Adventist Development and Relief Agency

GoodOne amplia os resultados do trabalho da ADRA em Gana

Audrey Andersson, vice-presidente da Associação Geral, presidente do Conselho da ADRA Internacional e membro do Conselho da GoodOne, viajou a Gana com outros representantes para conhecer de perto como a GoodOne ajuda os agricultores

Gana

ADRA Internacional
GoodOne amplia os resultados do trabalho da ADRA em Gana

Há quase 40 anos, a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) começou a ajudar agricultores a plantar cajueiros em Gana. Em uma visita recente ao país, Audrey Andersson, vice-presidente da Associação Geral (AG), presidente do conselho da ADRA Internacional e integrante do conselho da GoodOne, viu como alguns desses investimentos estão criando novas oportunidades por meio da atuação da empresa, um empreendimento da ADRA com fins lucrativos e voltado ao impacto social.

Andersson viajou a Gana com Cherie Jackson, gerente-geral da GoodOne, e Alex Balint, diretor de operações da empresa, para compreender melhor o negócio e conhecer de perto o que um empreendimento social pode representar para agricultores, trabalhadores e suas comunidades.

“Eu queria entender melhor como a GoodOne funcionava e qual era o impacto e o potencial desse empreendimento social, tanto no âmbito local quanto para a ADRA”, afirmou Andersson.

[Foto: ADRA Gana]

Dando continuidade a décadas de investimento

A ADRA apoia há décadas comunidades produtoras de castanha de caju em Gana, ajudando os agricultores no plantio de cajueiros. No entanto, o cultivo, por si só, não garante uma fonte de renda sustentável.

Andersson soube que, há apenas quatro anos, alguns agricultores estavam cortando os cajueiros e vendendo a madeira para a produção de carvão. As castanhas eram compradas a preços extremamente baixos e exportadas para processamento, o que deixava os produtores com pouco incentivo para manter árvores que não geravam renda suficiente.

A GoodOne está trabalhando para mudar essa realidade.

[Foto: ADRA Gana]

A empresa trabalha com agricultores para melhorar as práticas de poda, aumentar a produtividade e reduzir a incidência de doenças. Segundo Jackson, a GoodOne também paga aos agricultores pelo menos 10% acima dos preços estabelecidos pelo governo. As castanhas de caju são processadas em Gana por uma fábrica parceira que emprega mais de 65 pessoas, ajudando a manter mais empregos e a atividade econômica no país.

Para Andersson, uma das surpresas foi a quantidade de mulheres que encontrou ao longo do processo.

“O processo exige muita mão de obra e gera empregos para as mulheres da comunidade”, afirmou. “Fiquei surpresa com o número de agricultoras.”

Andersson também observou como as comunidades trabalhavam em conjunto. Quando agricultores mais velhos ou sem condições físicas de podar suas próprias árvores precisavam de ajuda, os membros mais jovens da comunidade assumiam a tarefa.

A GoodOne paga aos agricultores pelo menos 10% acima dos preços estabelecidos pelo governo. [Foto: ADRA Gana]

Uma vida melhor em sua própria comunidade

Andersson, Jackson e Balint se reuniram com agricultores de quatro comunidades diferentes e ouviram relatos sobre o impacto dessa oportunidade na vida de suas famílias.

Alguns contaram que passaram a ter condições de custear os estudos dos filhos e netos. Um agricultor conseguiu ganhar o suficiente para colocar um telhado mais resistente em sua casa.

Uma dessas histórias marcou Andersson especialmente.

Um agricultor contou ao grupo que havia deixado Gana rumo à Líbia em busca de uma vida melhor. Ao saber do projeto de plantio de cajueiros da ADRA, voltou para casa. Anos depois, as dificuldades econômicas o fizeram pensar novamente em partir para procurar emprego. Foi então que a GoodOne começou a abrir um novo mercado para as castanhas de caju produzidas em sua própria comunidade.

Dessa vez, ele ficou.

“Hoje, ele não precisa sair em busca de uma vida melhor”, afirmou Andersson. “Ele conseguiu conquistá-la em sua própria comunidade.”

