“No livro de registros do Céu, as estatísticas não são números administrativos frios. Cada algarismo representa uma alma, cada gráfico conta uma história da graça divina e cada tabela reflete uma igreja trabalhando no campo da colheita.”
Com essas palavras, Pierre Caporal, secretário executivo da Divisão Interamericana (DIA), deu o tom ao Relatório da Secretaria apresentado a mais de 200 membros da Comissão Diretiva durante o Concílio Anual da DIA, em 2 de novembro, em Bogotá, Colômbia.
Apresentado sob o tema “Uma Voz, Uma Colheita: Contando Almas, Vivendo a Missão”, o relatório destacou um aumento no número de batismos, acompanhado de uma redução no número de membros registrados e de preocupações com a frequência dos jovens à igreja, ressaltando a necessidade de fortalecer o discipulado, a permanência dos membros e o cuidado pastoral nas 25 uniões da DIA.
Caporal enfatizou que “o Regulamento Eclesiástico-Administrativo é um dos elos que mantêm a organização da igreja unida”, destacando a importância de princípios compartilhados e de uma atuação missionária coordenada em todo o território.
Com base no apelo do apóstolo Paulo para glorificar a Deus “com um só pensamento e uma só voz”, em Romanos 15:5-6, Caporal relembrou a fundação da DIA em Balboa, Panamá, em 1922, quando os pioneiros da igreja enfrentaram o desafio de unir um território separado por vastos oceanos, diferentes idiomas herdados da colonização e fronteiras políticas.
“A sabedoria humana sugeria que a unidade entre o Caribe, a América Central e o norte da América do Sul era impossível”, disse Caporal. “No entanto, unidos por uma mesma bendita esperança, nossos antecessores escolheram falar a uma só voz.”

Esse compromisso compartilhado com a unidade e a missão, observou ele, lançou as bases para mais de um século de crescimento da igreja. Dos 9.017 membros que tinha em sua fundação, a divisão passou a contar com 68.166 em 1972 e ultrapassou a marca de dois milhões em 2000. Hoje, reúne mais de 3,7 milhões de membros em 25 uniões e mais de 25.600 congregações.
Avanços evangelísticos em meio à redução no número de membros
Apesar do crescimento ao longo dos anos, os dados mais recentes sobre o número de membros revelaram um cenário mais complexo.
Janelle Scantlebury-Smith, secretária associada da DIA, apresentou estatísticas que comparam os terceiros trimestres de 2025 e 2026, destacando avanços evangelísticos e desafios relacionados à permanência dos membros na igreja.
O número de batismos aumentou de 37.591 para 48.997, enquanto os rebatismos passaram de 6.072 para 7.137. As profissões de fé também cresceram, de 1.079 para 1.455. Juntas, as três categorias representaram um aumento de quase 29% nas admissões de membros, de aproximadamente 44.700 para 57.600.

Apesar desses avanços, o número de membros registrados nas 25 uniões da DIA diminuiu em 59.608, ou aproximadamente 1,58%. Treze uniões registraram aumento, enquanto 12 relataram redução.
“Se as admissões estão aumentando, por que, ao mesmo tempo, observamos uma redução geral no número de membros registrados?”, perguntou Scantlebury-Smith.
Ela informou que as perdas e remoções de membros diminuíram 55%, passando de 82.157 para 36.768, mas alertou que essa redução refletia, em grande parte, um menor número de ajustes administrativos, sem necessariamente indicar uma melhora na permanência dos membros na igreja.
Segundo ela, os números devem levar os administradores a avaliar não apenas quantas pessoas estão ingressando na igreja, mas também a eficácia do cuidado oferecido àquelas que já constam em seus registros de membros. Ao final do terceiro trimestre de 2026, a DIA contava com 3.714.687 membros registrados.

Frequência dos jovens à igreja gera preocupação
Segundo os dados, os jovens de 16 a 35 anos representam mais de 35% dos membros registrados da DIA.
O relatório identificou 991.421 membros nessa faixa etária, mas apenas 169.894, aproximadamente 17%, foram classificados como frequentadores regulares da igreja.
Os outros 821.527, ou 83%, foram registrados em outras categorias de frequência. Scantlebury-Smith alertou que os números não indicam necessariamente que todos estejam inativos, pois alguns podem frequentar outras congregações ou ter classificações em seus registros de membros que ainda precisam ser atualizadas.
Ela pediu uma análise cuidadosa para verificar a situação desses membros e identificar oportunidades de cuidado pastoral.

