Na Assembleia da Associação Geral de 2025, uma mudança silenciosa, porém profunda, está em curso. Trata-se de representação, envolvimento e missão. Para pessoas com deficiência e membros da comunidade surda, trata-se de serem vistos, ouvidos e convidados a contribuir de forma significativa para a vida e missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
De acordo com E. Douglas Venn, diretor associado do Departamento de Escola Sabatina e Ministério Pessoal da AG, atuando pelo Ministério Adventista das Possibilidades (MAP), acessibilidade não é apenas uma questão de cumprimento de normas — é uma questão de missão.
“Acredito que, no futuro, podemos esperar um foco ainda mais claro sobre as pessoas e suas contribuições para a missão por meio de suas habilidades,” disse Venn.
Em sua atuação como defensor da causa, Venn considera não apenas os aspectos físicos da acessibilidade, mas também a visibilidade e participação ativa. A verdadeira inclusão, segundo ele, vai além da prestação de serviços: trata-se de representação — ver pessoas com deficiência e membros da comunidade surda no palco, como delegados, compartilhando seus testemunhos, liderando momentos de adoração e se envolvendo diretamente na missão.
Legado de Cuidado
A Assembleia deste ano apresenta a estratégia de acessibilidade mais intencional até agora — abrangendo acesso físico, plataformas digitais e planejamento de programas. Isso reflete o compromisso crescente da igreja de que todo membro, independentemente de sua condição, tem igual valor e merece participação plena na adoração e na governança da igreja.
Esse é um passo adiante em uma jornada iniciada há décadas. Segundo Venn, a Igreja Adventista possui um legado de cuidado e inclusão que atravessa gerações.
Ele relembra a história de Charles Axelsson (1943–1988), um adventista sueco que ficou paralisado do pescoço para baixo, mas ainda assim traduziu os livros de Ellen White para o sueco utilizando uma máquina de escrever que operava com um bastão na boca. Axelsson compartilhou seu testemunho durante o relatório da Divisão Norte-Europeia–Oeste-Africana na 52ª Assembleia da AG. Sua história agora integra a linha do tempo da história da igreja, logo após a entrada do pavilhão de exposições.
Venn espera que histórias de fé e impacto como a de Axelsson sejam também compartilhadas no palco das próximas Assembleias da Associação Geral.
“Temos um legado de cuidado, um legado de inclusão. Não significa que não possamos fazer melhor, mas esse legado existe — talvez só não tenha recebido o devido destaque,” afirmou.
Ele faz questão de lembrar que inclusão não se trata de simbolismo ou de aparências. Trata-se de reconhecer e afirmar os dons espirituais dados por Deus a cada pessoa, e de envolvê-las ativamente na missão da igreja.
Consciência em Crescimento
A intérprete de Língua Americana de Sinais (ASL), Nohelani Jarnes, está coordenando a equipe de intérpretes na Assembleia da Associação Geral deste ano. Participando de sua terceira sessão, ela tem percebido uma conscientização crescente dentro da Igreja Adventista.
“Com o passar dos anos, estamos vendo que nossa Igreja Adventista está se tornando mais consciente de que temos essa comunidade abençoada,” disse Jarnes. “E eu os chamo de abençoados porque Deus os abençoou tanto quanto a qualquer outra pessoa, e agora estamos começando a reconhecer que eles são parte vital da igreja... e isso é muito empolgante para nós que trabalhamos neste ministério há tanto tempo.”
Jarnes destacou que a interpretação em transmissões ao vivo — introduzida na Assembleia de 2022 — foi um grande avanço.
“Agora as pessoas surdas sabem o que está acontecendo,” afirmou. “Elas podem ver com os próprios olhos... e estão tão por dentro das informações quanto seus irmãos ouvintes nas igrejas.”
Ela também enfatizou a importância do alcance missionário, lembrando que os surdos são considerados um dos maiores grupos não alcançados do mundo. Estima-se que apenas 2% das pessoas surdas tenham um relacionamento com Cristo.
“Como você pode ver, temos 98% de um grupo que ainda precisamos alcançar,” concluiu.
Primeiro Delegado Surdo
Em 2022, o pastor Jeffrey Jordan, do Tennessee (EUA), fez história ao se tornar a primeira pessoa surda a atuar como delegado em uma Assembleia da Associação Geral. Em 2025, ele retorna ao cargo como delegado mais uma vez.
“Por meio do Adventist Deaf Ministries International (ADMI) e do Ministério Adventista das Possibilidades, a igreja pôde enxergar que havia um grande grupo — um povo não alcançado: os surdos,” disse Jordan.
“Acredito que a igreja nunca teve a intenção de marginalizá-los ou ignorá-los, mas foi como naquele ditado: ‘longe dos olhos, longe do coração’. Eles estavam lá, vivendo sua vida... mas agora, por meio do ADMI e do MAP, a igreja está reconhecendo: ‘Sim, temos esse grupo, e eles precisam de representação.’”
Jordan também trouxe um dado impressionante:
“Você sabia que existem cerca de 70 milhões de pessoas surdas no mundo e 466 milhões com algum grau de perda auditiva? É um número enorme, e a igreja não pode ignorá-lo.”
“Sou grato por a Associação Geral reconhecer que precisamos de um delegado surdo para ser a voz desse grupo. Espero que a igreja continue incluindo pessoas surdas em sessões da AG e em outras ocasiões como esta, para que sejamos mais visíveis — e as pessoas saibam que existe um grupo que precisa ser alcançado.”
Todos Têm Dons
Jordan concorda que todos têm dons que podem ser usados na missão. “A seara é grande; há muitas pessoas com fome de ouvir a Palavra de Deus — mas o problema é que os trabalhadores são poucos,” disse ele.
“Estou tentando incentivar as pessoas a se aproximarem de seus amigos surdos, a alcançarem a comunidade surda, porque Jesus está voltando. Quero capacitar as pessoas para espalharem o evangelho e alcançarem outros para Cristo. Todos têm a capacidade de fazer algo para o Senhor.”
À medida que a Igreja Adventista segue avançando, E. Douglas Venn acredita firmemente que o futuro da missão deve incluir — e ser liderado por — pessoas de todas as habilidades.
“Tenho convicção de que o próximo capítulo da missão não é apenas incluir pessoas com deficiência e a comunidade surda, mas envolver essas pessoas que foram capacitadas por Deus para compartilhar a mensagem dos três anjos e fazer discípulos. Vejo essa participação como o próximo passo da missão,” concluiu.
Para acompanhar a cobertura completa da Assembleia da Associação Geral de 2025 — com atualizações em tempo real, entrevistas exclusivas e relatos dos delegados — acesse adventist.news e siga a ANN nas redes sociais.






