Movida pela paixão pelo serviço e pela educação inclusiva, Claudia Figueroa, formada pela Universidade de Montemorelos em 2007, criou um jardim sensorial terapêutico no Centro de Atenção Múltipla (CAM) María Esther Zuno, em Reynosa, no México. Projetado para estimular os sentidos, desenvolver habilidades e favorecer a regulação emocional, o espaço tem ajudado crianças e adolescentes com necessidades educacionais especiais a vivenciarem novas formas de aprendizado.
Figueroa, que possui mestrado em Educação Especial e atualmente cursa doutorado em Educação, dedicou grande parte de sua carreira ao atendimento de estudantes com paralisia cerebral, deficiência intelectual, transtorno do espectro autista (TEA) e síndrome de Down.
A ideia do jardim surgiu enquanto ela coordenava atividades de formação voltadas ao desenvolvimento de habilidades em jardinagem, lavanderia e serviços de limpeza. Ao observar os estudantes interagindo com as plantas e realizando tarefas ao ar livre, percebeu avanços inesperados.
“Observei que, por meio das atividades de jardinagem, alunos que antes não conseguiam apertar uma esponja ou plantar sementes começaram a desenvolver novas habilidades”, contou Figueroa. “Isso me levou a refletir sobre o impacto dessas atividades.”
A experiência acabou se tornando o tema de sua pesquisa de doutorado. Durante seus estudos, ela encontrou exemplos de jardins educativos e ornamentais, mas identificou poucos jardins sensoriais terapêuticos com características semelhantes no contexto educacional mexicano.
Um jardim projetado para a aprendizagem e o bem-estar
Construído com o apoio de pais, funcionários da escola e parceiros da comunidade, o jardim sensorial integra educação e terapia em um ambiente ao ar livre totalmente acessível.
O espaço conta com flores e plantas aromáticas, estações musicais, uma cascata construída com materiais reciclados, caminhos sensoriais com diferentes texturas, áreas de exploração tátil e recursos que ajudam os estudantes a compreender conceitos matemáticos por meio de atividades práticas.
Planejado com foco na acessibilidade, o jardim permite que alunos usuários de cadeira de rodas participem plenamente de todas as atividades.
“O objetivo é que todos possam estimular os sentidos e, ao mesmo tempo, aprender a regular as próprias emoções”, explicou Figueroa.
A área já era utilizada como sala de aula ao ar livre e como um espaço de acolhimento para estudantes que precisavam de um ambiente tranquilo em momentos de instabilidade emocional. Hoje, ela funciona como um espaço terapêutico e educativo dedicado ao benefício de toda a comunidade escolar.
Um dos maiores desafios do projeto foi conseguir as plantas necessárias para a implantação do jardim. Muitas das famílias atendidas pelo centro enfrentam dificuldades financeiras devido aos custos com terapias, atendimento médico e transporte.
“A parte mais difícil foi conseguir as plantas”, contou Figueroa. “Batemos em muitas portas e, por fim, uma fundação local chamada Mãos Solidárias atendeu ao nosso pedido e doou uma grande variedade de plantas floridas e aromáticas.”
Segundo ela, a doação tornou possível concretizar o projeto e abrir o jardim para o uso de todos os estudantes atendidos pelo centro.
Educação fundamentada no serviço
Figueroa atribui grande parte do sucesso da iniciativa aos valores que desenvolveu durante seus estudos na Universidade de Montemorelos.
“A Universidade de Montemorelos influenciou profundamente a maneira como exerço meu trabalho”, afirmou. “Foi lá que aprendi a importância de servir com amor, colocar meus talentos e habilidades a serviço do próximo e enxergar cada tarefa como uma oportunidade de transformar vidas.”
Ela afirma que as experiências em projetos de serviço comunitário, colportagem e liderança estudantil foram fundamentais para desenvolver sua capacidade de identificar necessidades, mobilizar recursos e perseverar diante dos desafios.
“Quando surgiram obstáculos durante a implantação do jardim, essa formação me ajudou a seguir em frente e encontrar soluções”, afirmou.
Segundo Figueroa, o jardim sensorial é hoje um exemplo do que pode ser realizado quando educação, compaixão e inovação caminham juntas.
Para os quase 280 estudantes atendidos pelo centro, ele é muito mais do que um jardim. É um espaço para aprender, explorar, desenvolver novas habilidades e encontrar tranquilidade nos momentos de dificuldade.
Ao refletir sobre o projeto, Figueroa incentivou outros educadores a não subestimar o impacto dos pequenos começos.
“Muitas vezes pensamos que são necessários grandes orçamentos para promover mudanças. No entanto, quando existe disposição para servir e trabalhar em equipe, é possível transformar espaços e criar oportunidades significativas para nossos estudantes”, destacou.
Lisandra Vicente e Brenda Cerón contribuíram para este artigo. O artigo original foi publicado no site de notícias da Universidade de Montemorelos.








