O fortalecimento do trabalho das secretarias como parte essencial da missão da Igreja esteve no centro de uma capacitação de quatro dias, que reuniu secretários executivos de toda a Divisão Interamericana (DIA) em sua sede, em Miami, Flórida, Estados Unidos, de 2 a 5 de agosto.
Por meio de apresentações, oficinas e discussões em pequenos grupos, os secretários executivos das uniões abordaram temas como governança, regulamentos, gestão de membros, administração de registros, planejamento estratégico, procedimentos e outras responsabilidades. Eles também compartilharam abordagens práticas que poderão aplicar em seus respectivos territórios.
Gerson Santos, secretário associado da Associação Geral (AG), afirmou que a Divisão Interamericana é a primeira divisão mundial a iniciar a capacitação oferecida pela recém-lançada Academia de Secretariado da AG.
“Este é um evento histórico”, declarou Santos, explicando que o programa mundial havia sido lançado apenas alguns dias antes. “A região interamericana está iniciando a primeira capacitação da Academia.”
Desenvolvimento de competências para a missão
Selom Sessou, secretário associado da AG e coordenador da Academia de Secretariado da AG, explicou que a iniciativa busca suprir a necessidade de preparo especializado entre os secretários executivos, muitos dos quais assumem a função após anos de atuação no ministério pastoral ou evangelístico.
“Percebemos que existe uma lacuna”, afirmou Sessou. A Academia de Secretariado foi criada para desenvolver “o conhecimento e as competências necessários para desempenhar a função com confiança e precisão”, além de promover maior eficiência, organização, gestão do tempo e capacidade de solucionar problemas.
Durante os quatro dias do evento, os participantes receberam capacitação sobre a função do secretário executivo, regulamentos eclesiástico-administrativos, procedimentos, planejamento estratégico, chamados e seus respectivos processos, relatórios das uniões, avaliação da secretaria, interpretação de dados estatísticos, gestão de registros, plantio de igrejas, Serviço Voluntário Adventista, VividFaith, além de sistemas e recursos para o trabalho das secretarias nos campos locais e nas igrejas.
O currículo básico mais amplo da Academia é composto por sete módulos e 34 lições. Os conteúdos abrangem os fundamentos espirituais da secretaria, governança e gestão de comissões, cumprimento dos regulamentos e das constituições, gestão de membros e discipulado, administração de registros e arquivos, além da missão da secretaria.
Segundo Sessou, a Academia de Secretariado foi criada para oferecer um ambiente de aprendizagem contínua, no qual os líderes possam seguir desenvolvendo as competências necessárias à medida que as demandas administrativas e ministeriais evoluem.
Um agente da missão
A responsabilidade espiritual dos líderes de secretaria também foi enfatizada ao longo do encontro.
Durante uma mensagem devocional, Santos lembrou aos participantes que os líderes da Igreja devem manter o compromisso com o crescimento contínuo. “A liderança da igreja de Deus não é um destino, mas uma jornada de constante crescimento”, afirmou. Ele destacou que preservar a unidade, a integridade e a missão da Igreja exige tanto desenvolvimento profissional quanto uma vida fundamentada em Cristo.
Pierre Caporal, secretário executivo da DIA, reforçou essa perspectiva no devocional “Mais que um Escriba”, apresentado em 5 de agosto.
Com base na relação bíblica entre Jeremias e Baruque, Caporal mostrou como as habilidades profissionais de Baruque foram fundamentais para preservar e transmitir a mensagem que Deus havia confiado a Jeremias. Ele desafiou os secretários executivos a reconhecerem uma relação semelhante entre suas responsabilidades e seu chamado.
“As pessoas podem ver em você apenas um escriba ou um secretário executivo, mas Deus vê em você um agente da missão”, afirmou Caporal.
“Consagremos todas as nossas habilidades, nosso profissionalismo e nossa influência à missão de Deus”, acrescentou.
Caporal também destacou a responsabilidade compartilhada entre os administradores da Igreja. “O presidente não recebeu uma missão diferente da que foi confiada ao secretário, e vice-versa”, afirmou. “O secretário executivo recebeu a mesma missão.”
Levando a estratégia a toda a região interamericana
Segundo Álvaro Niño, subsecretário da DIA, a Academia de Secretariado permite traduzir esse foco na missão em práticas mais eficientes para as secretarias de todo o território.
“A Secretaria da Associação Geral apresentou seu plano estratégico, e agora estamos dando continuidade a ele”, explicou Niño. A DIA está levando a estratégia às uniões para que elas, por sua vez, a compartilhem com os campos locais. A iniciativa busca formar líderes fundamentados nas Escrituras, focados na missão e preparados para cumprir suas responsabilidades com eficiência.
Niño explicou que os organizadores optaram por ir além do formato tradicional de palestras. Os participantes trabalharam em pequenos grupos que reuniam secretários experientes e outros mais novos na função. Assim, puderam analisar situações reais, fazer perguntas e compartilhar soluções.
“Queríamos que os próprios secretários executivos participassem do processo”, afirmou Niño. “Não queríamos apenas aulas, mas também oficinas.”
Essa abordagem é especialmente relevante diante das transições de liderança que levam novos secretários executivos à função. Segundo Niño, em uma única união, nove dos 11 secretários executivos dos campos locais foram substituídos recentemente, o que reforça a necessidade de orientação estruturada e desenvolvimento profissional.
“Uma das razões para a criação da Academia de Secretariado é oferecer um programa de capacitação contínua”, explicou Niño.
Para dar continuidade à iniciativa, a DIA planeja realizar sessões regulares de acompanhamento, de preferência todos os meses, além de promover edições presenciais anuais da Academia de Secretariado. Os secretários executivos das uniões também deverão levar a capacitação aos campos locais e, posteriormente, aos secretários das igrejas, responsáveis pela origem de grande parte das informações sobre os membros da denominação.
Enxergar pessoas, não números
Para Niño, informações precisas devem, em última análise, contribuir para que os membros recebam um cuidado melhor. Por trás das estatísticas da Igreja, “há um rosto, uma história, uma pessoa”, afirmou. Os dados dos membros podem ajudar os líderes a fortalecer o cuidado pastoral, melhorar a retenção, restabelecer o contato com aqueles que se afastaram e preparar os membros ativos para servir por meio do discipulado.
Daniel Polanco, secretário da União Dominicana, apresentou como exemplo o processo de revisão redentiva de membros adotado pela instituição.
“Na União Dominicana, deixamos de ser um departamento técnico e administrativo, concentrado em limpar listas e riscar nomes, para enxergar pessoas em vez de números”, afirmou Polanco. Ele descreveu a secretaria como “um instrumento da missão”, capaz de promover cuidado, restauração e reconexão.
Por meio do Grupo Especial de Revisión (Grupo Especial de Revisão), ou GER, as congregações identificam membros que estejam inativos, sejam difíceis de localizar ou necessitem de atenção pastoral e organizam ações para restabelecer o contato com eles.
“O GER não é um tribunal que julga”, afirmou Polanco. “É uma equipe que cuida.”
Com o retorno dos secretários executivos às suas uniões, o trabalho iniciado na Academia deverá avançar pelos campos locais e pelas congregações, com o apoio de capacitações regulares e ações de acompanhamento. Para Niño, o fortalecimento das práticas das secretarias deve resultar em informações mais precisas, um cuidado mais intencional com os membros e maior apoio à missão da Igreja.
“A intencionalidade é o que faz a diferença”, concluiu Niño.
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão Interamericana.













