Durante a 62ª Assembleia da Associação Geral, um pequeno público assistiu enquanto Phil e Paul — robôs de bioengenharia personalizados da Walla Walla University (WWU) — colaboravam com uma precisão impressionante. Criados por estudantes da WWU, Phil produzia estruturas microscópicas para cultivo de tecidos, enquanto Paul manipulava uma bola de pingue-pongue, gravava nela as letras “WW” e a lançava por uma calha. Mas aquilo não era apenas uma demonstração divertida — representava o trabalho inovador da universidade na área de engenharia de tecidos.
Estudantes de bioengenharia utilizam essa mesma estrutura, chamada de matriz, para inserir células e manipulá-las até que se desenvolvam em tecido muscular humano funcional.
“Se você perde uma parte grande do músculo do braço, não é possível fazer enxertos de pele para isso”, explicou Jodi Wagner, vice-presidente de marketing da Walla Walla. “É preciso mais tecido muscular do que o próprio corpo pode fornecer. Então algo como isso pode ser útil.”
O estande da Walla Walla, voltado para seus departamentos de ciência, foi um dos vários no salão de exposições da Assembleia Geral que exemplificavam a interação entre inovação, fé e serviço.
Um Testemunho Silencioso por Meio da Ciência
“Se é engenharia, é Walla Walla”, declarou o presidente Alex Bryan. Os ex-alunos da universidade atuam em grandes organizações como NASA, Lockheed Martin e Amazon. No entanto, mais importante do que isso, segundo Jodi Wagner, vice-presidente de marketing e serviços de matrícula da WWU, é que “estamos formando engenheiros com fé, para que possam abençoar todas as áreas da nossa vida. Eles têm corações voltados para o serviço.”
Esse espírito de serviço impulsiona projetos dos estudantes, que vão desde o desenvolvimento de acessórios para as igrejas de um dia da Maranatha até a instalação de torres de rádio em ilhas remotas e a ajuda na purificação da água por meio da iniciativa Engenharia Sem Fronteiras.
Wagner destacou: “Se temos pessoas na linha de frente dessas áreas da ciência, todos nos beneficiamos — não apenas pelos produtos que elas desenvolvem, mas também pelo testemunho que podem dar nesses ambientes. É uma oportunidade incrível de testemunhar de forma silenciosa e reverente.”
Tecnologia Ampliando o Alcance do Ministério
Em outro canto do salão, o Instituto Adventista de Tecnologia (IATec) mostrou como a inovação pode ampliar a eficácia ministerial. Com atuação no Brasil, Bolívia e Peru, o IATec oferece soluções tecnológicas para as áreas de educação, finanças, recursos humanos e outras operações da igreja, atuando principalmente na Divisão Sul-Americana.
Por meio de uma parceria com a Associação Geral, o instituto opera o Adventist Church Management System (ACMS), o sistema oficial global de membros e tesouraria da igreja, além do aplicativo 7me, uma plataforma móvel personalizada que conecta os membros à sua igreja local, às doações, eventos e recursos espirituais.
“O IATec foi o primeiro instituto da igreja nessa área”, afirmou o gerente de projetos Wilson Carlos Da Silva. “Igrejas e escolas podem usar essas soluções para cumprir a missão e levar o evangelho àqueles que ainda não conhecem Jesus Cristo e Sua salvação.”
Alcançando os Não Alcançados por Meio da IA
No estande da Hope Channel International, visitantes formaram filas para experimentar a Jetstream Voice Dubbing, uma ferramenta com inteligência artificial capaz de traduzir mensagens gravadas para outros idiomas. Após gravar uma mensagem de 30 segundos em duas línguas diferentes, os participantes recebiam o vídeo traduzido por e-mail em menos de 15 minutos. O Jetstream faz parte do Adventist Cloud, uma plataforma online que oferece produtos gratuitos para instituições da igreja, como o Adventist Media Exchange, gestão de pessoal e agendamento de conteúdo.
Jonathan Deyman, estudante do terceiro ano de teologia e expositor, falou sobre a utilidade dessa ferramenta para alcançar pessoas na Janela 10/40. Segundo a Adventist Global Mission, essa região abrange o Norte da África, o Oriente Médio e partes da Ásia — onde vivem a maioria das populações mais pobres e menos alcançadas do mundo, tornando-se uma das maiores prioridades para o evangelismo mundial.
“Estamos usando ferramentas como essa para alcançar as pessoas onde elas estão, especialmente quando não podemos ir fisicamente, por ser perigoso ou por falta de obreiros suficientes”, explicou.
