentro do local do evento, a celebração contou com uma programação completa que destacou os talentos dos membros da igreja por meio de músicas, apresentações e expressões criativas, tudo oferecido em gratidão e louvor a Deus.
O impacto do trabalho da igreja também foi reconhecido por líderes locais.
O governador de Albay, Noel Rosal, parabenizou a Igreja Adventista e destacou sua contribuição significativa para a comunidade, especialmente na promoção da saúde e do bem-estar. Ele observou que a cidade de Legazpi foi reconhecida pelo Departamento de Saúde por três anos consecutivos como unidade modelo de governo local em sua campanha antitabagismo, um resultado alcançado, em parte, com o envolvimento ativo e o forte apoio da Igreja Adventista.
No âmbito municipal, o governo local também reconheceu a contribuição da igreja por meio de um representante do prefeito, destacando a Igreja Adventista como uma parceira constante na promoção de lares saudáveis e comunidades fortes.
Essa parceria também se evidenciou quando a cidade cedeu gratuitamente o Centro Recreativo Ibalong para a realização do evento, permitindo à igreja economizar recursos.
O culto reúne grande público
Entre os destaques da celebração esteve um culto de pôr do sol intitulado “Enfim no Céu”. Os membros da igreja vieram vestidos de branco, representando o dia em que o povo de Deus finalmente estará no céu. Foi uma cena marcante, repleta de cânticos, mensagens de esperança e um renovado chamado ao envolvimento na missão, para que um dia todos possam ir para o lar celestial preparado por Jesus.
O culto de sábado reuniu cerca de 7.000 membros. O salão, com capacidade para 5.000 pessoas, ficou lotado além do limite, com assentos adicionais organizados para acomodar membros de toda a região de Bicol.
Durante a Escola Sabatina, o ex-presidente da Missão do Sul de Luzon, Apolonio Panganiban, e sua esposa também foram convidados a falar sobre os desafios ao crescimento da igreja. Apesar das limitações físicas da idade, sua presença refletia seu compromisso duradouro com a missão. Em sua resposta, destacaram a complacência espiritual, caracterizada por uma fé morna e pela negligência do estudo pessoal da Bíblia, como um dos maiores perigos para o crescimento da igreja.
Eliseo Garrado, que serviu como presidente da Missão do Sul de Luzon durante a pandemia, compartilhou como a missão atravessou aquele período difícil. Ele enfatizou que não foram estratégias humanas, mas Deus quem os conduziu.
“Somente Deus foi a nossa estratégia”, afirmou. O que começou como uma iniciativa de dez dias de oração cresceu e se tornou um movimento contínuo: dez dias se tornaram vinte, depois cinquenta, até se estender ao longo de todo o ano.
Ele acrescentou que foi durante esse período de oração que a missão conseguiu quitar sua dívida com a união, mesmo partindo de uma situação financeira negativa.
O presidente da Missão do Sul de Luzon, Joven Hitosis, reforçou essa ênfase, destacando a oração como a força que sustenta a missão.
“A oração é o que sustenta a obra: mais tempo de joelhos e mais oração”, disse.
Durante o segundo culto, Arden Perdon, ex-diretor de Educação da Missão do Sul de Luzon, destacou a importância da unidade dentro da igreja. Ele incentivou os membros a praticarem humildade, paciência e disposição para ceder em favor da harmonia, ressaltando a necessidade de os crentes trabalharem juntos em unidade.
Mais do que isso, desafiou a congregação a fazer de Jesus não apenas o Salvador, mas também o Senhor de suas vidas. Quando Cristo se torna Senhor, explicou, nossa vida passa a refletir Seu caráter.
“Quando o eu é deixado de lado e Cristo é exaltado, Seu caráter se torna mais evidente, e Seu povo começa a brilhar.”
Planos futuros para um novo escritório da missão
Líderes da Missão do Sul de Luzon apresentaram o plano de construção de um novo escritório da missão em Maticol, na cidade de Legazpi, Albay.
Segundo os líderes, esse projeto faz parte da visão da missão há muito tempo e se tornou cada vez mais urgente. O escritório atual está em uso há quase 60 anos e já se tornou pequeno, congestionado e sujeito a inundações.
A Missão do Sul de Luzon pretende concluir a construção antes do fim do quinquênio atual. Os membros da igreja têm demonstrado apoio ao projeto, e a liderança permanece confiante de que, com a orientação de Deus e o esforço coletivo, o plano será concretizado.
Ao marcar um século da fidelidade de Deus, a Missão do Sul de Luzon entende que a celebração vai além de uma lembrança do passado. Ela aponta para uma missão que continua, conduzida por um povo unido na fé, firmado na oração e na Bíblia e comprometido em compartilhar esperança com outros.
O artigo original foi publicado no site de notícias da Missão do Sul de Luzon.