Os batismos por meio dos clubes de Aventureiros, Desbravadores e Líderes também diminuíram 16,5% em uma amostra de nove uniões, passando de 16.583 em 2025 para 13.851 em 2026. Os Desbravadores registraram a maior queda, de 24,4%. A amostra não representou toda a divisão.
“Eles estão envolvidos? Estamos discipulando esses jovens? E estamos mobilizando-os para a missão?”, perguntou ela.
Fortalecendo o cuidado com os membros e a responsabilidade por seu acompanhamento
O secretário adjunto da DIA, Álvaro Niño, relatou avanços na Revisão Geral de Membros (GER, na sigla utilizada no relatório), uma iniciativa voltada a identificar membros que perderam o vínculo com suas congregações e oferecer oportunidades de restauração.
Niño informou um aumento de 68,6% nas classificações de membros em relação ao ano anterior, enfatizando que a revisão deve servir como uma estratégia de cuidado pastoral, e não apenas para corrigir os registros de membros.

Ele também destacou as avaliações contínuas e o desenvolvimento profissional das equipes de secretaria, além do centenário do Regulamento Eclesiástico-Administrativo da Associação Geral, que tem contribuído para orientar a unidade organizacional e as práticas administrativas.
Até setembro, o Sistema Adventista de Gestão de Igrejas (ACMS) contava com aproximadamente 3,5 milhões de registros de membros, e 86,7% das congregações registravam atividades no sistema, evidenciando a necessidade de capacitação contínua e de relatórios mais completos.
O relatório também destacou avanços na Enciclopédia dos Adventistas do Sétimo Dia, com 380 dos 461 documentos atribuídos à divisão concluídos.
Iniciativas missionárias mobilizam jovens voluntários
Samuel Telemaque, diretor de Missão Adventista da DIA, destacou iniciativas transculturais voltadas a alcançar comunidades com presença adventista limitada e a envolver jovens adultos no serviço missionário.

Ele mencionou um encontro de plantio intercultural de igrejas realizado em Trinidad e Tobago no início deste ano, que capacitou os participantes para atuar entre pessoas secularizadas, indígenas, muçulmanas e outras comunidades.
Telemaque relatou que, após seis meses de preparação, 75 jovens voluntários de 14 uniões estabeleceram 10 congregações durante uma iniciativa missionária de 10 dias na Guiana Francesa.
“Cinquenta e duas pessoas foram batizadas, e as novas igrejas continuam recebendo novos membros”, afirmou.
Ele acrescentou que, desde então, 40 voluntários começaram a plantar igrejas entre populações de difícil acesso, ressaltando o impacto da iniciativa no envolvimento dos jovens.

“Essa é uma excelente maneira de promover a permanência e a conservação dos membros”, afirmou Telemaque, enfatizando o papel do serviço missionário no fortalecimento do vínculo dos jovens com a igreja.
Ele também destacou parcerias para a capacitação em missão intercultural e a ampliação das oportunidades de voluntariado em toda a divisão.
Direcionamento estratégico para 2027
Ao concluir o relatório, Caporal apresentou as prioridades da Secretaria para o restante do quinquênio de 2025–2030, incluindo mobilização missionária, capacitação das equipes de secretaria, plantio de igrejas, discipulado, revisão dos registros de membros e transformação digital.

As metas incluem capacitar 200 plantadores de igrejas, mobilizar 200 voluntários até 2030, estabelecer classes pós-batismais em 80% das igrejas e elevar de 60% para 80% a taxa de permanência dos membros após dois anos.
Caporal também defendeu a integração plena do ACMS nas 25 uniões da divisão e uma maior coordenação entre o trabalho administrativo e o evangelismo.
Ele enfatizou que as revisões dos registros de membros devem se concentrar em identificar, visitar e resgatar os membros que perderam o vínculo com a igreja, em vez de simplesmente remover nomes dos registros.
Líderes pedem maior envolvimento dos jovens e cuidado pastoral
Após o relatório, os membros da Comissão Diretiva expressaram preocupações com o envolvimento dos jovens e a necessidade de fortalecer o cuidado pastoral.

