Em 13 de julho de 2026, a Divisão Norte-Americana (DNA) da Igreja Adventista do Sétimo Dia apresentou uma manifestação formal à Comissão de Liberdade Religiosa do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. No documento, a organização reconheceu o compromisso da comissão com a proteção da liberdade religiosa, mas expressou sérias preocupações com trechos do relatório preliminar que tratam da relação entre Igreja e Estado.
Na carta, a DNA elogiou o apoio da comissão ao fortalecimento das garantias de acomodação religiosa no ambiente de trabalho e por reconhecer a importância de preservar a autonomia das organizações religiosas. No entanto, alertou que a abordagem adotada pelo relatório preliminar em relação à Cláusula de Estabelecimento pode enfraquecer uma das mais importantes garantias constitucionais da liberdade religiosa nos Estados Unidos. A Divisão também pediu que a comissão reveja a maneira como trata essa cláusula e o princípio histórico da separação entre Igreja e Estado.
“A liberdade de consciência e a liberdade religiosa estão no âmago do reino de Deus. Elas estão na base da criação da humanidade por Deus. Também têm sido fundamentais para a Igreja Adventista do Sétimo Dia desde sua origem e ocupam um lugar central em nossa compreensão teológica e em nossa fé”, afirmou G. Alexander Bryant, presidente da DNA. “A separação entre Igreja e Estado é uma convicção que mantemos há muito tempo. Diante da possibilidade de a comissão adotar uma posição contrária, é indispensável que nossa voz seja ouvida. Por isso, consideramos necessário registrar nossa oposição ao avanço do governo federal nessa direção.”
Há mais de 170 anos, os adventistas defendem de forma consistente uma separação efetiva entre Igreja e Estado. Essa posição não resulta de hostilidade à religião, mas da profunda convicção de que a fé se desenvolve melhor quando está livre do controle governamental. A manifestação da DNA explica que a neutralidade religiosa do governo tem permitido que pessoas de todas as crenças adorem de acordo com a própria consciência, sem coerção nem favorecimento oficial.
O documento pede que a comissão reconheça que a defesa da separação entre Igreja e Estado tem recebido, historicamente, o apoio de diversas comunidades religiosas. Entre elas estão adventistas do sétimo dia, batistas, quakers e judeus, que consideravam esse princípio constitucional a proteção mais eficaz contra a interferência do governo em questões de fé. A declaração também incentiva a comissão a reconhecer que os defensores dessa separação frequentemente são motivados por convicções religiosas sinceras, e não pela oposição à religião.
Com base na história constitucional e na experiência adventista, incluindo os processos movidos contra adventistas que guardavam o sábado com base nas leis dominicais do século 19, o documento argumenta que a manutenção de limites claros entre Igreja e Estado continua sendo essencial para proteger a liberdade religiosa de todos os americanos.
Ao final, a DNA incentiva a comissão a revisar o relatório definitivo para reafirmar as duas cláusulas da Primeira Emenda relacionadas à religião. Juntas, a Cláusula do Livre Exercício e a Cláusula de Estabelecimento criaram uma estrutura constitucional que protege as crenças religiosas e, ao mesmo tempo, assegura a neutralidade do governo em questões de fé. A Igreja Adventista considera esse equilíbrio indispensável para preservar a longa tradição de liberdade religiosa dos Estados Unidos.
O Departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa permanece firmemente comprometido com esses princípios históricos.
Em consonância com o compromisso histórico da Igreja Adventista com a liberdade de consciência para todas as pessoas, a DNA continuará defendendo garantias sólidas de acomodação religiosa, os direitos das organizações religiosas e a separação constitucional entre Igreja e Estado como proteção indispensável à liberdade religiosa.
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão Norte-Americana.






