“A missão digital é indispensável se quisermos alcançar as cidades”, afirmou Manuel Arteaga, diretor do Centro de Missão Urbana da Associação Geral, ao desafiar os criadores reunidos em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos, a reconhecer o ambiente digital como um dos campos missionários mais importantes da atualidade.
Arteaga iniciou sua apresentação contando a história de um evangelista que, certa vez, contemplou o horizonte de uma cidade e declarou: “Eu odeio a cidade”. Segundo ele, muitos cristãos mantêm há muito tempo uma relação desconfortável com os centros urbanos. No entanto, as Escrituras apresentam uma perspectiva diferente. Na fase final de Seu ministério, Jesus voltou intencionalmente o rosto para Jerusalém. Ellen G. White, uma das cofundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, também incentivou a igreja a priorizar o trabalho nas cidades.
Atualmente, mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas, e a expectativa é de que esse número se aproxime de 70% até 2050. Por isso, a igreja também precisa “voltar o rosto para a cidade”, afirmou.
Segundo Arteaga, o campo missionário mudou profundamente. Em vez de atravessar oceanos para alcançar nações distantes, os missionários de hoje muitas vezes encontram essas nações em suas próprias cidades e comunidades. No entanto, embora a sociedade tenha se urbanizado rapidamente, ele alertou que os métodos da igreja nem sempre acompanharam essa transformação.
“O mundo está mudando mais rapidamente do que os nossos métodos”, afirmou. Arteaga advertiu que os adventistas correm o risco de se tornar “missionários de ontem” caso não reconheçam a missão digital como parte essencial do esforço para alcançar as cidades de hoje.
Criadores de conteúdo de diferentes partes do mundo acompanham as apresentações durante a Cúpula de Criadores da Associação Geral, em Silver Spring, Maryland.
[Foto: George Nelson]
Participantes oram juntos durante o segundo dia da Cúpula de Criadores, em 21 de julho de 2026.
[Foto: George Nelson]
Criadores de conteúdo compartilham um momento de descontração antes de personalizar garrafas reutilizáveis com adesivos durante uma atividade colaborativa na Cúpula de Criadores, em 21 de julho de 2026.
[Foto: George Nelson]
Reimaginando a missão para a cidade digital
Ao chamar as plataformas digitais de "a nova estrada romana do século 21", Arteaga afirmou que ideias, histórias e o evangelho agora atravessam culturas e comunidades por meio dos espaços digitais.
No segundo dia da Cúpula de Criadores da Associação Geral, em 21 de julho, ele mudou o foco da estratégia para o chamado pessoal, desafiando criadores de conteúdo, influenciadores e gestores de mídias sociais a valorizarem mais a fidelidade do que a popularidade nas redes.
"Deus não nos chamou para sermos influenciadores. Deus nos chamou para sermos testemunhas", afirmou. "Carregamos uma mensagem, não uma marca. Nossa missão não é construir o nosso nome, mas tornar o nome dEle conhecido."
Para concluir, Arteaga compartilhou a história de seu avô, um imigrante mexicano que percorria as ruas de Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos, com uma câmera Polaroid. Ele fotografava pessoas desconhecidas e entregava a cada uma delas uma foto acompanhada da mensagem: "Deus ama você". Segundo Arteaga, esse gesto simples lembra que o maior impacto do evangelho não é medido pelo número de seguidores ou por publicações que se tornam virais, mas pelas vidas alcançadas por meio de um testemunho fiel.
O apelo de Arteaga para que os criadores priorizassem a fidelidade em vez da popularidade reforçou uma mensagem apresentada anteriormente pela médica e criadora de conteúdo Nellah Kunzwa. Ela incentivou os participantes a não definirem seu ministério pela quantidade de seguidores ou pelo sucesso nas redes sociais, mas pelo propósito singular que Deus lhes confiou.
Com base em 1 Coríntios 12, Kunzwa lembrou aos participantes que cada criador desempenha um papel único na missão de Deus, pois recebeu dons diferentes. "Nenhum algoritmo, nenhum gancho, nenhum vídeo viral pode competir com o Espírito Santo", afirmou, encorajando os criadores a dependerem da orientação de Deus, e não das tendências digitais.
Jef Nascimento, gestor de mídias sociais do departamento de Comunicação da Associação Geral, incentiva os criadores de conteúdo a enxergarem as redes sociais como um campo missionário durante a Cúpula de Criadores, em 21 de julho de 2026.
