Após receber o diagnóstico de câncer de próstata, Mark, de 66 anos, decidiu participar de um estudo clínico que avalia um sistema experimental de telecirurgia robótica.
Em 25 de outubro, essa decisão o colocou no centro de um importante marco na pesquisa cirúrgica: ele foi submetido a uma prostatectomia robótica experimental que conectou duas unidades da AdventHealth na região central da Flórida, nos Estados Unidos.

O procedimento foi realizado sob uma Isenção para Dispositivo Experimental (IDE, na sigla em inglês) aprovada pela agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos (FDA). A IDE autoriza a investigação clínica; ela não representa aprovação ou autorização da FDA para o uso do sistema de telecirurgia robótica nessa finalidade, nem comprova que o sistema seja seguro ou eficaz.
Vipul Patel, fundador e diretor médico do Global Robotics Institute da AdventHealth Celebration e pesquisador principal do estudo, realizou a cirurgia a partir da AdventHealth Celebration. A aproximadamente 56,3 quilômetros de distância, o copesquisador principal Marcio Moschovas estava ao lado do paciente, junto à equipe cirúrgica da AdventHealth Minneola, para oferecer suporte presencial e intervir, se necessário.
“Por gerações, o acesso a cuidados altamente especializados muitas vezes dependeu de onde o paciente mora”, afirmou Patel. “Este estudo nos permite avaliar se a telecirurgia poderá, um dia, ajudar a reduzir as barreiras geográficas ao tratamento especializado. Questões importantes sobre segurança, eficácia e desempenho técnico continuam sendo investigadas.”
Patel já realizou mais de 21 mil prostatectomias robóticas. Neste estudo, ele operou remotamente utilizando o sistema cirúrgico experimental Toumai®, da MicroPort MedBot. Esta fase da pesquisa dá continuidade a 10 procedimentos experimentais de telecirurgia realizados entre Orlando e Luanda, em Angola, e leva a investigação ao contexto do sistema de saúde dos Estados Unidos para uma avaliação mais aprofundada.
A telecirurgia combina tecnologia robótica com infraestrutura de comunicação, permitindo que um cirurgião controle instrumentos cirúrgicos mesmo estando fisicamente distante do paciente.

Embora a telecirurgia robótica venha sendo investigada internacionalmente, as evidências publicadas até o momento não documentam nenhum procedimento desse tipo realizado entre duas localidades nos Estados Unidos. O procedimento realizado representa um único caso em uma investigação em andamento e não permite estabelecer o desempenho clínico geral do sistema nem sustentar conclusões mais amplas sem estudos adicionais.
“Nossa missão é levar cura integral e esperança a cada pessoa de quem cuidamos, independentemente de onde ela viva”, afirmou Doug Harcombe, CEO da região Centro-Sul da Flórida da AdventHealth. “Esse compromisso nos impulsiona a explorar novas maneiras de conectar pacientes e famílias à próxima geração de cuidados. Ao ampliar o acesso a especialistas de referência e à tecnologia avançada, podemos garantir que mais pacientes recebam os cuidados de que precisam em sua própria comunidade. Enquanto continuamos a explorar novas possibilidades, nosso foco permanece em alcançar melhores resultados, fortalecer nossas comunidades e levar cura e esperança a mais famílias.”
“Esta pesquisa representa um próximo passo importante na investigação clínica da telecirurgia”, afirmou Kenneth J. Palmer, diretor executivo do Global Robotics Institute da AdventHealth Celebration. “A realização do estudo entre dois hospitais da Flórida permite aos pesquisadores avaliar os aspectos operacionais, técnicos e clínicos envolvidos no uso experimental da telecirurgia robótica no contexto do sistema de saúde dos Estados Unidos.”

Os pesquisadores estão avaliando os resultados cirúrgicos, a segurança, a eficácia, o desempenho da rede, a segurança cibernética, os alarmes, o funcionamento dos recursos de contingência, os fluxos de trabalho operacionais e outras medidas de proteção necessárias para a realização de cirurgias robóticas a distância em ambiente hospitalar.
A prostatectomia robótica apresenta riscos associados à cirurgia, incluindo sangramento, infecção, incontinência urinária, disfunção erétil, formação de tecido cicatricial, extravasamento de urina, hérnia e a possibilidade de conversão para uma cirurgia aberta.
A telecirurgia acrescenta riscos potenciais, como falhas nos equipamentos ou na conexão, ameaças à segurança cibernética e a necessidade de a equipe cirúrgica presencial assumir o procedimento. No local onde o paciente estava, havia sistemas de reserva, planos de contingência e uma equipe cirúrgica treinada. Esses riscos e medidas de proteção continuam sendo investigados e avaliados.
“Estamos entrando em uma nova era da cirurgia”, afirmou Patel. “O futuro será definido pela maneira como combinamos o conhecimento especializado de profissionais, a robótica e a tecnologia para ampliar os limites do que é possível para pacientes em todo o mundo.”
O artigo original foi publicado no site de notícias da AdventHealth.







