Na tarde de 29 de junho de 2026, Mark Ferrell, pastor leigo, estava trabalhando na Universidade de Stanford quando recebeu uma mensagem no celular. “Provavelmente não sou a primeira pessoa a avisar você sobre isso, mas acabei de ver no noticiário que a igreja está em chamas.”
“Na verdade, foi a primeira”, contou Ferrell. “Entrei correndo no escritório do meu chefe, disse que precisava sair e fui imediatamente para a igreja.”
Quando chegou à Igreja Adventista do Sétimo Dia Central de São Francisco (SFC), uma densa fumaça saía do telhado, enquanto dezenas de bombeiros trabalhavam no local. Ferrell permaneceu praticamente o tempo todo ao lado do comandante da operação, que precisava de informações sobre os acessos e a planta do edifício para orientar sua equipe. Ferrell desenhou esquemas e mostrou fotografias de tudo o que eles precisavam saber.
Em determinado momento, o comandante perguntou se havia algum item específico dentro do prédio que ele gostaria que os bombeiros tentassem salvar.
“Precisamos salvar aquele púlpito”, respondeu Ferrell.
O púlpito havia sido transferido da antiga Igreja Adventista Central de São Francisco, localizada na Rua Laguna, na Califórnia, onde Ellen G. White e Tiago White pregaram em determinada ocasião. Por isso, trata-se de uma peça de grande valor histórico para a Igreja Adventista na costa oeste dos Estados Unidos.
Infelizmente, a equipe de combate ao incêndio não conseguiu retirar o púlpito. Depois que as chamas foram controladas e Ferrell recebeu autorização para entrar no edifício, ele e alguns anciãos escavaram os escombros no local onde o púlpito ficava, na esperança de encontrar algum fragmento que pudesse ser recuperado.
“Encontramos o púlpito praticamente intacto, com exceção de uma pequena parte queimada e de algumas marcas deixadas pelo fogo”, contou Ferrell. “Nós o levamos a uma empresa especializada em restauração, que se ofereceu para restaurá-lo como um presente para a igreja. Pedi que consertassem a parte queimada, mas mantivessem as marcas. As cicatrizes são o que nos torna belos. Elas fazem parte da nossa história.”
“Sairemos daqui como pessoas restauradas”
No dia 4 de julho, primeiro sábado após o incêndio, os membros da Igreja Adventista Central de São Francisco (SFC) reuniram-se com sua congregação irmã, localizada a poucos quarteirões dali: a Igreja Adventista do Sétimo Dia Filadélfia.
“Eu estava sentado em meu escritório no meio da semana”, compartilhou Shelton Kilby, pastor da Igreja Filadélfia, “quando ouvi uma voz me dizer: ‘Ligue para o Mark.’ Na mesma hora, soube o que precisava fazer.” Quando Ferrell atendeu ao telefone, Kilby disse: “Venha adorar conosco neste sábado. Nossa igreja é a sua igreja. Meu púlpito é o seu púlpito.”
Quando a manhã de sábado chegou, a igreja se encheu de vida à medida que os membros da SFC e da Igreja Filadélfia começaram a chegar. Um dos anciãos da Igreja Filadélfia colocou placas de sinalização para que os membros da SFC soubessem para onde ir na Escola Sabatina, já que a SFC realiza o estudo bíblico da manhã de sábado em inglês, espanhol e tagalo. Os membros se abraçaram, cumprimentaram uns aos outros e se apresentaram às pessoas que não conheciam.
O culto foi especial, reunindo na plataforma não apenas os pastores das duas igrejas, mas também Virgil Childs, vice-presidente dos Ministérios Afro-Americanos da União do Pacífico; Ricardo Viloria, presidente da Associação da Califórnia Central; e Stephen Sherrill, supervisor do Distrito 2 da cidade de São Francisco, onde as duas igrejas estão localizadas.
“Nosso objetivo hoje, ao adorarmos juntos, chorarmos juntos e cantarmos juntos, é sairmos daqui como pessoas restauradas”, afirmou Ferrell da plataforma naquele sábado.
“Tenho fé por causa de vocês”
Ao tomar a palavra, Sherrill observou que uma tragédia como essa não era algo inédito na história da igreja.