[Foto: George Nelson]
Manuel Arteaga relembra como seu avô usava uma câmera Polaroid para compartilhar o amor de Deus, lembrando aos criadores de conteúdo que vidas transformadas têm mais valor do que conteúdos virais.
[Foto: George Nelson]
Manuel Arteaga, diretor do Centro de Missão Urbana da Associação Geral, desafia os criadores de conteúdo a abraçarem a missão digital como uma estratégia essencial para alcançar as cidades em constante crescimento ao redor do mundo durante o segundo dia da Cúpula de Criadores da Associação Geral, em Silver Spring, Maryland, em 21 de julho de 2026.
[Foto: George Nelson]
Fidelidade acima da influência
O arqueólogo e comunicador brasileiro Rodrigo Silva contou como um ministério que começou com a arqueologia se expandiu para a televisão, os podcasts e as redes sociais, alcançando mais de oito milhões de seguidores nas plataformas digitais.
Mesmo com esse alcance global, Silva lembrou aos participantes que "influência não tem a ver com números; tem a ver com fidelidade a Deus e à Sua missão". Ele incentivou os criadores a usarem suas profissões e paixões pessoais como pontes para o evangelho, permanecendo firmemente alicerçados em sua identidade adventista. Para ilustrar esse princípio, compartilhou histórias de pessoas cujas vidas foram transformadas após conhecerem a mensagem adventista por meio de seu ministério digital.
A neurocientista Rosana Alves abordou o tema sob a perspectiva da ciência, incentivando os criadores a enxergarem suas profissões como linguagens por meio das quais Deus pode alcançar pessoas que talvez nunca entrem em uma igreja.
Com base em descobertas da neurociência, ela explicou que a confiança vem antes da influência, porque as pessoas avaliam quem transmite a mensagem antes de acolherem o que está sendo dito.
"Nossa primeira missão talvez não seja vencer um argumento", afirmou Alves. "Nossa primeira missão é nos tornarmos pessoas dignas de confiança." Para ela, a ciência oferece a ponte, a confiança convida as pessoas a atravessá-la, e Cristo continua sendo o destino.
A médica e criadora de conteúdo Nellah Kunzwa incentiva os criadores a priorizarem o chamado de Deus acima da popularidade nas redes sociais.
[Foto: George Nelson]
O arqueólogo e comunicador Rodrigo Silva incentiva os criadores a usarem suas profissões e paixões como pontes para o evangelho.
[Foto: George Nelson]
A neurocientista Rosana Alves explica como a confiança molda a influência, incentivando os criadores a construírem credibilidade e relacionamentos autênticos que conduzam as pessoas a Cristo.
[Foto: George Nelson]
Transformando ideias em ação
A conversa continuou com discussões práticas sobre o ministério digital. Durante uma entrevista conduzida por Alyssa Truman, diretora do departamento de Comunicação da Associação Geral, o criador de conteúdo e estrategista de engajamento digital Jochy Jamel incentivou os participantes a continuarem aprendendo à medida que as plataformas evoluem, priorizarem narrativas autênticas em vez da perfeição e investirem intencionalmente em relacionamentos que levem as pessoas das conversas online para as comunidades da igreja local.
Administradores da Hope Channel Internacional também convidaram criadores adventistas independentes a se tornarem membros associados da rede global de mídia da organização. Sam Neves e Robbie Bergen, vice-presidentes da Hope Channel, afirmaram que a iniciativa busca unir esses criadores ao ministério mundial de mídia da igreja, com o objetivo de alcançar um bilhão de pessoas com o evangelho até 2030, preservando ao mesmo tempo a voz e a missão únicas de cada criador.
Os participantes também colaboraram no desenvolvimento de estratégias de comunicação para a iniciativa OneVoice27, aprimorando ideias e explorando maneiras de traduzir temas globais em conteúdos digitais significativos e relevantes para seus contextos locais, por meio da colaboração e da oração.
Com a Cúpula de Criadores seguindo até 23 de julho, os participantes darão continuidade às discussões da semana por meio de novos workshops, oportunidades de conexão e planejamento colaborativo, informaram os organizadores. As próximas sessões abordarão temas como narrativa prática, engajamento de público e capacitação de mais membros da igreja para atuarem como criadores digitais a serviço da missão.






