A Igreja Adventista na Dinamarca está alcançando centenas de espectadores todas as semanas por meio da Igreja Digital, um culto online desenvolvido especificamente para audiências digitais, e não como a simples transmissão de um culto presencial. Lançada em 2020, durante a pandemia de COVID-19, a iniciativa surgiu como resposta às restrições a encontros presenciais e à crescente necessidade de novas formas de se conectar com as pessoas além das paredes da igreja.
“Ao contrário das transmissões tradicionais, a Igreja Digital é produzida diretamente para os espectadores”, afirmou Jan-Gunnar Wold, um dos fundadores do projeto.
“O objetivo é fortalecer a fé das pessoas em Jesus e encontrá-las onde elas estão, em qualquer dispositivo digital.”
Os programas são transmitidos a partir de estúdios em Copenhague e Viborg e são assistidos por cerca de 400 espectadores anônimos. Os apresentadores falam diretamente com o público online, enfatizando uma comunidade virtual compartilhada e, ao mesmo tempo, respeitando o anonimato dos espectadores, um fator que os produtores consideram importante em um contexto cultural em que a fé costuma ser vista como algo privado.
Peter Larsen, diretor de comunicação da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Dinamarca, afirmou que o formato permite que a igreja alcance pessoas que talvez não se sintam prontas para frequentar uma congregação física.
“Conseguimos ver quantas telas estão assistindo, mas não quem está assistindo”, disse Larsen. “Esperamos alcançar aqueles que têm dificuldade de dar o primeiro passo para entrar em um prédio de igreja, incluindo pessoas que podem ter sido feridas por experiências anteriores na igreja.”
Cada programa da Igreja Digital tem aproximadamente 40 minutos de duração e inclui pregação, relatos pessoais de fé e o podcast The Great Story (A Grande História).
Os espectadores também podem enviar pedidos de oração. Cerca de 100 pedidos já foram recebidos, muitos deles de pessoas fora das redes atuais da igreja. Uma equipe interdenominacional de oração, então, cuida desses pedidos de forma confidencial.
De pessoa para pessoa
Os programas são produzidos com apresentadores falando diretamente aos espectadores online, em vez de se dirigirem a uma congregação física, um processo que Larsen descreve como mais exigente do que simplesmente transmitir um culto.
“É um pouco mais complicado, porque tudo é criado especificamente para a transmissão, incluindo a pregação, a apresentação e a música”, afirmou.
Os produtores também veem a linguagem como um desafio contínuo. O conteúdo é intencionalmente pensado tanto para cristãos quanto para pessoas que não estão familiarizadas com a vida da igreja.
“Precisamos nos afastar da linguagem interna da igreja e usar uma linguagem com a qual qualquer cristão na Dinamarca possa se identificar”, disse Wold.
Um complemento, não um substituto
Apesar da complexidade, Larsen afirma que o impacto faz o esforço valer a pena. “Uma espectadora contou que a Igreja Digital foi o apoio que a sustentou em um momento crítico”, contou. “Um retorno como esse mostra que há uma necessidade real.”
Além da Igreja Digital, um programa nas noites de sexta-feira foi lançado em 2021, com entrevistas com cristãos que compartilham histórias pessoais de vida. Segundo Larsen, o retorno do público indica que os testemunhos tocam os espectadores e oferecem encorajamento e esperança.
Os líderes destacam que a Igreja Digital não foi criada para substituir a vida na igreja presencial. Seus criadores a descrevem como um programa cristão de caráter geral, que pode ser utilizado por outras denominações para apoiar membros que não conseguem frequentar uma igreja local.
“Tornou-se uma boa alternativa para pessoas que não conseguem participar fisicamente. Preferimos oferecer algo saudável do que não oferecer nada”, concluiu Larsen.
A versão original deste artigo foi publicada no Udfordringen, um veículo de notícias cristãs da Dinamarca, na Divisão Transeuropeia.





