Um silêncio tomou conta da arena do America’s Center em 12 de julho de 2025, o último sábado da 62ª Assembleia da Associação Geral em St. Louis, Missouri, quando o grande coral e a orquestra iniciaram a execução do “Coro Aleluia”, do Messias de Handel.
À medida que vozes e instrumentos se uniam em harmonia, mais de 40 mil adventistas do sétimo dia de todas as partes do mundo se levantaram em louvor conjunto.
Muitos participantes afirmam que o impacto da assembleia permanece — desde as mudanças na liderança até a visão voltada para o discipulado. Ainda assim, para a maioria, os momentos de adoração coletiva, especialmente os musicais, serão a lembrança mais duradoura.
Barbara Dyett-Gordon, flautista de Ottawa, Ontário, que assistiu à maioria dos concertos deste ano, refletiu:“Os diversos programas da Assembleia da Associação Geral são sempre inspiradores, mas achei as apresentações musicais as mais edificantes.”
Divisão Norte-Americana representando o mundo na Assembleia da Associação Geral
A música esteve presente em toda a assembleia — desde os momentos devocionais e concertos até as reuniões administrativas, o culto de sábado e o grande encerramento com o renomado pastor e cantor adventista Wintley Phipps. Contribuíram para essa trilha sonora de louvor músicos voluntários de toda a América do Norte.
Coordenando os músicos da Divisão Norte-Americana (DNA) pela segunda vez estava Anika Sampson-Anderson, diretora assistente de gestão de eventos e soprano formada. Ela fez questão de incluir artistas de regiões sub-representadas, para que as pessoas pudessem “sair dali com a consciência de quão grande, vasta e diversa é a nossa denominação.”
Esse sonho se concretizou no último sábado do evento, com o grande coral e orquestra. “Tudo se encaixou. Havia pessoas representando todas as divisões”, disse ela.
Naquele mesmo dia, em seu primeiro sermão como presidente da AG, Erton C. Köhler destacou o valor da unidade na diversidade: “Nossas diferenças são como notas musicais. Nas mãos de Deus, elas podem formar a sinfonia mais harmoniosa e bela.”
Nunca Desista: Les Chanticleers
O grupo Les Chanticleers, um coro a cappella de 12 vozes de Seattle, Washington, encheu o domo com uma poderosa apresentação do espiritual negro “I’ll Never Turn Back No More”. Uma das participantes disse ter ouvido, em cada nota, o clamor dos escravizados — e o diretor Pattric Parris contou que soube depois que várias pessoas na plateia foram levadas às lágrimas.
“Antes de cantar, oramos, pedindo que o Espírito Santo cante através de nós”, compartilhou Parris.
Por trás desse hino de resistência está também a história do próprio grupo. Fundado em 1971 pela falecida Mildred Tuggle, o Les Chanticleers evoluiu de um grupo de adolescentes para um conjunto formado, em sua maioria, por idosos. A jornada até St. Louis não foi fácil — muitos enfrentaram problemas de saúde —, mas eles perseveraram.
“Todos nós passamos por dificuldades”, disse Parris. “A música nos manteve unidos. Tivemos integrantes com lesões cerebrais graves. Duas pessoas caíram e quebraram o quadril. Uma senhora estava determinada a se recuperar e veio se apresentar conosco, mesmo precisando usar uma cadeira durante a apresentação.”
No fim, sua determinação e suas orações brilharam — e tocaram profundamente os corações do público.
Cultivando a Próxima Geração: Shenandoah Valley Academy
Para Kelly Wiedemann Jaén, diretora associada de música e maestrina da orquestra da Shenandoah Valley Academy, conduzir seus alunos na Assembleia foi um momento de ciclo completo.
Vinda de uma família musical, ela começou a tocar violino aos quatro anos e mais tarde estudou na própria SVA, onde a participação no coro e na orquestra despertou seu senso de chamado.
“Dar aulas de música na academia parecia a forma mais divertida de causar impacto”, disse ela.
Wiedemann Jaén, que se apresentou pela primeira vez no palco da Assembleia da Associação Geral com o New England Youth Ensemble durante a universidade, ficou entusiasmada em proporcionar uma experiência semelhante aos seus alunos. Ela e seus colegas do departamento de música viajaram para St. Louis com uma seleção de alunos e ex-alunos — e tanto ela quanto vários deles também integraram o grande coral do evento.
Para os alunos e ex-alunos da SVA, a experiência foi inesquecível. A recém-formada Faith Richardi, que tocou trompa e cantou no grande coral, comentou: “Todos nós temos a mesma missão: seguir Jesus e compartilhar Seu amor. Isso já é o suficiente para nos unir.”
O aluno Andres Muñoz, violinista e integrante do coral, acrescentou: “Cantar tendo o mundo como plateia foi algo inspirador e poderoso. Eu ouvia a alegria irradiar das vozes ao meu redor.”
O ex-aluno Joseph Pelote, violinista que participou da orquestra principal, compartilhou um momento dos bastidores: “Antes de subirmos ao palco, muitos músicos começaram a tocar juntos de forma espontânea. Foi incrível perceber que, mesmo com barreiras de idioma, ainda podíamos louvar a Deus através da música.”
