Pastores, líderes da igreja e membros leigos de todo o Reino Unido, Irlanda e Países Baixos reuniram-se no Newbold College of Higher Education (NCHE) para o ConnectED25: Fé, Tecnologia e o Futuro do Evangelismo.
A conferência de um dia, organizada pelo departamento de comunicação e mídia da Associação Sul da Inglaterra (ASI), em parceria com o Centro de Ministério e Missão do NCHE, explorou como as ferramentas digitais podem apoiar a missão da Igreja.
“Foi um evento visionário, inspirado pelo Espírito Santo… quem perdeu este, precisa vir ao próximo. Foi informativo, inspirador e exatamente o que precisamos para avançar rumo ao futuro da mídia e da comunicação”, afirmou Cynthia Osei Owusu-Arthur, profissional de RH e apresentadora do programa IN2G, produzido pela União Britânica (UB).
Um chamado guiado pelo Espírito
A conferência teve início com a palestra de Joe Philpott, recentemente eleito diretor associado de comunicação da Divisão Transeuropeia (DTE). Sua apresentação, intitulada “Discipulado Digital – Chamados para Conexão”, combinou relatos pessoais com uma reflexão teológica sobre Atos 1:8.
“Jesus não lhes deu uma estratégia de comunicação”, afirmou Philpott. “Ele lhes deu um mandado por meio do qual o Espírito atuaria.”
Ele convidou os participantes a reconhecerem a caneta do repórter, a lente do fotógrafo e a tela do designer como instrumentos modernos de pregação.
“O mesmo poder que sustentou os discípulos em seu ministério é o mesmo Espírito Santo que nos capacita hoje”, concluiu.
Envolvendo-se com as realidades do mundo digital
Sorin Petrof, diretor de comunicação e mídia da Associação Sul da Inglaterra (ASI) e organizador do evento, explorou a interseção entre fé, tecnologia e sociedade. Citando o historiador Yuval Harari, ele observou que comunidades de fé que perdem o contato com as realidades tecnológicas correm o risco de deixar de responder às perguntas que as pessoas estão fazendo.
“Se não nos envolvermos de forma significativa com a tecnologia”, afirmou, “não apenas teremos dificuldade em alcançar as pessoas — não compreenderemos o mundo em que elas vivem.”
Ele explicou que o ConnectED25 foi criado para manter o evangelismo digital relevante, eficaz e fiel, oferecendo visão e habilidades práticas.
Desafiando pressupostos
Oito apresentações dinâmicas, no estilo TED, vieram em seguida, abordando temas como disrupção digital, criatividade, inteligência artificial e estratégias de comunicação.
Carlos Magalhães, diretor de estratégias digitais da Divisão Sul-Americana, apresentou o tema “IA, Jogos e Streaming para Engajar a Geração Z”, destacando o uso de ferramentas de inteligência artificial na missão e o potencial de plataformas emergentes, como realidade virtual (VR) e o metaverso.
Ele destacou quatro pontos principais: as pessoas usam a tecnologia para buscar conexão; o público mais jovem lidera o interesse em usar essas ferramentas, mas todas as faixas etárias valorizam a comunidade; o método de Cristo elimina o medo da inovação; e a Igreja deve estar presente onde a Geração Z vive digitalmente.
Paulin Giurgi, vice-presidente da Hope Media Europa, apresentou os princípios do ministério digital em sua palestra “Das Telas às Ruas: Fé em Ação”, destacando os valores de relevância, contexto, inovação e presença.
Ele compartilhou aprendizados vindos de nove centros de mídia da Divisão Intereuropeia, que atualmente alcançam 2,5 milhões de pessoas por mês.
Keith Kirk, CEO da Code Group Music, conduziu a apresentação intitulada “Aproveitando a Publicação Musical para a Missão Digital”. Especialista na indústria musical, ele surpreendeu o público ao destacar que apenas 1,5% dos 695 hinos do hinário adventista foram escritos por adventistas.
Kirk apresentou um breve histórico da Chapel Music (antiga Chapel Records), gravadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e mostrou oportunidades para compositores adventistas colaborarem com agências musicais globais. Ele também ressaltou a crescente influência da música cristã como ferramenta de evangelismo.
Dan Serb, diretor do Newbold College of Higher Education (NCHE) e coorganizador do evento, apresentou o tema “RELATE: Fé, IA e Relacionamentos”. Embora tenha reconhecido o potencial da inteligência artificial para apoiar a missão, ele expressou preocupação com suas capacidades autônomas de tomada de decisão.
Citando Rowan Williams, ele afirmou: “A presença santa não é apenas mais um elemento a ser notado entre outros, mas o fundamento de toda percepção.”
O apresentador da BBC, Neil Nunes, tratou do tema da economia da atenção em sua palestra “Comunicando com uma Geração Distraída”. Ele propôs que os comunicadores devem alcançar o H.E.A.R.T. — uma sigla em inglês para Holy intention (intenção santa), Empathy (empatia), Attraction (atração), Revelation (revelação) e Touching the will (levar à ação) — a fim de se envolverem de maneira significativa com aqueles que vivem imersos nos espaços digitais.
Christian Salcianu, diretor do Adventist Discovery Centre (ADC), iniciou sua palestra “Liderando na Era Digital: das Escrituras à Estratégia” com a pergunta: “Onde você estava em 1982?”. Fazendo referência à decisão da revista Time de nomear o computador pessoal como a “Máquina do Ano”, ele destacou o quanto a tecnologia está profundamente enraizada na sociedade. Sua mensagem incentivou os participantes a desenvolverem uma visão espiritual para liderar de forma eficaz nos ambientes digitais.
Eunice Alves, designer de produto da BT, apresentou o tema “Aprimorando suas Habilidades no Canva para o Evangelismo Digital”. Ela destacou quatro princípios para um bom design: a beleza atrai a atenção, a história cria conexão, a familiaridade gera confiança e a emoção impulsiona a ação.
“Deus é o designer original”, afirmou, incentivando os participantes a trazerem intencionalidade e excelência aos sites das igrejas, cartazes e redes sociais.
Em sua apresentação “Explorando o WhatsApp para Conexões Pastorais”, Pavle Trajkovski, pastor de jovens da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Newbold, mostrou como grupos de chat podem ser usados de forma criativa no cuidado pastoral.
Com base em sua pesquisa de mestrado em Teologia, ele convidou o público a refletir sobre a pergunta: “O calor de um aperto de mão pode ser traduzido para os espaços digitais?”
Ele concluiu que, com oração e propósito, até mesmo um “grupo de WhatsApp” pode se tornar um instrumento de graça.
Da inspiração à aplicação
À tarde, cada palestrante ampliou sua apresentação em workshops interativos de 50 minutos, permitindo que os participantes aplicassem os conceitos em um ambiente mais prático.
O painel de encerramento abordou questões sobre os principais desafios do evangelismo digital, o equilíbrio entre plataformas públicas e espaços privados e a importância de valorizar as vozes da Geração Z na comunicação da igreja.
Os painelistas concordaram que a comunidade e a conexão devem permanecer no centro. Segundo os líderes, para manter a relevância, a Igreja Adventista no Reino Unido e na Irlanda deve abraçar os espaços digitais como ambientes guiados pelo Espírito para a missão.
Refletindo sobre o dia, Philpott concluiu: “O ConnectED foi excelente. O ambiente foi bom, as oportunidades de networking foram incríveis e o evento foi guiado pelo Espírito.”
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Transeuropeia.


















