Duas grandes reuniões da Igreja em setembro colocaram o tema da violência no centro das discussões, enquanto anciãos e pastores de toda a Polônia refletiram sobre como tornar a Igreja Adventista do Sétimo Dia um espaço seguro para todos os membros.
A Conferência de Anciãos, realizada de 13 a 14 de setembro de 2025, e a Conferência de Pastores, realizada de 14 a 16 de setembro, em Podkowa Leśna, Polônia, compartilharam o tema “Uma Igreja Livre da Violência” e abordaram maneiras práticas de as congregações responderem a situações de abuso.
Ao abrir os encontros, Jarosław Dzięgielewski, presidente da União Polonesa (UP), afirmou que o tema não pode ser ignorado.
“A violência assume formas físicas, psicológicas, econômicas, sexuais e espirituais, e muitos casos nunca são denunciados. Há pessoas aqui entre nós que sofreram violência dentro do meio adventista. Nós não estamos imunes a isso”, declarou.
Reflexões práticas e vida na igreja
As conferências contaram com a participação do Dr. Helgi Jónsson, psiquiatra de Reykjavík, Islândia, que também atua na Dinamarca, além de Iza e Marek Lewosiński, terapeutas especializados em terapia de casais e tratamento de dependências no Centro de Saúde Mental INTEGRUM, em Rybnik, Polônia.
A experiência médica e pastoral dos palestrantes ajudou os participantes a traduzirem diagnósticos psicológicos em uma linguagem que os líderes da igreja pudessem compreender e aplicar em seu ministério.
As sessões abordaram sistemas familiares e os mecanismos da violência, estilos de personalidade e vulnerabilidades, sinais de abuso espiritual e caminhos específicos para apoiar as vítimas. Os participantes foram orientados desde as primeiras conversas e medidas de segurança imediata até o cuidado a longo prazo e o papel das instituições especializadas.
Adoração e a resposta do evangelho
A adoração ocupou um lugar central no programa. Cânticos de esperança e cura, testemunhos e orações intercessoras pelas pessoas afetadas pela violência criaram momentos de renovação espiritual. Esses momentos lembraram aos participantes que a força da Igreja está em sua proximidade com Jesus. Para muitos, a oportunidade de cantar, orar e compartilhar experiências trouxe coragem e inspiração para continuar servindo mesmo em contextos desafiadores.
Os palestrantes também destacaram o Evangelho como a verdadeira medida de segurança dentro da Igreja. Jesus, que enfrentou a violência desde o nascimento até o Gólgota, oferece um exemplo profundo a ser seguido, afirmaram. Quando Maria foi criticada em Betânia, Jesus a defendeu dizendo: “Deixem-na em paz.” Esse gesto de se colocar ao lado dos vulneráveis foi apresentado como o padrão para a Igreja — salvar, fortalecer, erguer e trazer paz onde há dor.
O que vem pela frente
A mensagem das conferências foi clara: o padrão de segurança da Igreja deve estar enraizado no Evangelho bíblico. O cuidado de Jesus pelos vulneráveis serve de modelo para que a Igreja defenda, apoie e traga paz às vítimas.
Os líderes concordaram que essa iniciativa deve continuar por meio da implementação de protocolos de segurança, formação de líderes capacitados e da promoção de uma cultura de escuta e responsabilidade, onde as vítimas sejam ouvidas e os agressores, responsabilizados.
Ambas as conferências encerraram-se com um compromisso conjunto: uma Igreja livre da violência não é apenas um tema, mas uma promessa a ser concretizada passo a passo em cada congregação, concluíram os palestrantes.
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Transeuropeia.