Para Wiedemann Jaén, momentos como os da Assembleia — em que a adoração e o espírito de família permeavam cada ensaio — reafirmam sua vocação: “Eu digo a eles: vocês não precisam se formar em música, mas todos vão se envolver na igreja. Dá para servir com a música de muitas maneiras”, afirmou, acrescentando: “Alguns alunos estão em uma fase difícil da caminhada espiritual, mas ainda assim sentem que podem voltar e tocar conosco. Isso, para mim, já vale a pena.”
Muitas Nações, Uma Só Voz: Coral Internacional de Fiji
Três anos atrás, Josiah Hughes, membro da Igreja Adventista Capitol City — Campus Fiji, em Sacramento, Califórnia, teve a visão de reunir adventistas fijianos de todo o mundo para cantar na Assembleia da Associação Geral.
“A maioria solicitou o visto, mas foi rejeitada”, contou Epeli Saukuru, secretário-executivo da Missão de Fiji, que também participou do coral — e, notavelmente, escreveu mais de 400 cartas de visto. Outros desistiram por questões financeiras, e por um tempo parecia que apenas as igrejas fijianas sediadas nos Estados Unidos teriam condições de se apresentar.
Surpreendentemente, 85 vozes se uniram, vindas dos Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, Nova Zelândia, Samoa Americana e Filipinas.
“Quando todos nos encontramos aqui, Joe ficou emocionado”, disse Saukuru. “Não foi fácil organizar tudo. Só podemos louvar a Deus.”
O grupo incluía seis pastores, além de Marc Woodson, presidente da Associação do Norte da Califórnia, que aprendeu as letras de forma fonética. Embora tenham aprendido as músicas pelo Messenger e ensaiado apenas duas vezes, suas harmonias e sorrisos não deixavam transparecer os desafios.
“Cantar é natural para nós”, afirmou Saukuru. “Nós amamos cantar.”
“Sentimos como se estivéssemos cantando com os anjos. O próprio Joe disse que, enquanto regia, parecia ouvir os anjos cantando conosco”, recordou.
A mensagem do grupo ficou clara, mesmo em outro idioma: “Apesar dos muitos desafios que enfrentamos, o grande amor de Deus ainda pode nos proteger — e podemos continuar proclamando esperança na volta de Jesus.”
Saukuru acrescentou que, no Pacífico Sul, às vezes é fácil sentir-se isolado, mas que durante a assembleia eles perceberam: “Nós não somos pequenos. Fazemos parte de uma grande família global da igreja. E isso tem sido uma bênção.”
Chamado para conexão: Evans Mosomi
Para Evans Mosomi Jr., participante e cantor pela primeira vez em uma Assembleia da Associação Geral, o evento “foi como reencontrar familiares distantes que eu nunca tinha conhecido — um vislumbre do céu, onde não haverá fronteiras e todos poderemos adorar aos pés de Jesus.”
Embora Mosomi cante com amigos desde os seis anos de idade, ele iniciou seu próprio ministério musical no último ano. Junto com os amigos que o acompanharam, compartilhou uma mensagem profunda.
“A música que apresentamos nos lembra da importância de perdoar uns aos outros e de amar verdadeiramente o próximo — num mundo em que muitas vezes escolhemos o caminho mais fácil em vez de amar apesar das falhas, como Cristo fez”, explicou.
Para Mosomi, tanto a experiência quanto a música serviram como um lembrete do chamado para nos conectarmos uns com os outros. “É um privilégio poder compartilhar e, ao mesmo tempo, valorizar outros artistas da família adventista ao redor do mundo”, concluiu.
Compartilhando seus dons: Claudia Ramirez-Treiyer
Para Claudia Ramirez-Treiyer, cuja jornada musical começou aos três anos de idade, cantar é tão natural quanto respirar. Embora trabalhe meio período como enfermeira, ela se dedica principalmente ao ministério musical ao lado do marido, Roy, que é pianista, professor e maestro. A cada outono, o casal viaja com as equipes do It Is Written, onde Claudia atua como diretora musical, compartilhando o evangelho por meio da música em várias partes dos Estados Unidos.
Na assembleia, ela e Roy — que também se apresentou — levaram consigo os três filhos pequenos. Conciliar tudo não foi fácil, mas a experiência rendeu boas memórias e reforçou sua convicção de que “a família é o primeiro campo missionário.”
Embora fosse sua primeira vez no palco da Assembleia da Associação Geral, Claudia manteve o equilíbrio graças à sua vivência no ministério. “Aquelas igrejinhas onde fazemos concertos para 10 ou 15 pessoas continuam sendo muito especiais e importantes para o nosso ministério.”
Ela explica que sempre pede ao Espírito Santo para transmitir uma mensagem através de suas canções: “Não costumo pensar se é um palco grande ou pequeno, mas sim — o que Deus quer dizer a cada um de nós neste momento e neste espaço em que colocamos nossos talentos a serviço dEle?”
Ao compartilharem seus dons, os músicos da Divisão Norte-Americana (DNA) lembraram participantes como Barbara Dyett-Gordon da verdadeira essência da igreja: um só corpo com diferentes membros, unidos para formar uma harmonia perfeita.
“Lindas músicas foram apresentadas em muitos idiomas”, disse Dyett-Gordon. “Só podemos imaginar como será no céu, quando todos esses talentos se unirem. Que bênção!”
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Norte-Americana. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.












