Há cinquenta anos, em 1975, um grupo de 41 jovens de oito países diferentes chegou a Montemorelos, no México, unidos por um único sonho — tornarem-se médicos com um coração dedicado ao serviço e à missão. Aquele momento histórico marcou o início da primeira turma da então chamada Escola de Medicina da Universidade de Montemorelos (UM)* — hoje o Bacharelado em Medicina e Cirurgia.
A iniciativa tomou forma apenas dois anos após Montemorelos receber o status de universidade e foi resultado de uma liderança visionária dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O projeto foi lançado pela Associação Mexicana da Igreja, sob a direção do pastor Velino Salazar, e aprovado pela liderança adventista dos territórios do México, América Central, Caribe, Colômbia e Venezuela — atual Divisão Interamericana (DIA).
Com sua fundação, a Universidade de Montemorelos tornou-se sede da primeira escola de medicina em uma instituição adventista fora dos Estados Unidos e a segunda no mundo, sob supervisão direta da Divisão Interamericana.
Uma visão enraizada na missão e na excelência
Desde o início, a missão era clara: formar médicos cristãos competentes — profissionais que combinam excelência clínica com compaixão, ética e um profundo senso de chamado ao serviço e à missão.
Os primeiros anos foram marcados por desafios e fé. O primeiro diretor, Dr. Adelio Rocco, liderou os muitos preparativos que antecederam a chegada da turma inaugural, recebida em 1975 pelo Dr. Kepler Hernández.
Logo, juntaram-se a eles professores e médicos pioneiros da Universidade de Loma Linda, incluindo os Drs. Richard Guth, Donald Sargeant, Howard Smith, Naomi Pitman e Dwight Evans, cuja dedicação deixou uma marca indelével na base da escola.
O apoio da Universidade de Loma Linda foi decisivo — não apenas pelo envio de professores, mas também por oferecer oportunidades para que graduados de Montemorelos seguissem formação em nível de pós-graduação ali. Muitos desses ex-alunos retornaram depois para fortalecer as ciências básicas e contribuir para o desenvolvimento da nova escola de medicina.
Entre os nomes que moldaram o espírito pioneiro estiveram o Dr. Adrián Brutus, que lecionou por quase 40 anos; o Dr. Dwight Evans, que atuou como vice-presidente médico da universidade; e o Dr. Jochen Hawlistchek, o terceiro diretor da escola. Juntos, esses homens e mulheres estabeleceram a base de uma escola comprometida com a excelência e o serviço.
Os primeiros formandos e uma presença global em expansão
Em 1979, Montemorelos celebrou a formatura de sua primeira turma de médicos, marcando o início de uma história que continua transformando vidas ao redor do mundo. Hoje, mais de 2.100 graduados de 65 países atuam em hospitais, clínicas e comunidades pelo globo.
Com o tempo, o currículo se fortaleceu, incorporando internatos, serviço comunitário e, mais recentemente, disciplinas inovadoras como Medicina do Estilo de Vida — um programa único no México. Essa abordagem integra áreas focadas no estilo de vida, como exercícios físicos, sono, gerenciamento do estresse, recuperação de dependências e espiritualidade na saúde, refletindo a visão integral de cura da escola.
A qualidade acadêmica do Bacharelado em Medicina e Cirurgia tem sido constantemente validada por órgãos nacionais e internacionais de acreditação. O programa foi certificado várias vezes — 2005, 2010, 2016 e 2023 — pelo Conselho Mexicano para a Acreditação da Educação Médica (COMAEM), reconhecido pela Federação Mundial para a Educação Médica (WFME).
Isso coloca o programa de medicina da Universidade de Montemorelos entre as instituições com competitividade global. A escola também é membro da Associação Mexicana de Faculdades e Escolas de Medicina (AMFEM) e da Federação Pan-Americana das Associações de Faculdades e Escolas de Medicina (FEPAFEM), além de estar listada na Comissão Educacional para Graduados Médicos Estrangeiros dos EUA (ECFMG) e no Diretório Mundial de Escolas de Medicina.
Atualmente, o programa conta com cerca de 700 estudantes de 34 países e envolve mais de 200 professores nos hospitais afiliados. Sua infraestrutura segue em expansão, contando hoje com avançadas instalações de simulação clínica e espaços modernizados para formação médica.
“O legado mais duradouro do Bacharelado em Medicina e Cirurgia está em seus graduados — profissionais que combinam excelência acadêmica com compaixão e fé em sua prática diária”, afirmou o Dr. Ismael Castillo, reitor da Universidade de Montemorelos desde 1979. Desde hospitais altamente especializados até comunidades rurais remotas, médicos formados em Montemorelos servem com distinção e dedicação, acrescentou.
Entre seus muitos ex-alunos de destaque estão:
• Dr. José Luis Alomía, ex-diretor nacional de Epidemiologia no México e atual Secretário de Saúde em Sonora.
• Ofelia Álvarez, coronel do Exército dos Estados Unidos.
• Amed Soliz, renomado neonatologista e fundador da organização humanitária Babies Without Borders.
• Tricia Penniecook, ex-diretora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda.
Além de figuras de destaque, centenas de outros graduados cumprem discretamente seu chamado em hospitais, clínicas e campos missionários, levando saúde, esperança e a luz da fé a todos os cantos do mundo, destacou Castillo.
Inovação para o futuro
Nos últimos anos, a Escola de Medicina tem fortalecido sua abordagem acadêmica por meio do treinamento em simulação clínica, avaliações padronizadas como o Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE) e outras estratégias inovadoras de ensino.
Resultados do Centro Nacional de Avaliação para a Educação Superior (CENEVAL), no México, confirmam de forma consistente a alta qualidade dos estudantes de Montemorelos, que não apenas se destacam em seus testes, mas frequentemente conquistam distinções nacionais de excelência, afirmou Castillo.
Além disso, por meio de iniciativas como a Associação de Alunos Latino-Americanos Médicos Missionários Adventistas (AALMMA) — o grupo missionário estudantil da universidade — e de projetos comunitários interdisciplinares que reúnem estudantes de toda a Faculdade de Ciências da Saúde para servir em ações de alcance integral, a mesma missão continua sendo vivida na prática.
Meio século de missão — um futuro ainda a ser escrito
Ao celebrar o 50º aniversário do Bacharelado em Medicina e Cirurgia da Universidade de Montemorelos, a instituição reafirma com orgulho a visão que lhe deu origem: formar médicos que curem com ciência e sirvam com fé.
Meio século depois, essa visão permanece viva, disse Castillo: “Educar profissionais que atendam às necessidades médicas da sociedade, levando compaixão e esperança a cada paciente que encontrarem.”
Esse marco não é apenas um resumo de conquistas, afirmou Castillo. “É a história de um legado vivo, continuamente escrito pelas mãos e pelos corações de cada estudante e graduado ao redor do mundo.”
Cada geração, cada professor e cada ex-aluno contribuiu para essa história contínua — uma história que merece ser lembrada com gratidão e orgulho, disseram representantes da universidade.
A Universidade de Montemorelos celebrará essa trajetória extraordinária no próximo mês, durante a comemoração do 83º aniversário da instituição.
Quando foi fundada, em 1975, o programa era chamado de “Escola de Medicina”, já que todos os programas profissionais na época recebiam essa designação. Ao longo dos anos, tornou-se oficialmente o “Bacharelado em Medicina e Cirurgia”, embora o título “Escola de Medicina” continue sendo valorizado como parte de sua identidade histórica.
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Interamericana. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.












