Discussões sobre inclusão social ganharam destaque recentemente em Belgrado, Sérvia, onde participantes de diversas partes da Europa se reuniram para a Conferência da ADRA sobre os Povos Ciganos e Pessoas em Situação de Rua. O evento teve como objetivo fortalecer parcerias que restauram dignidade, pertencimento e oportunidades para comunidades marginalizadas. A ADRA é a agência humanitária da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Visão geral da conferência
A conferência de três dias, organizada pela ADRA Sérvia, reuniu representantes de mais de dez países, incluindo de escritórios da ADRA, autoridades governamentais, líderes religiosos e especialistas comunitários. O foco esteve em enfrentar o grave problema da exclusão vivida por pessoas em situação de rua e pela população cigana. A mensagem central do evento foi clara: toda pessoa é digna de respeito, merece viver com dignidade e ter a oportunidade de prosperar.
Os participantes envolveram-se em diálogos significativos sobre as causas da exclusão, como moradia precária, falta de acesso à educação, discriminação e traumas. Também foram exploradas abordagens práticas baseadas na fé para promover a integração e a autonomia dentro dessas comunidades.
Principais palestrantes e reflexões
Palestrantes de destaque, vindos de diversas organizações — incluindo a União Europeia, ADRA Europa, Universidade Adventista de Friedensau, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e organizações comunitárias locais — enfatizaram a urgência de desenvolver soluções sustentáveis, de longo prazo e baseadas na comunidade. Essas soluções devem priorizar o protagonismo das pessoas envolvidas e buscar sua integração além da assistência imediata.
Plamena Halacheva, da Delegação da União Europeia na Sérvia, destacou esse sentimento ao afirmar: “A inclusão social não é apenas um objetivo de política pública, mas um valor europeu compartilhado — viver com dignidade e oportunidades.”
João Martins, diretor da ADRA Europa, reforçou esse chamado à ação, incentivando os participantes a verem as pessoas em situação de rua e os povos ciganos não apenas como “categorias”, mas como vizinhos e membros da sociedade que merecem respeito e apoio.
Aplicação prática
Visitas de campo em Belgrado e arredores mostraram o impacto concreto da compaixão em ação. Os participantes conheceram iniciativas como famílias ciganas empenhadas em buscar educação e meios de subsistência, além do projeto Drumodom da ADRA Sérvia, que oferece apoio integrado a pessoas em situação de rua. Essa iniciativa fornece serviços essenciais, incluindo apoio à higiene e saneamento, atendimento de saúde, assistência psicossocial e acesso a recursos habitacionais.
Durante a conferência, os participantes identificaram prioridades fundamentais: fortalecer parcerias, promover o aprendizado coletivo e garantir financiamento sustentável para capacitar comunidades em seus esforços de superação da pobreza.
Compromisso com a mudança
A declaração final, adotada por todos os participantes, reafirmou o compromisso coletivo com a justiça social e a inclusão. O texto dizia:
“Acreditamos que toda pessoa merece respeito, dignidade e a oportunidade de prosperar. Como ADRA, estamos comprometidos com iniciativas cooperativas que promovam a autonomia das pessoas em situação de rua e dos povos ciganos. Juntos, compartilharemos conhecimento, boas práticas, desenvolveremos projetos conjuntos e buscaremos financiamento para intervenções comunitárias que enfrentem as causas profundas da exclusão e da pobreza. Nossa colaboração ampliará o impacto, fortalecerá a defesa dessas causas e promoverá uma visão comum de justiça social e inclusão.”
Um chamado à ação
Líderes da ADRA destacaram: “O chamado à ação é claro: a justiça, a compaixão e o amor nos impulsionam a criar comunidades onde ninguém seja invisível. Toda pessoa deve ter um lugar de pertencimento e um caminho para prosperar. Abraçar essa visão é essencial para a construção de uma sociedade mais inclusiva para todos.”
A versão original deste artigo foi publicada no site da ADRA Europa.






