A missão adventista do sétimo dia nas cidades do mundo não pode depender de um único modelo ou abordagem, afirmou Manuel Arteaga aos membros do Comitê Executivo da Associação Geral (AG), em 11 de outubro, ao conclamar os líderes da Igreja a ouvir com mais atenção as comunidades que desejam alcançar.
Arteaga, diretor do Centro de Missão Global para a Missão Urbana (CMU) da AG, apresentou seu relatório no terceiro dia do Concílio Anual, destacando lições de projetos de missão urbana ao redor do mundo e apresentando novas iniciativas destinadas a conectar, inspirar e capacitar missionários urbanos e pessoas que trabalham no plantio de igrejas.
“Não existe uma única realidade que possamos chamar de ‘a cidade’”, disse Arteaga. “Temos cidades, e elas são diversas, são diferentes, e cada uma tem um contexto diferente.” A missão urbana, acrescentou, exige que a Igreja “aprenda a se comunicar com cada um desses contextos”.
Com base na experiência do Pentecostes, Arteaga afirmou que a igreja primitiva não esperou que as pessoas aprendessem primeiro sua língua. Em vez disso, por meio do Espírito Santo, a Igreja aprendeu a falar a língua delas.
Esse princípio, disse ele, orienta o trabalho do CMU, um dos seis Centros de Missão Global que apoiam a Igreja na tarefa de compartilhar o evangelho em diferentes contextos culturais e religiosos. Em vez de exportar um único modelo de missão urbana para todo o mundo, o centro trabalha com as divisões para desenvolver abordagens adequadas a cada cidade.
“Há um único evangelho que proclamamos. Sabemos que temos uma única missão como Igreja”, afirmou Arteaga. Mas alcançar cidades diversas, acrescentou, exige que a Igreja fale com “muitos sotaques urbanos”.
Ouvindo as cidades
Ao longo do último ano, os líderes do CMU visitaram várias regiões para ouvir, aprender e desenvolver abordagens missionárias em parceria com os líderes locais. Essas conversas se concentraram em uma pergunta central: “O que nossas cidades estão dizendo?”
Arteaga afirmou que o plantio eficaz de igrejas em áreas urbanas precisa ir além de simplesmente estabelecer igrejas nas cidades ou para as cidades. As congregações, disse ele, devem “compartilhar a vida com a cidade”, compreendendo suas comunidades e construindo pontes com as pessoas que vivem ali.
O centro também trabalhou com líderes da Igreja para desenvolver iniciativas missionárias contextualizadas para cidades prioritárias e produzir Vida Urbana na Palavra (Urban Life in the Word), um novo material de estudos bíblicos elaborado para explorar as profecias bíblicas a partir de uma perspectiva urbana.
O material faz parte de uma série mais ampla de estudos bíblicos desenvolvida em conjunto pelos seis Centros de Missão Global para alcançar pessoas de diferentes origens religiosas e culturais. Os estudos incluem materiais voltados a públicos judeus, budistas, hindus, urbanos e seculares.
Os planos preveem que os estudos sejam disponibilizados online por meio da Escola Bíblica Global da Rádio Mundial Adventista. Também será oferecida capacitação online para ajudar membros e obreiros a utilizá-los. Em colaboração com os Centros de Missão Global, as divisões também poderão adaptar os materiais aos seus próprios contextos culturais e missionários.
“Não temos a resposta”, disse Arteaga sobre o papel do CMU. “Estamos aqui para caminhar ao lado de vocês e discernir juntos respostas fiéis”, o que inclui perguntar o que o Espírito Santo já está fazendo nas cidades ao redor do mundo.
A missão assume diferentes formas
Arteaga ilustrou essa abordagem com experiências de visitas recentes ao Japão e a cidades de Taiwan, onde viu a missão assumir diferentes formas conforme as oportunidades de cada comunidade.
Em Tóquio, no Japão, os adventistas estão usando a hospitalidade, igrejas nos lares e centros urbanos de influência para se conectar com as pessoas em uma das cidades mais secularizadas do mundo.
Uma dessas igrejas nos lares começou durante a pandemia de Covid-19, depois que uma mulher que enfrentava um diagnóstico de câncer passou a realizar cultos em casa com seus filhos. Certo sábado, um menino da vizinhança bateu à porta e perguntou se poderia participar. Ele voltou com amigos, e o grupo continuou a crescer. Arteaga afirmou que cerca de 20 jovens adultos agora se reúnem regularmente na casa dela para os cultos.
