Após anos dependendo de entregas caras feitas por caminhões-pipa, a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) na Síria restabeleceu o acesso à água para milhares de famílias em duas comunidades sírias.
Em Kafr Naha, uma vila nos arredores de Aleppo, a única fonte confiável de água eram os caminhões-pipa particulares, abastecidos por poços cuja segurança não havia sido verificada. As entregas custavam cerca de 600 mil libras sírias por mês.
Famílias como a de Abdul Qader gastavam quase um quinto da renda mensal para manter a casa abastecida. Qader sustenta 16 parentes e convive com uma doença cardíaca crônica. Diante de um custo tão alto, sua família e muitas outras eram obrigadas a escolher, todos os meses, entre água, alimentos e medicamentos.
A ADRA Síria recuperou o poço, a estação de bombeamento e o reservatório elevado de Kafr Naha. Agora, cerca de 1.200 famílias, quase 6 mil pessoas, recebem água de forma regular. Para moradores como Qader, a nova fonte de abastecimento trouxe uma mudança imediata. O dinheiro antes destinado aos caminhões-pipa agora pode ser usado no tratamento cardíaco, em outras necessidades da família e em uma alimentação melhor.
“Sustentar uma família numerosa enquanto convivo com um problema cardíaco sempre foi difícil”, disse ele. “Agora que a água chega regularmente à nossa casa, podemos nos concentrar mais nos medicamentos, na alimentação e nas necessidades de nossa filha pequena, em vez de viver com a preocupação constante de ter que comprar água.”
Já em Kafr Ammeh, uma vila na província de Idlib, Umm Bashar, de 55 anos, enfrentava dificuldades semelhantes. Ela cria três netos órfãos e, a cada dez dias, pagava 150 mil libras sírias pela água entregue pelo caminhão-pipa, quase metade de sua renda mensal. O custo deixava poucos recursos para medicamentos e outras necessidades das crianças, além de não haver garantia de que a água fosse segura.
A recuperação do poço, da estação de bombeamento e do reservatório elevado de Kafr Ammeh pela ADRA transformou a realidade de Bashar e dos demais moradores. Cerca de 800 famílias, quase 4 mil pessoas, agora têm acesso regular à água. Bashar não depende mais de caminhões-pipa, e a economia a ajuda a cuidar do diabetes enquanto cria os netos.
“Antes, esperávamos muitos dias até termos dinheiro para comprar água e nunca sabíamos se ela era segura”, contou. “Hoje, a água chega regularmente à nossa casa. Isso aliviou nossas dificuldades e nos deu esperança de que Kafr Ammeh possa se recuperar.”
Para as famílias das duas vilas, ter água disponível de forma confiável representa mais do que conveniência. Significa não precisar mais escolher diariamente entre saúde, alimentação e segurança, uma realidade enfrentada durante anos por famílias como as de Qader e Bashar. Para eles e milhares de outras pessoas, a chegada de água limpa às torneiras representa um novo começo.
O artigo original foi publicado no site de notícias da União do Oriente Médio e África do Norte.





