Mais de 160 líderes, pastores, plantadores de igrejas e evangelistas da Divisão Transeuropeia (DTE) se reuniram no Newbold College of Higher Education (NCHE) para o evento Comprometidos com a Missão 150. O encontro proporcionou uma plataforma para celebrar conquistas, reconhecer desafios e reafirmar o compromisso com o futuro da obra missionária na Europa.
Organizada conjuntamente pela DTE e pelo NCHE durante o fim de semana de 25 a 27 de abril de 2025, a conferência abordou os desafios teológicos e missionários que a DTE enfrenta atualmente. Os participantes refletiram sobre as lições do passado com o objetivo de moldar a vida e o testemunho da igreja hoje. Este relatório oferece uma breve visão geral da profundidade das discussões que ocorreram ao longo do fim de semana.
Em seu discurso de abertura, Anthony Wagener-Smith, diretor da Missão Adventista da DTE, comparou a experiência atual dos membros da DTE à do povo de Deus no Antigo Testamento, em exílio e longe de seu território familiar.
“Essa realidade nos apresenta uma oportunidade única de reimaginar o que significa ser uma comunidade ressuscitada, contracultural e missionária”, observou Wagener-Smith. “Somente no exílio”, continuou ele, “descobrimos, de maneiras renovadas, como viver como uma minoria fiel que cresce em amplitude e profundidade, ajudando outros a se prepararem para a volta de Cristo.”
Recordando e Contando a História
David Trim, diretor do Escritório de Arquivos e Estatísticas Adventistas da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, compartilhou que, durante o século XX, a então Divisão do Norte da Europa (hoje DTE) “enviou quase mil missionários da Europa para outras partes do mundo, onde se adaptaram aos idiomas, culturas e costumes locais.” Isso levantou uma questão essencial para Trim:
“Será que ainda temos a mesma determinação inabalável para alcançar a Europa como tinham os fundadores e primeiros líderes da Divisão?” Em seguida, lançou outro desafio aos adventistas europeus: “Até que ponto a missão adventista na Europa está contextualizada e até que ponto foram aplicadas pressuposições norte-americanas?”
O Papel Histórico das Mulheres na Missão da DTE
“As mulheres têm sido vitais para a missão da igreja, especialmente na Europa”, afirmou Heli Otamo-Csizmadia, diretora do Ministério de Mordomia da DTE, destacando o papel das mulheres como pastoras, missionárias, educadoras e líderes espirituais por mais de um século. Usando o exemplo de Alma Bjugg, Otamo-Csizmadia enfatizou que essas mulheres representam um legado silencioso, mas poderoso, do chamado de Deus.
“A presença contínua delas desafia a igreja a aceitar e afirmar plenamente o que a história há muito tempo já deixou claro: que as mulheres sempre foram e continuam sendo essenciais para a vida e missão da igreja.”
Otamo-Csizmadia foi acompanhada por Dragoslava Santrac, editora-chefe da Enciclopédia dos Adventistas do Sétimo Dia; Sven Hagen Jensen, ex-missionário no Oriente Médio e na Nigéria; e Catherine Anthony Boldeau, diretora de Mordomia da União Britânica (UB). Juntos, compartilharam as histórias de Elsa Lukkanen, Christian Johannes Jensen e Donald e Anne Layle, cada um deles destacando os valores do compromisso, humildade e sacrifício. No caso da família Layle, esse sacrifício foi tragicamente definitivo, pois perderam a vida em serviço em 3 de fevereiro de 1981.
Com o objetivo de estabelecer fundamentos teológicos para a missão, Santrac explorou o papel fundamental do Antigo Testamento na teologia missionária, muitas vezes negligenciado em favor do Novo Testamento.
“Uma interpretação missionária das Escrituras”, sugeriu Santrac, “considera que toda a Bíblia conta a história da missão de Deus através de Seu povo, engajando-se com o mundo pelo bem de toda a criação.” E desafiou os participantes: “Como o relato da criação e a esperança messiânica guiam nossa missão no mundo?”
Ao longo do evento, entre as conferências, houve debates abertos e oportunidades para compartilhar histórias pessoais em grupos menores.