Manuel Artega presents a report on the Center for Urban Mission.
A proposta do Hub dos Sonhadores é conectar missionários urbanos e pessoas que trabalham na implantação de igrejas ao redor do mundo, criando um espaço onde experiências e ideias possam inspirar novas iniciativas missionárias.
[Foto: George Nelson/AME (CC BY 4.0)]
Manuel Arteaga explica como o Centro de Missão Urbana trabalha em parceria com as divisões para desenvolver abordagens missionárias adequadas à realidade de suas cidades.
[Foto: George Nelson/AME (CC BY 4.0)]
A Academia dos Sonhadores, uma iniciativa online que será lançada pelo Centro de Missão Urbana, oferecerá capacitação e orientação a pessoas interessadas em desenvolver projetos de missão urbana.
[Foto: George Nelson/AME (CC BY 4.0)]
“Um nome, um evangelho, uma missão, muitos sotaques” resume a ênfase do Centro de Missão Urbana em compartilhar o mesmo evangelho por meio de abordagens adaptadas aos diferentes contextos urbanos.
[Foto: George Nelson/AME (CC BY 4.0)]
Lisa M. Beardsley-Hardy (à direita), diretora de Educação da Associação Geral, entrega a Luis Rivera, presidente da União Porto-Riquenha, um conjunto de estudos bíblicos desenvolvido pelos seis Centros de Missão Global para ajudar os adventistas a se conectar com pessoas de diferentes contextos religiosos, culturais e urbanos. Os materiais serão adaptados para uso em diferentes realidades.
[Foto: George Nelson/AME (CC BY 4.0)]
Em Taiwan, Arteaga conheceu um empresário cujo encontro com Jesus mudou a maneira como ele usava seu tempo e seus recursos. Um apartamento comprado com o dinheiro que sua mãe havia economizado para a aposentadoria tornou-se um local de culto em sua comunidade. Para se conectar com os vizinhos, ele começou a tocar ukulele e a compor músicas baseadas nas histórias deles.
“O que vemos nele é alguém que usa fielmente seu tempo e seus talentos para alcançar pessoas para Jesus Cristo”, disse.
Outra experiência foi a de um pastor coreano que atua em Taiwan. Inicialmente, ele tentou alcançar estudantes de uma universidade próxima, mas encontrou restrições. O interesse pela cultura coreana acabou oferecendo outra forma de conexão. Os estudantes procuraram o pastor para aprender coreano, e esses relacionamentos deram origem a um clube de idiomas. Arteaga afirmou que, desde então, o ministério se expandiu, criando oportunidades para se conectar com os estudantes e compartilhar o evangelho.
Encontrando os próximos missionários urbanos
Essas experiências levaram Arteaga a voltar sua atenção para pessoas que talvez já tenham ideias para alcançar suas cidades, mas precisem de incentivo e apoio para seguir em frente.
“Quantos outros missionários em potencial existem?”, perguntou. “Quantos outros jovens adultos ficam acordados à noite, imaginando a nova igreja que sonham implantar e na qual acreditam?”
Arteaga apresentou os planos de uma nova iniciativa global voltada àqueles que chamou de “Sonhadores”, com o objetivo de conectar pessoas que têm uma visão para a missão urbana. A iniciativa prevê uma série de vídeos que reunirá, em um só lugar, experiências de missionários, centros urbanos de influência, projetos de implantação de igrejas e igrejas nos lares de diversas partes do mundo.
“Um espaço onde ‘Sonhadores’ inspiram ‘Sonhadores’ a realizar a missão”, disse Arteaga. “Um espaço onde a missão concretizada desperta novas iniciativas missionárias. Um espaço onde um avanço na missão de alguém se torna o início da missão de outra pessoa.”
O centro também planeja lançar a Academia dos Sonhadores, um espaço online onde os interessados em iniciar um projeto de missão urbana poderão aprender os passos necessários e receber orientação. Também está prevista a publicação de um Manual dos Sonhadores e histórias de pessoas que trabalham na implantação de igrejas, pioneiros de centros urbanos de influência, líderes de igrejas nos lares e outros missionários urbanos.
Arteaga encerrou seu relatório retomando a ideia de que alcançar as cidades exige que a Igreja compreenda seus diferentes contextos e aprenda a se comunicar com eles.
“A cidade pode não falar nossa língua, mas o Espírito Santo nos ensina a falar a língua dela”, disse. “Um nome. Um evangelho. Uma voz. E faremos isso com muitos sotaques urbanos.”





