Tumores cerebrais inoperáveis são um diagnóstico do passado.
O Centro de Saúde da Universidade de Loma Linda é atualmente o único centro no sul da Califórnia a oferecer a terapia térmica intersticial a laser (LITT), um procedimento minimamente invasivo que permite aos neurocirurgiões tratar tumores antes considerados inalcançáveis.
Tumores localizados profundamente no cérebro, como os que estão no tálamo ou nos gânglios da base, frequentemente deixam os pacientes com poucas opções além de biópsia, radioterapia ou cuidados paliativos, devido aos sérios riscos associados à cirurgia tradicional.
No entanto, com o uso de robótica avançada, orientação por ressonância magnética em tempo real e energia laser direcionada, os médicos conseguem destruir com precisão o tecido tumoral por meio de uma incisão menor que um centímetro, em uma cirurgia minimamente invasiva realizada em regime ambulatorial.
De acordo com Zachary Gersey, neurocirurgião e especialista em LITT, o sucesso da técnica tem mudado a forma como os tumores cerebrais são encarados, tornando o termo “inoperável” cada vez mais ultrapassado.
“Os dados mostram que a LITT é segura, melhora a qualidade de vida e pode aumentar a sobrevida global ou a sobrevida livre de progressão para determinados tumores”, afirma Gersey.
O que é a terapia térmica intersticial a laser?
A LITT, às vezes chamada de “ablação a laser”, é uma técnica que utiliza calor controlado para destruir tecido cerebral anormal. O procedimento é realizado com o sistema robótico ROSA, que permite precisão submilimétrica ao posicionar um cateter com a trajetória e a profundidade exatas necessárias para alcançar o tumor com segurança.
Após a definição da trajetória, o robô ROSA orienta a colocação do cateter da LITT, que possui uma ponta especializada capaz de aquecer e causar dano térmico ao tumor e ao tecido-alvo ao redor.
Depois da fixação do parafuso de ancoragem no centro cirúrgico, o paciente é levado para a sala de ressonância magnética, onde outro sistema robótico garante que o dispositivo esteja posicionado exatamente no local necessário dentro do cérebro.
“Durante a ablação, os cirurgiões monitoram a temperatura em tempo real por meio das imagens de ressonância magnética, o que lhes permite ver exatamente como o calor está afetando o tumor”, explica Gersey. “Se houver estruturas críticas nas proximidades, o sistema pode limitar ou bloquear a propagação do calor para essas áreas. Caso a temperatura aumente excessivamente, o sistema é desligado automaticamente.”
Como a abordagem é minimamente invasiva, a recuperação costuma ser rápida. Muitos pacientes podem voltar para casa no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento.
Tratando tumores antes considerados “inoperáveis”
Os médicos afirmam que a LITT pode ser considerada quando a cirurgia aberta é vista como arriscada demais ou quando o acesso é limitado pela localização do tumor. Exemplos incluem casos em que o tumor está em uma área profunda ou de alto risco, quando apenas uma remoção parcial seria possível por cirurgia aberta, quando o tumor retornou em uma região de difícil acesso, quando o estado geral de saúde do paciente limita a tolerância a uma cirurgia de grande porte, ou quando há necrose por radiação — uma lesão relacionada ao tratamento que pode se assemelhar à recidiva do tumor — e que precisa ser avaliada e tratada.
Em alguns casos, os cirurgiões conseguem realizar a biópsia e a ablação no mesmo procedimento.
Um paciente, Dale Strasshofer, foi submetido a uma biópsia estereotáxica por agulha assistida pelo sistema ROSA e à LITT após os médicos determinarem que a cirurgia cerebral aberta seria arriscada demais. “O procedimento permitiu realizar a biópsia, obter um diagnóstico definitivo e fazer a ablação da lesão”, afirmou Strasshofer. “Não sofri nenhum efeito colateral e tive uma recuperação curta e tranquila.”
Recuperação e qualidade de vida
A maioria dos procedimentos de LITT dura aproximadamente três a quatro horas do início ao fim, e os pacientes costumam retomar as atividades diárias normais no mesmo dia.
Com o tempo, à medida que o tecido tumoral tratado morre e é gradualmente eliminado pelo organismo, o inchaço diminui e a pressão sobre as estruturas cerebrais ao redor é aliviada.
“Quando você remove o que está pressionando o cérebro, a função melhora”, explica Gersey. “Essa redução da pressão leva à melhora de sintomas como fraqueza, dificuldade na fala ou alterações cognitivas.”
Embora estudos em andamento continuem comparando a ablação a laser com a remoção tradicional de tumores, as evidências atuais indicam que a LITT pode melhorar a sobrevida livre de progressão e os desfechos gerais quando comparada à ausência de cirurgia ou à realização apenas de biópsia.
“Por causa de ferramentas como a LITT, o termo ‘tumor cerebral inoperável’ não deveria mais ser usado. Quase sempre há algo que podemos fazer cirurgicamente”, afirma Gersey.
A versão original deste artigo foi publicada no site do Centro de Saúde da Universidade de Loma Linda.