Para Jackson, histórias como a desse agricultor mostram o que a GoodOne busca alcançar com uma abordagem diferente de desenvolvimento.

“O principal diferencial deste empreendimento social é nossa ênfase na parceria por meio do comércio, em vez de sermos apenas mais um projeto de desenvolvimento ou uma organização beneficente”, afirmou.

“Estamos oferecendo uma solução empresarial para a pobreza. Trabalhamos em parceria com nossos clientes para viabilizar uma renda que permita aos nossos agricultores viver com dignidade e lhes dar autonomia e possibilidades de escolha.”

[Foto: ADRA Gana]

Parceria por meio do comércio

Representantes da ADRA afirmaram que a relação entre desenvolvimento e negócios está no centro da parceria entre a agência e a GoodOne.

Durante décadas, a ADRA investiu no setor de castanhas de caju em Gana, ajudando a estabelecer e fortalecer a produção. No entanto, segundo Balint, as cadeias de valor tradicionais faziam com que muitos agricultores ainda recebessem apenas uma pequena parcela do valor gerado por suas colheitas.

A GoodOne entrou no mercado há cerca de três anos e meio com um papel diferente.

“A GoodOne é o empreendimento social da ADRA, um ‘criador de mercado’ e um ‘intermediário confiável’ para nossos agricultores”, afirmou Balint.

Ele descreveu a abordagem que conecta a ADRA e a GoodOne como desenvolvimento baseado no comércio, que utiliza as relações comerciais de forma intencional para promover um crescimento econômico mais inclusivo.

“Usamos o comércio de forma intencional como uma alavanca para o crescimento inclusivo e a geração de prosperidade”, afirmou Balint. “Ao agregar valor localmente, integrar produtores às cadeias de valor regionais e globais e garantir que agricultores e processadores locais obtenham uma parcela maior das margens de lucro, o desenvolvimento baseado no comércio constrói prosperidade e resiliência duradouras.”

Na prática, a GoodOne vai além da capacidade de produção de cada agricultor e considera todo o percurso do produto: quem o processa, quem o compra, onde é vendido e como o valor econômico é distribuído ao longo desse caminho.

[Foto: ADRA Gana]

Os papéis da ADRA e da GoodOne são distintos, mas estão conectados. A GoodOne atua no mercado, ampliando a demanda e estabelecendo relações com compradores, ao mesmo tempo que defende os interesses dos agricultores e processadores. O trabalho de desenvolvimento da ADRA, por sua vez, pode ajudar a fortalecer as comunidades e os sistemas agrícolas que possibilitam a participação nesses mercados.

Balint afirmou que os resultados já começam a aparecer.

“Temos visto como esse modelo já está elevando os preços em Gana, permitindo que nossos agricultores recebam mais pelas vendas, reinvistam em suas lavouras e enviem seus filhos à escola. De modo geral, essa iniciativa está criando mais empregos locais”, afirmou.

Para Andersson, esses avanços se apoiam na base construída pelo trabalho anterior da ADRA.

“O empreendimento social aproveitou os benefícios do trabalho da ADRA no plantio dos cajueiros e está levando esses resultados a um novo patamar”, afirmou.

[Foto: ADRA Gana]
[Foto: ADRA Gana]

Um negócio criado para gerar impacto

As castanhas de caju são uma commodity, e Jackson sabe que a GoodOne precisa disputar clientes como qualquer outra marca de produtos de consumo. Por isso, além de se concentrar em sua missão, a empresa tem buscado oferecer um produto que as pessoas realmente queiram comprar.

Recentemente, a GoodOne lançou uma nova embalagem, desenvolvida para comunicar melhor o frescor e a qualidade das castanhas e destacar o produto nas prateleiras e na internet.

Mas Jackson também tinha outro público em mente.

“Eu queria que as mulheres de Gana sentissem orgulho de sua marca”, afirmou. “A maioria dos agricultores e dos trabalhadores da fábrica são mulheres. Acho que a embalagem as representa de uma forma mais valorizada. Gana é colorido e vibrante. Esta embalagem comunica isso de maneira mais eficaz.”

