Um grupo de 34 voluntários da Universidade Adventista Southern viajou, em maio de 2025, para um país asiático localizado na Janela 10/40, região conhecida pelo acesso limitado à Bíblia, para uma missão de duas semanas. Eles atuaram em parceria com a missão local da Igreja Adventista do Sétimo Dia para servir comunidades em situação de vulnerabilidade e, durante a viagem, receberam inclusive um agradecimento do presidente do país.
Os voluntários, entre eles quatro dentistas com suas famílias e 19 estudantes da Southern, trabalharam ao lado de adventistas locais na realização de clínicas médicas e odontológicas, na condução da Escola Bíblica de Férias e no apoio a projetos de construção. O trabalho chamou a atenção do presidente da nação, que convidou o grupo a visitar o palácio presidencial em reconhecimento ao serviço prestado e elogiou a iniciativa e o compromisso em apoiar a saúde da população local.
“Foi uma oportunidade de testemunho”, relembra Paulo Dias, médico e professor do Departamento de Biologia e Ciências da Saúde da Southern, além de principal responsável pela viagem. “Creio que Deus criou uma oportunidade para que mentes fossem transformadas e o evangelho pudesse prosperar ali.”
O grupo se deslocava diariamente a vilarejos remotos, onde a equipe odontológica realizou 550 procedimentos e a equipe médica auxiliou em mais de 30 cirurgias. A participação na Escola Bíblica de Férias mais que triplicou ao final da segunda semana. Os voluntários também ajudaram a instalar telhado, paredes e janelas em um prédio escolar onde o ensino de inglês é parte fundamental da estratégia de alcance missionário.
“O conceito por trás dessas missões de curto prazo é ajudar sem causar prejuízo”, afirma Julie Devlin, coordenadora do programa Vision Trips da Southern. “Caminhamos ao lado da comunidade local para servir e apoiá-la. Esse também foi o método de Jesus.”
Provisão e providência
O impacto da educação adventista tem crescido na região. A primeira igreja adventista do país contava com apenas três membros ainda em 2022. Desde então, uma escola foi inaugurada e, atualmente, a membresia da igreja ultrapassa 40 pessoas, enquanto a escola adventista passou de seis alunos para mais de 500, dos quais 80% não são adventistas.
Antes da viagem, enquanto o ministro da educação do país avaliava as escolas adventistas locais, foi determinado que, para continuarem em funcionamento, todas precisariam ter um laboratório de informática. A missão adventista manifestou preocupação com o impacto financeiro da exigência, mas a resposta veio apenas uma semana depois. O Departamento de Tecnologia da Informação da Southern estava substituindo equipamentos e doou 62 computadores portáteis e nove projetores.
“As escolas locais são muito simples”, explica Dias. “Quando o requisito foi anunciado, o presidente da missão adventista achou que seria impossível, mas apenas uma semana depois Deus providenciou.”
Uma companhia aérea local também isentou o grupo das taxas de bagagem, permitindo o transporte dos computadores e de suprimentos médicos essenciais sem custo adicional.
A equipe da universidade também testemunhou histórias marcantes de perdão e transformação. Em um dos vilarejos, um missionário local convidou para a clínica odontológica um homem que anteriormente o havia tratado mal. O homem aceitou com relutância, mas, ao final da visita, havia se tornado amistoso. Até mesmo o chefe da aldeia, que antes se opunha às iniciativas adventistas, entrou em contato posteriormente para expressar gratidão e solicitar mais apoio.
“Essas visitas significam muito para nossos membros”, disse o presidente da missão, com a voz embargada. “Elas nos encorajam ao mostrar que outras partes do mundo se importam com a obra de Deus aqui.”
Transformados pelo serviço
Para muitos estudantes, a experiência foi transformadora.
Johnny Rojas, calouro do curso de engenharia, inicialmente planejava servir em outro local, mas mudou seus planos quando surgiu a oportunidade. “Talvez o Senhor estivesse tentando me mostrar algo”, reflete. Mesmo após longos dias de trabalho na construção, ele e outros estudantes ainda encontravam energia para ajudar na Escola Bíblica de Férias e nas atividades da cozinha. “É isso que quero fazer pelo resto da minha vida. Quero sentir que sou missionário todos os dias.”
Carol Zamora, estudante do segundo ano de enfermagem, compartilhou como momentos simples, como criar laços com meninas locais apesar da barreira do idioma, deixaram uma marca profunda. “A parte mais triste para mim foi ter de ir embora”, afirma. “Criamos conexões muito significativas.”
Devlin acrescenta que o serviço faz parte do espírito da instituição. “Para muitos estudantes, o serviço muda tudo”, destaca.
Dias reforça esse sentimento: “Servir, ser útil, não há lugar melhor para se estar.”
A versão original deste artigo foi publicada no site da Universidade Adventista Southern.







