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CONGRESSO DE ARQUEOLOGIA BÍBLICA REDUZ DISTÂNCIA ENTRE LEIGOS E ESPECIALISTAS.

29 de outubro de 2017
29 de outubro de 2017
Congresso Internacional de Arqueologia Unasp 2017 11 EDITED

Congresso Internacional de Arqueologia Unasp 2017 11 EDITED

Reunião inédita reuniu pesquisadores principais de Israel, Estados Unidos e Brasil no Centro Universitário Adventista em São Paulo.

Nos últimos dois séculos, as descobertas arqueológicas despertaram interesse público na história da humanidade e na validade das Escrituras. 

As escavações arqueológicas na região da Terra Santa aumentaram no início do século 19 com financiamento europeu e o estabelecimento de centros avançados de estudo e pesquisa em Jerusalém. Jerusalém, Palestina e Jordânia foram as primeiras áreas a serem pesquisadas, entre 1865 e 1898. Foi somente depois de 1922, com o governo britânico na Palestina, que os arqueólogos buscavam especificamente artefatos para corroborar relatos bíblicos.

Precisamente neste contexto, uma das principais descobertas referentes à era bíblica, os Pergaminhos do Mar Morto, foi encontrada nas cavernas de Qumrán. O sítio arqueológico de Khirbet Qumrán, localizado a 35 quilômetros a leste de Jerusalém, abriga cerca de 930 fragmentos de manuscritos que datam de 250 aC a 100 dC. 

Os manuscritos são atualmente mantidos pelo Museu de Israel em Jerusalém. O curador desta coleção é Adolfo Roitman. Durante o Primeiro Congresso Internacional de Arqueologia realizado no campus da Universidade Adventista de São Paulo (UNASP) - Engenheiro Coelho, de 12 a 15 de outubro, Roitman apresentou detalhes e curiosidades dos pergaminhos encontrados em jarras de barro por um beduino enquanto cuidava de ovelhas.

“Estes manuscritos são judeus, encontrados pelos beduínos, arqueólogos e pesquisadores numa área muito inóspita. Representam o achado arqueológico mais importante da era cristã. Para o público em geral, os manuscritos bíblicos ganham muito significado. Em Qumrán, encontramos 230 cópias e fragmentos da Bíblia hebraica, com exceção do livro de Ester”, diz Roitman. “Trinta exemplares do livro de Isaías foram encontrados nas cavernas de Qumrán. Todas as cópias estavam completas e em bom estado de conservação”, ressalta. 

Roitman também afirma que há evidências consistentes para afirmar que a região do sítio arqueológico de Khirbet Qumrán pode ser considerada um pólo de produção literária no período anterior à Era Cristã, uma conclusão que justificaria a presença de fragmentos de manuscritos.

Coleção única

O Museu da Arqueologia Bíblica da UNASP possui a única coleção da área na América do Sul, com quase 2.500 artefatos de Israel e Canaã, além de civilizações sumérias, persas, babilônias, egípcias, gregas e romanas. Setenta unidades apresentando a cultura do antigo Oriente Médio, Mediterrâneo e Europa (antes da Idade Média) foram exibidas durante o congresso.

Uma das peças mais interessantes em exibição foi a réplica do sarcófago do faraó Tutankhamon, de 1.324 aC. Ele morreu ainda jovem depois de ter-se casado com uma meia-irmã aos oito anos de idade. Sua sepultura foi encontrada em 1922, e continha ainda peças de ouro, tecido, mobiliário, armas e textos sagrados. O sarcófago é decorado com ouro e os símbolos da realeza egípcia. 

O campus da UNASP-Engenheiro Coelho, em colaboração com o Instituto Moriá Center e a Universidade Hebraica de Jerusalém, acolheu o congresso não publicado de quatro dias. Mais de 900 pessoas participaram. Dori Goren,  cônsul israelense no Brasil, elogiou a iniciativa afirmando que é um marco para o Brasil e Israel. “Temos o privilégio de sediar este congresso histórico para essas duas nações em futuros intercâmbios de pesquisas acadêmicas e culturais”, enfatizou. 

Os arqueólogos Eli Shukron (Israel), Katia Cytryn-Silverman (Israel), David Sedaca (Estados Unidos), Rodrigo Silva (Brasil) e Jorge Fabro (Brasil) também participaram do evento.

Novos públicos

Para Ana Emilia e Ricardo Almeida, um casal de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, a reunião foi memorável. “Viemos por causa do arqueólogo Rodrigo Silva. Ele é uma autoridade para os brasileiros e ter aulas com ele foi inesquecível. Temos um projeto social através de uma comunidade católica em nossa cidade e o conteúdo aqui aprendido nos ajudará a colaborar mais”, disse Almeida. 

Regina Alcântara viajou mais de quatro mil e quinhentos km com o seu marido, de Rondônia para Engenheiro Coelho, para participar da reunião. “Nunca imaginei haver tanto conhecimento num só lugar! Este congresso nos deu a oportunidade de entender a Bíblia de maneira mais ampla e detalhada”, diz ela.

O diretor do campus da UNASP-Engenheiro Coelho, Paulo Martini, diz que sediar o evento no campus foi uma honra. “É um grande privilégio para a instituição participar do Congresso de Arqueologia com os maiores arqueólogos do Brasil, discutindo um assunto tão importante e relevante quanto as Escrituras Sagradas”, ele afirmou.

Para Rodrigo Silva, curador do Museu de Arqueologia da UNASP e orador da rede de rádio e TV Novo Tempo, o evento foi histórico, não apenas para a UNASP e a Igreja Adventista, mas também para o Brasil. “É o primeiro Congresso de Arqueologia Bíblica; nenhum outro trouxe tantos arqueólogos israelenses a um só lugar para falar sobre Ciência, Arqueologia e a Bíblia”, festejou. Para Ariel Horovitz, organizador e diretor-geral do Instituto Moriá Center, o Congresso aspirava a alcançar novas audiências. “Foi uma oportunidade única para nós compartilhar uma ciência chamada Arqueologia e apresentar Israel a muitos”, concluiu.

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