Na região de Antuérpia, no norte da Bélgica, próxima à fronteira com os Países Baixos, teve início em 12 de setembro de 2025 a convenção de três dias da Associação de Igrejas Adventistas do Sétimo Dia Hispânicas da Europa (AIALE).
No salão principal do Vormingscentrum, em Malle, centenas de membros adventistas hispânicos de uma dúzia de países europeus se reuniram para participar de momentos de adoração, comunhão e capacitação em sua língua materna. A maioria era formada por imigrantes de primeira geração que deixaram seus países na América do Sul e Central — alguns há décadas — em busca de mais oportunidades e de um futuro melhor. Muitos já eram adventistas quando chegaram à Europa.
Outro grupo menor de participantes também teve um impacto significativo durante a convenção: a segunda geração de adventistas hispânicos — filhos e filhas daqueles primeiros imigrantes. Diferente de seus pais, eles são culturalmente mais europeus e conseguem se comunicar em três ou quatro idiomas sem sotaque.
Na maioria dos casos, embora tenham preservado a língua dos pais, esses jovens tiveram mais anos de educação formal e estão aproveitando as oportunidades oferecidas pelos sistemas educacionais europeus. Alguns já concluíram o ensino médio e estão na universidade, preparando-se para entrar no mercado de trabalho. Ainda assim, mantiveram a fé de seus pais e agora usam seus talentos para apoiar suas igrejas locais e impulsionar o adventismo em alguns dos lugares mais desafiadores para compartilhar o evangelho.
De espectadores a protagonistas
Durante o fim de semana da convenção, um sistema audiovisual moderno facilitou os momentos de louvor, pregação e capacitação. O painel de controle de áudio e todo o equipamento ficaram sob responsabilidade de Johann Barcarcel, um jovem de 13 anos da Espanha, e dos irmãos belgas Liliana (17) e Adrian (19) Tomescu. Criados no norte da Bélgica, Liliana e Adrian são fluentes em flamengo (holandês), francês, inglês e espanhol. Liliana frequenta uma escola de idiomas e sonha em ser tradutora e intérprete; Adrian estuda violoncelo em uma escola de música.
“A nova geração de hispânicos na Europa inclui jovens nativos digitais e com domínio da tecnologia, capazes de oferecer ajuda essencial nas áreas de áudio, transmissão e redes sociais”, explicou um dos líderes da convenção ao comentar o motivo de envolver os jovens nas atividades. “Com um pouco de apoio e supervisão, eles logo estarão mais do que prontos para assumir essas funções.”
Durante o culto de sábado, o momento musical especial contou com o coral Voces de Esperanza (Vozes de Esperança), da Igreja Adventista Hispânica Betel, na região da capital Bruxelas. Os participantes do coral, vindos de duas congregações hispânicas da área, eram em sua maioria adolescentes e jovens adultos.
Entre eles estavam Cassandre Maniquet e Juliette Morales. Nascidas na Bélgica em famílias colombianas, Cassandre e Juliette são amigas desde a infância.
“Cantamos juntas porque, mesmo frequentando igrejas diferentes, nos conhecemo muito bem”, explica Juliette. “Encontramo-nos regularmente e participamos de atividades conjuntas, incluindo o coral.”
Cassandre e Juliette, que estudam economia e animação, conseguiram manter o espanhol tanto em casa quanto na igreja. Falam francês na vizinhança e na escola, e também sabem inglês. Becky Morales, de 20 anos, criada em uma família colombiana na Bélgica, é a regente do coral Voces de Esperanza. Ela estuda arquitetura em Bruxelas.
Esses jovens, segundo os líderes regionais da igreja, fazem parte de uma nova geração de adventistas hispânicos em ascensão.
“Esses jovens estão sendo luz no coração da Europa — iluminando seus bairros, escolas e igrejas”, afirmaram.
Líderes do rebanho
Muitos desses jovens contam com o apoio de pastores hispânicos que possuem ampla experiência em missão transcultural na Europa. É o caso de Anderson Bolaños. Criado em uma família hispânica na Bélgica, Bolaños estudou teologia na Universidade de Montemorelos, no México. Em 2011, iniciou seus estudos de pós-graduação no Instituto Adventista Internacional de Estudos Avançados (AIIAS), nas Filipinas. Após se formar, aceitou o chamado para lecionar na Universidade Adventista Dominicana, na República Dominicana.
Anos depois, ao retornar à Bélgica para cursar doutorado na Universidade de Leuven, recebeu o convite para atuar como pastor e plantador de igrejas nos Países Baixos.
“O plantio de igrejas é minha paixão”, diz Bolaños, que ajudou a iniciar quatro novos grupos. “Mas também estou auxiliando algumas congregações já estabelecidas — tanto de fala holandesa quanto espanhola — a crescer.”
A nova geração de pastores adventistas também inclui Luis Fajardo, pastor da Igreja Adventista Hispânica Central de Londres. Fajardo contou que, por meio de um programa semanal chamado Código Abierto (Código Aberto), a igreja tem se conectado com outros jovens adventistas de toda a Europa. Todas as sextas-feiras à noite, convidados especiais discutem temas de interesse enquanto participantes se conectam online de lugares como Londres, Bruxelas e Milão.
“Este projeto nasceu do desejo de aproximar jovens de todo o continente”, explicou Fajardo. “A ideia é que eles saibam que, em outros países, há amigos com quem podem se conectar e desenvolver amizades.”
Eliasib Sánchez Jiménez, mexicano que há décadas atua como pastor e líder na Espanha, celebrou a nova geração de ministros que, segundo ele, está “revitalizando as congregações hispânicas por toda a Europa”.
De acordo com Sánchez Jiménez, a contribuição dos adventistas hispânicos é inestimável.
“Graças aos hispânicos, os europeus conheceram o ministério de pequenos grupos”, afirmou. “E o trabalho adventista hispânico está crescendo em toda parte. As congregações estão se expandindo, saindo de porões para salões acima do solo. Algumas estão adquirindo propriedades para terem seus próprios templos. Louvado seja Deus — o futuro do adventismo hispânico na Europa é promissor.”
A versão original deste artigo foi publicada no site da Adventist Review. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.