“O que quero dizer é que vocês são acolhedores, receptivos, generosos e bondosos. Acho que o que estamos vivendo hoje é um belo exemplo de quem vocês são e desta comunidade, mas também não é algo particularmente extraordinário, porque vocês fazem isso todos os dias.”
Em seguida, explicou que queria estar presente no culto naquele sábado por dois motivos. O primeiro era garantir aos membros da Igreja Central de São Francisco que eles tinham o apoio da cidade na reconstrução do templo.
“Sei que haverá desafios, mas estarei ao lado de vocês”, disse. O segundo motivo era agradecer.
“Quando vi Mark parado na rua, enquanto o incêndio ainda queimava, as brasas ainda estavam quentes e a fumaça ainda saía da igreja, sua atitude era de esperança para o futuro”, comentou Sherrill. “Ele tem uma graça extraordinária e uma fé extraordinária em Deus. Vejo isso em todos vocês também. Tenho fé por causa de vocês. Tenho esperança no futuro destas duas congregações reunidas aqui hoje, desta comunidade e deste país por causa de vocês. Por isso, quero agradecer pelo otimismo, pelo compromisso e pela fé de vocês.”
Antes de deixar a plataforma, Sherrill recebeu uma oração de bênção feita pelos pastores.
Irmãos e irmãs, todos somos um
A música foi o ponto central da parte restante do culto. Um grupo de louvor da Igreja Adventista Central de São Francisco conduziu a congregação em diversos hinos, entre eles “We Have This Hope” e “Side by Side We Stand”, cuja mensagem ganhou ainda mais significado quando membros das duas congregações deram as mãos através dos corredores e por todo o templo.
O momento da pregação foi compartilhado por Shelton Kilby, Ricardo Viloria e Mark Ferrell, que apresentaram mensagens inspiradoras e encorajadoras, vindas do coração.
Após o culto, as duas congregações participaram de uma refeição de confraternização oferecida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia de Filadélfia.
“Este é o meu lar”
Embora o incêndio tenha sido um acontecimento local, seu impacto alcançou pessoas muito além dos limites de São Francisco.
Paul Pellandini, aposentado de 82 anos, mora em Berrien Springs, no estado de Michigan. Na noite de segunda-feira, ele voltou para casa após um estudo bíblico e encontrou a esposa ainda acordada, assistindo ao noticiário.
“Paul, venha ver isto!”, chamou ela. “Hoje houve um incêndio na Igreja Adventista Central de São Francisco!”
Quando criança, Pellandini morava em uma pequena casa de dois quartos, no coração de São Francisco, com o pai, seus irmãos e uma babá. O pai o criava sozinho. Embora sua família fosse católica, ele e os irmãos frequentavam os cultos aos sábados com a babá, na Igreja Adventista Central de São Francisco. Essa experiência transformou sua fé e, mais tarde, Pellandini tornou-se adventista.
Assim que viu a notícia, sentiu-se impelido a viajar para São Francisco a fim de cultuar e chorar, ao lado dos atuais membros, a perda de sua igreja. “Eu precisava estar aqui. Este é o meu lar. Esta é a minha igreja.”
Naquela mesma tarde, Pellandini participou de uma visita guiada ao interior do templo incendiado.
A igreja continua existindo
As negociações para a limpeza da área atingida pelo incêndio ainda estão em andamento. O local não é seguro para a entrada do público, e a igreja precisará obter uma autorização emergencial para demolição, interditar um dos lados da rua e remover os escombros do edifício.
A necessidade financeira mais urgente neste momento é preparar um local temporário para a realização dos cultos. Entre as prioridades estão um sistema de som provisório, equipamentos para transmissão ao vivo e materiais para o ministério da criança.
Como afirmou Virgil Childs durante o culto de 4 de julho:
“O edifício pode ter sido danificado, mas a igreja continua existindo. Até mesmo o que parece ser a pior situação é uma oportunidade para Deus revelar Sua glória. Que vocês sejam fortalecidos e restaurados.”
O artigo original foi publicado no site de notícias Divisão Norte-Americana.












