Convocando a igreja a uma renovada vigilância espiritual, o defensor da liberdade religiosa adventista do sétimo dia Nigel Coke recentemente incentivou os membros da igreja a permanecerem preparados enquanto defendem a liberdade de consciência para todos. Ele destacou a histórica oposição da Igreja Adventista do Sétimo Dia às tentativas de impor legalmente o domingo como um dia universal de descanso, lembrando aos ouvintes que os adventistas se opõem a esse tipo de legislação há mais de 160 anos, seja quando apresentada em linguagem explicitamente religiosa, seja quando justificada por argumentos seculares, como saúde pública, unidade nacional ou bem-estar familiar.
Durante um sermão recente intitulado “É tempo de comprar”, baseado em Apocalipse 3:14–22, Coke, que é diretor de assuntos públicos e liberdade religiosa da União Jamaicana, alertou que, em meio ao aumento da ansiedade global, da divisão social e das crescentes ameaças à liberdade religiosa, o povo de Deus nos últimos dias enfrenta dois perigos principais: a mornidão espiritual interna e as restrições externas à liberdade religiosa.
Coke compartilhou essas declarações durante a celebração do Dia da Liberdade Religiosa na Igreja Adventista do Sétimo Dia Andrews Memorial, em Kingston, no dia 24 de janeiro, coincidindo com o Sábado da Liberdade Religiosa da Igreja Adventista do Sétimo Dia, observado mundialmente no terceiro sábado de janeiro. Trata-se de um dia especial dedicado à promoção e à defesa da liberdade de consciência e de culto para todas as pessoas.
A Jamaica abriga uma das maiores comunidades adventistas da região, com mais de 354 mil membros adorando em aproximadamente 740 igrejas e congregações, o que representa cerca de um adventista do sétimo dia para cada 12 habitantes na ilha. A mensagem ganhou maior visibilidade pública após ser publicada pelo The Jamaica Observer, um dos principais jornais do país.
Preocupações com a legislação sobre descanso dominical
Citando uma proposta recente na América do Norte que promove um “dia uniforme de descanso” legalmente imposto aos domingos, Coke afirmou que o plano, promovido por um grupo com sede em Washington, D.C., incentiva os governos a limitarem a atividade comercial a fim de fortalecer a vida familiar, o envolvimento espiritual e a coesão social. Embora reconheça que o descanso, o tempo em família e a estabilidade comunitária sejam valores positivos, ele alertou que tais propostas levantam sérias preocupações.
“Essas propostas, por mais bem-intencionadas ou apresentadas de forma patriótica que sejam, ultrapassam um limite fundamental quando, na prática, favorecem o dia de culto de uma tradição religiosa em detrimento de outras”, afirmou Coke. “Os adventistas do sétimo dia acreditam na liberdade de toda religião, seja batista, católica ou muçulmana. Todos devem ter o direito de adorar em qualquer dia que escolherem, seja domingo, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira ou sábado.”
Ele acrescentou que as limitações ao comércio aos domingos podem parecer leves ou inofensivas para muitos, mas podem criar desafios reais para aqueles que adoram em outros dias, incluindo adventistas do sétimo dia, judeus ortodoxos e membros de outras comunidades religiosas. Para esses grupos, tais leis podem restringir sua capacidade de trabalhar, administrar negócios ou atuar livremente na sociedade, além de exercer pressão indireta para que adotem o domingo como dia sagrado oficial.
A proposta entra em conflito com a tradição histórica da Primeira Emenda dos Estados Unidos de proteger a liberdade religiosa de todos os cidadãos, que exige neutralidade governamental entre as diferentes religiões. Historicamente, os adventistas têm visto tais medidas como tentativas, ainda que sutis, de sobrepor-se à liberdade de consciência.
“Todos têm o mesmo direito de adorar a quem quiserem, quando quiserem, onde quiserem, o que quiserem e da maneira que desejarem adorar”, declarou Coke.
Utilizando o apelo repetido “É tempo de comprar”, Coke incentivou os fiéis a aceitarem os dons espirituais que Jesus oferece em Apocalipse 3:18: o “ouro” provado no fogo, que representa a fé que atua pelo amor; as “vestes brancas”, simbolizando a justiça de Cristo; e o “colírio”, que permite discernir entre o bem e o mal, como a única preparação segura para crises futuras. No centro dessa preparação, afirmou ele, está uma compreensão clara, fundamentada na Bíblia, sobre liberdade religiosa e uma rejeição firme às tentativas de legislar um dia específico de culto.
Um chamado ao discernimento espiritual
Ao relacionar o debate sobre o descanso dominical com a linguagem de Apocalipse 3:18, o sermão conectou diretamente a questão ao chamado de Cristo para “ungir os olhos com colírio, para que vejas”. Esse “colírio”, explicou Coke, simboliza o discernimento espiritual necessário para navegar por desenvolvimentos complexos e frequentemente confusos na sociedade e na legislação.
“Se há um momento em que precisamos de colírio espiritual, é agora”, afirmou Coke. “Seja um dia de oração ou 10 dias de oração, a principal prioridade em nossa agenda deve ser a oração por discernimento. Vivemos em uma era de fake news e de todo tipo de informação. O colírio nos ajuda a discernir o bem do mal.”
“Precisamos desesperadamente desse discernimento hoje”, continuou ele, “porque leis podem ser apresentadas em nome da ‘unidade’ ou da ‘segurança’, mas, de forma sutil, corroer a consciência. O colírio concedido pelo Espírito nos permite ir além das aparências, discernir os sinais dos tempos, reconhecer a direção de Deus e perceber quando a liberdade religiosa, ainda assegurada formalmente, começa a ser comprometida na prática em várias partes do mundo, inclusive na Jamaica.”
Ele incentivou os fiéis a se manterem informados sobre questões relacionadas à liberdade religiosa, interpretando os acontecimentos atuais a partir de uma perspectiva bíblica, e não meramente política. Também os exortou a submeter cada movimento à oração, à orientação do Espírito Santo e aos ensinos das Escrituras, como parte essencial da preparação para o tempo do fim.
Nesse contexto, convidou a igreja a “comprar” de Cristo o ouro da fé viva, as vestes brancas de Sua justiça e o colírio da clareza espiritual, lembrando que somente um coração transformado pela graça pode permanecer firme em amor quando as pressões aumentam. Desafiou ainda os presentes a utilizarem as liberdades atuais para adorar, testemunhar, servir à comunidade e defender a liberdade de consciência para todas as pessoas.
“Agora, enquanto a graça é oferecida livremente, enquanto ainda temos a liberdade de adorar, estudar e testemunhar, Cristo nos convida a comprar dEle as únicas riquezas que permanecerão”, concluiu Coke.
A versão original deste artigo foi publicada no site de notícias da Divisão Interamericana.