Ele acrescentou: “A Hope Channel está buscando usar novas ferramentas para se adaptar ao mundo em que vivemos e alcançar o maior número possível de pessoas. Nosso objetivo é alcançar 1 bilhão de pessoas até 2030.”
Inovação na Mídia Guiada pelo Espírito
No estande da 7Play — um projeto de mídia do departamento de comunicação da Divisão Sul-Americana — crianças se reuniram em torno de tablets transmitindo conteúdo bíblico. A equipe descreve sua crescente coleção de filmes, séries e documentários voltados para o público infantil e juvenil como uma versão adventista e gratuita da Netflix.
Novos conteúdos são lançados toda sexta-feira às 19h, com uma programação que inclui desde séries animadas sobre os escritos de Ellen G. White até filmes com temáticas dos Desbravadores. A maior parte do conteúdo está disponível em português e espanhol, com alguns programas selecionados em inglês no YouTube.
Anteriormente conhecido como Feliz7Play (um trocadilho com “Feliz Sábado” em espanhol), o ministério hoje alcança mais de 40% de espectadores não adventistas — incluindo pessoas de outras denominações e até mesmo sem vínculo com igrejas.
“Recebemos relatos de pessoas que conheceram a Igreja por meio dos nossos filmes. Depois de assistir, elas procuram uma igreja”, contou a produtora executiva Kimberly Dias. “E há quem use nosso conteúdo para evangelizar — até mesmo nas prisões.”
Óculos e o Evangelho: Tecnologia Imersiva a Serviço da Missão
O estande do Seminário Teológico da Divisão Interamericana apresentou uma ferramenta de realidade virtual única chamada The TheoVerse Legacy. O recurso foi desenvolvido para ensinar temas teológicos complexos — como criacionismo e evolução — por meio de narrativas visuais.
Os visitantes entravam no primeiro capítulo virtual, “vivenciando” cada dia da criação por meio de cenas interativas e desafios com elementos de videogame. A experiência de realidade virtual incluía pausas para discussões orientadas por professores, com apoio de um livro complementar.
Embora a ferramenta tenha sido lançada há apenas quatro meses, o departamento de educação da divisão já solicitou que ela seja disponibilizada para todas as escolas da rede. Outros países também demonstraram interesse após visitarem o estande.
O responsável pelo projeto, Carlos Robles — presidente de eficácia institucional, planejamento estratégico e educação empresarial do seminário — contou que ele e um estudante do seminário, que também é designer de aplicativos, desenvolveram o programa ao longo de dois anos, com apoio financeiro de parceiros adventistas e não adventistas. Antes disso, um comitê formado por cientistas, educadores e teólogos estruturou o conteúdo.
Robles explicou que a motivação foi aprofundar o aprendizado para além de palestras e leituras: “Acreditamos que as pessoas se lembram daquilo que vivenciam.”
Uma Janela Virtual para Áreas Não Alcançadas
O estande da União do Oriente Médio e África do Norte (MENA) ofereceu aos visitantes uma oportunidade rara.
“Nossa união abrange 19 países, do Marrocos ao Irã”, disse Eduardo Bovo, gerente digital da MENA. “Estamos apresentando alguns países por dia... para mostrar como é a vida por lá.” Com um simples par de óculos de realidade virtual, os visitantes eram transportados para outro mundo.
Depois de mostrar a beleza da região, Bovo compartilhou algumas realidades difíceis: problemas com vistos levaram à deportação de diversos pastores e membros. Apenas uma em cada 99 mil pessoas na região é adventista. Para ajudar os visitantes a compreenderem esse desafio, Bovo os convidava novamente para o ambiente virtual.
“Criamos uma vila com 99 pessoas. Uma delas é adventista. E sua missão é encontrar essa pessoa”, explicou. Os participantes tinham um minuto para localizar o personagem segurando uma lanterna. Quem conseguia, ganhava uma mini lanterna como lembrança e era nomeado embaixador da MENA.
O principal objetivo da equipe da MENA? “Fazer com que [as pessoas] se envolvam com nossas uniões, para que não apenas ouçam falar delas, mas tenham uma experiência.” Assim como outros expositores, Bovo acredita que experiências facilitam a transformação. “É mais provável que a gente se lembre de uma experiência do que de uma conversa.”
O estande também refletia o foco crescente da MENA no uso de mídia e evangelismo digital para alcançar os não alcançados. “O digital não é um fim em si mesmo”, afirmou Bovo, descrevendo-o como uma ponte para a igreja local. “Mas acho que é isso que nos diferencia”, concluiu.
De MENA a Walla Walla e além, entidades adventistas estão combinando inovação de ponta com corações voltados para o serviço, criando modelos de missão que testemunham ao mundo.
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