O objetivo da GoodOne é construir um negócio de sucesso justamente porque a própria atividade empresarial contribui para ampliar as oportunidades econômicas.

Para Andersson, a GoodOne também suscita uma questão mais ampla sobre o futuro do trabalho humanitário e de desenvolvimento.

“Em um momento em que as fontes de financiamento estão mudando, o empreendimento social oferece um caminho para o futuro, criando parcerias entre comunidades e empresas e aproveitando os primeiros passos dados pelos projetos humanitários”, afirmou Andersson.

Foto: Da esquerda para a direita — Solomon Kwadwo Osei, secretário da União Central de Gana; Jonathan Owusu, presidente da União Central de Gana; Audrey Andersson, vice-presidente da Associação Geral e presidente do Conselho da ADRA Internacional; e Anita Asiedu, tesoureira da União Central de Gana. [Foto: ADRA Gana]

Levando essa história às escolas adventistas

O modelo da GoodOne está criando oportunidades para conectar os consumidores da América do Norte mais diretamente às comunidades que produzem as castanhas.

Em colaboração com Sharon Aka, diretora de Parcerias Adventistas da ADRA Internacional, e com o departamento de Educação da Divisão Norte-Americana (DNA), a GoodOne desenvolveu um programa de arrecadação de fundos que permite às escolas vender castanhas de caju enquanto aprendem sobre as pessoas e comunidades envolvidas em sua produção.

O programa inclui material didático desenvolvido para diferentes faixas etárias e alinhado aos padrões educacionais da DNA, facilitando sua integração às atividades em sala de aula.

“As escolas já vão arrecadar fundos de qualquer maneira, mas usar as castanhas e o material didático torna essa experiência muito mais profunda para nossas crianças”, afirmou Jackson. “Isso apresenta a elas o trabalho que a ADRA realiza em todo o mundo e as ajuda a entender como podem fazer a diferença agora mesmo, hoje.”

Jackson chama os alunos participantes de “tr-aid partners”, uma expressão que combina os conceitos de comércio e ajuda. Eles arrecadam fundos para suas próprias escolas enquanto ajudam a ampliar a demanda pelas castanhas de caju cultivadas e processadas em Gana.

Ela sonha com a participação de todas as escolas adventistas da DNA pelo menos uma vez por ano. Também gostaria que as castanhas de caju da GoodOne estivessem disponíveis em todas as unidades da AdventHealth.

Jackson acredita que a ideia pode ir além das castanhas de caju.

“Além das castanhas de caju, temos relações com agricultores de todo o mundo, onde esse conceito pode ser replicado”, afirmou.

Balint identifica um potencial semelhante no modelo de desenvolvimento baseado no comércio.

“Essa abordagem pode ser replicada em outras comunidades e países e pode funcionar com diferentes commodities”, afirmou.

[Foto: ADRA Gana]
[Foto: ADRA Gana]

O trabalho de desenvolvimento

Para Andersson, uma das principais lições de sua visita a Gana foi perceber que, mais do que a velocidade de crescimento da GoodOne, importa compreender o tempo que o trabalho de desenvolvimento exige para produzir mudanças significativas.

Os cajueiros plantados por meio do trabalho da ADRA décadas atrás criaram uma oportunidade que, sem que ninguém pudesse prever na época, daria origem à GoodOne.

“Sem todo o trabalho da ADRA ao longo de mais de 40 anos, plantando cajueiros, não teríamos condições de ter um empreendimento social”, afirmou Andersson.

“Essas iniciativas levam tempo para crescer e, às vezes, ficamos impacientes, mas foi maravilhoso ver a diferença que esse trabalho está fazendo na vida das pessoas e nas comunidades.”

A GoodOne ainda é um empreendimento em expansão, e Andersson ressalta que esse crescimento também traz aprendizados.

“Como em todo novo empreendimento, há lições a aprender e, à medida que as colocamos em prática, o negócio cresce e se fortalece.”

O artigo original foi publicado no site da ADRA Internacional.

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