Aprendendo Com o Passado
Com a missão da DTE se estendendo por mais de 96 anos, foi dedicado um tempo para refletir tanto sobre a mentalidade dos missionários europeus que enviaram o evangelho adventista para outras partes do mundo quanto sobre a imigração de adventistas de diversas regiões do globo para a DTE.
Val Bernard-Allen questionou: “Será que alguns missionários europeus serviram com uma mentalidade colonial?”
Reconhecendo que todos somos produtos do nosso tempo, Bernard convidou os participantes a olharem mais a fundo e garantirem que a mente dos missionários e líderes de hoje esteja livre de quaisquer vestígios de colonialismo.
“Uma mentalidade colonial”, sugeriu Bernard-Allen, “deve buscar transformação.”
Anthea Davis-Barclay compartilhou a história da imigração afro-caribenha para o Reino Unido no pós-Segunda Guerra Mundial, quando trabalhadores das colônias foram convidados a ajudar na reconstrução nacional.
“Entre os muitos caribenhos que migraram para o Reino Unido, muitos se identificavam como adventistas”, contou Davis-Barclay. Ela continuou contando a difícil e dolorosa história de como os adventistas afro-caribenhos enfrentaram os desafios de conexão, pertencimento e participação na vida da igreja junto à comunidade adventista britânica. Por meio de uma extensa pesquisa, que incluiu entrevistas com membros de ambos os lados da divisão ocorrida entre as décadas de 1960 e 1980, Davis-Barclay revelou as tensões que atingiram seu ápice em meados da década de 1970, quando a Associação Geral, sob a liderança de Robert Pearson, foi chamada a intervir e oferecer soluções. “Foi fundamental, naquela conversa, a representatividade negra na liderança — pastoral, equipe de apoio da associação, diretores e líderes”, compartilhou Davis-Barclay.
Com humor reflexivo, humildade e diplomacia, Davis-Barclay conduziu essa narrativa complexa, oferecendo lições para a evangelização contemporânea e a coesão da igreja. Ao final da sessão, Tabitha Purple, plantadora de igrejas da União Holandesa, destacou a relevância contínua da história da União Britânica, observando que a maioria das Uniões da DTE hoje enfrenta “seus próprios desafios relacionados à diversidade.” Ela fez um apelo para que as lições do passado iluminem o caminho para o futuro.

Cristo, o Consumismo e a Comunidade em uma Cultura Pós-cristã
Passando da reflexão histórica para o presente, a conversa se concentrou nos desafios de viver em uma cultura pós-cristã. Brendan Pratt, diretor do Centro de Missão Global para a Missão Secular e Pós-Cristã, sugeriu que “o consumismo se tornou a principal ‘religião popular’ da cultura pós-cristã.” Pratt considera o consumismo como “uma disposição espiritual, uma religião popular e um egoísmo institucionalizado.” No entanto, ele acredita que o adventismo oferece ferramentas teológicas para enfrentar o consumismo.
“É possível”, desafiou Pratt, “que o consumismo seja confrontado por uma imaginação mais ampla sobre o que significa ser humano? E será que nós, em uma cultura pós-cristã, podemos ser uma comunidade bíblica contracultural que aponte as pessoas para essa imaginação mais ampla?”
Multiplicação Contextual de Igrejas
Como palestrante convidado, a apresentação do Dr. Michael Moynagh sobre sua visão do Soul Space foi muito bem recebida. Moynagh defende a missão cristã nas comunidades locais e reconhece a importância da conexão no mundo atual. Com uma lista de verbos essenciais para a missão — ouvir, amar, criar comunidade, compartilhar Jesus, ser igreja, repetir —, Moynagh destacou a importância da oração, da escuta contínua e da construção de relacionamentos com a igreja como um todo. O Soul Space tem potencial para alcançar lugares onde os esforços missionários tradicionais ainda não chegaram.

Adoração, Amizade e Partilha
Embora grande parte da importância do evento tenha ocorrido nas salas de reunião, o que aconteceu fora delas foi igualmente significativo. Em uma sala de discussão, os membros de um comitê de redação trabalharam em uma declaração conjunta. Presidido por Pratt, Wagener-Smith, Trim, Mathew Herel e Sujoya Paul-Bullock, o comitê elaborou um documento que delineia os valores estratégicos e a direção da missão da DTE para o futuro. Essa declaração será publicada em breve no TEDNews.
Os organizadores afirmaram esperar que a Missão 150 inspire uma comunidade de líderes, pastores e plantadores de igrejas comprometidos em se unir ao esforço de toda a DTE para compreender, pesquisar e enfrentar os desafios da missão secular e pós-cristã na Europa. Acrescentaram ainda que desejam oferecer apoio e orientação à comunidade adventista mundial em geral, uma vez que tendências demográficas e culturais semelhantes têm começado a impactar outras regiões.

A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Transeuropeia. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.