Daniel Torreblanca, diretor do Ministério Jovem da DIA, questionou se os jovens, que representam uma parcela significativa dos membros da divisão, estão devidamente representados na liderança e nas decisões da igreja.
Ele expressou preocupação com os jovens que perdem o vínculo com suas congregações locais na transição dos clubes de Desbravadores para a universidade, especialmente aqueles que frequentam instituições não adventistas.
Torreblanca defendeu maior investimento no Ministério de Universitários Adventistas e um apoio mais intencional durante essa transição.
“Estamos sendo relevantes para os jovens?”, perguntou. “O mundo está mudando muito rápido.” Ele pediu aos líderes que respondam com mais do que programas. “Precisamos de respostas. E precisamos de um compromisso.”

Kamila Soto, representante leiga da União Venezuelana Ocidental, destacou o serviço missionário como uma forma de fortalecer o envolvimento dos jovens. Ao mencionar a iniciativa na Guiana Francesa, ela afirmou que voluntários que inicialmente viam a experiência como uma oportunidade de viajar retornaram com um senso de missão mais profundo. Ela incentivou os líderes das uniões a ampliar as oportunidades para os jovens servirem tanto em suas comunidades quanto no exterior.
O presidente da DIA, Abner De los Santos, reconheceu os desafios, mas enfatizou que muitos jovens continuam participando ativamente da vida da igreja.
“Precisamos caminhar junto com eles”, afirmou.
O secretário associado da Associação Geral, Gerson Santos, reconheceu as preocupações com o afastamento dos jovens, mas apontou o aumento dos batismos e rebatismos como sinais animadores de crescimento evangelístico. Ele também elogiou os esforços da Secretaria para fortalecer o profissionalismo por meio de capacitações e avaliações, enfatizando a importância de registros precisos para o cuidado pastoral.

“Se não classificarmos os membros, não saberemos onde estão. Não poderemos cuidar deles”, afirmou Santos, ressaltando que as revisões dos registros de membros devem se concentrar em identificar e resgatar os membros, em vez de simplesmente remover nomes dos registros da igreja.
Ele também pediu que as divergências entre os dados do ACMS e os relatórios estatísticos oficiais sejam corrigidas para melhorar a precisão das informações e o cuidado com os membros.
Reforçando essa preocupação, o secretário ministerial da DIA, Josney Rodríguez, alertou que o excesso de programas e eventos da igreja pode desviar a atenção do cuidado com os membros e do apoio ao seu crescimento espiritual.
“Precisamos continuar nos lembrando de que somos pastores”, afirmou Rodríguez, incentivando os líderes a priorizar a atenção pessoal e o cuidado espiritual acima das atividades e do crescimento numérico.

José Bouchot, presidente da União Mexicana de Chiapas, incentivou os líderes a fortalecer o discipulado e a permanência dos jovens na igreja, colocando o evangelismo no centro dos ministérios existentes, incluindo os clubes de Desbravadores e os camporis.
Ele mencionou um campori de Desbravadores realizado recentemente em Chiapas que resultou em aproximadamente 1.000 batismos, com jovens e seus conselheiros ativamente envolvidos em levar os candidatos a Cristo. Bouchot enfatizou que os encontros de jovens devem celebrar os esforços missionários contínuos, em vez de funcionar como eventos isolados.
Luis Aguillón, secretário executivo da União de El Salvador, recomendou incluir indicadores de permanência dos membros a longo prazo nos próximos relatórios, enquanto Roberto Herrera, diretor de Mordomia Cristã da DIA, enfatizou a importância de fortalecer as congregações locais para cuidar dos membros em meio ao crescimento contínuo da igreja.
Roberto Herrera, diretor de Mordomia da DIA, também destacou a importância de fortalecer as congregações locais como espaços onde os membros possam se desenvolver espiritualmente, observando que o rápido crescimento da igreja traz consigo a responsabilidade igualmente importante de cuidar daqueles que se unem a ela.

Ao encerrar a discussão, De los Santos agradeceu a Caporal e à equipe da Secretaria, bem como aos secretários das uniões e dos campos locais, pelos esforços para apresentar um panorama mais claro do crescimento, dos desafios e das prioridades da igreja para o avanço de sua missão.
A Comissão Diretiva votou aceitar formalmente o Relatório da Secretaria.
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão Interamericana.





