“Apenas 25% das pessoas que começam chegam ao final da trilha”, revelou Jennifer Pharr Davis. Esse dado impactante ecoou em uma sala cheia de profissionais que, embora talvez não pratiquem trilhas, compreenderam o impacto desse número.
De 22 a 24 de março de 2026, líderes financeiros de toda a Divisão Norte-Americana (DNA) e de outras regiões reuniram-se em Orlando, Flórida, Estados Unidos, para a conferência Além dos Resultados Financeiros, um evento bienal voltado para o impacto orientado pela missão.
Desenvolvida para colaboradores de uniões, associações, sistemas de saúde, universidades e academias, a conferência promove crescimento profissional, colaboração e reflexão. Fundada por Ann Gibson e Gary Dodge, que continuam a orientar sua direção, ela oferece uma oportunidade singular para que os participantes se envolvam em diálogos relevantes e se conectem com colegas que compartilham a responsabilidade de administrar os recursos da igreja.
O Instituto de Liderança Ética da Universidade Adventista Southern coordena a conferência desde 2014. Como compartilhou Mark Hyder, professor associado da instituição, a conferência foi criada para oferecer “formação continuada de excelência em liderança e gestão financeira aos líderes da igreja”. O evento, realizado em parceria com a Divisão Norte-Americana pouco antes da Reunião de Primavera da Igreja Adventista do Sétimo Dia, também oferece educação profissional contínua para contadores adventistas e para aqueles que atuam em funções de tesouraria.
A edição de 2026 da conferência Além dos Resultados Financeiros teve início na noite de domingo com uma palestra de Jennifer Pharr Davis, uma atleta de resistência recordista e reconhecida como Aventureira do Ano pela National Geographic. Davis compartilhou experiências de sua jornada pela Trilha dos Apalaches e destacou a importância da perseverança e da clareza de propósito.
“Para que o trabalho árduo realmente valha a pena, é preciso saber para onde você está indo”, declarou.
Ao longo de segunda e terça-feira, os participantes envolveram-se em uma variedade de seminários e sessões paralelas. As devoções matinais, conduzidas pela presidente da Universidade Adventista Union, Yami Bazan, fundamentaram a experiência nas Escrituras, com base em Neemias 1 e 2, lembrando aos participantes a base espiritual que sustenta seu trabalho. Ao destacar o papel influente de Neemias na reconstrução de Jerusalém, Bazan desafiou os líderes a se importarem a ponto de fazer perguntas, levarem suas dificuldades a Deus e assumirem responsabilidade pelos problemas e pelas soluções.
Entre os palestrantes de destaque estavam David Banks, CEO da AdventHealth, e Tim Lupinacci. Lupinacci, CEO de um dos 100 maiores escritórios de advocacia dos Estados Unidos e autor de Everybody Leads, destacou a importância da autoliderança, da coragem e da influência. Segundo ele, a liderança carrega um “aroma” que molda equipes e organizações.
Ao abordar as crescentes pressões enfrentadas pelos profissionais, Lupinacci afirmou: “É por isso que dedico muito tempo, em nosso escritório, a falar sobre saúde mental, bem-estar e sobre essas ideias de resiliência, de encontrar coisas fora do trabalho que ajudem a recarregar as energias e tragam alegria.”
Quase 24 seminários abordaram uma ampla variedade de temas técnicos, como atualizações fiscais, crescimento de academias, mordomia e modelos de liderança. A principal conclusão foi que a liderança financeira dentro da igreja está profundamente ligada à missão, às pessoas e ao propósito. Os participantes aprenderam que a excelência na mordomia exige não apenas precisão e responsabilidade, mas também caráter, empatia e fé.
A terça-feira contou com um seminário de grande interesse, que atraiu um público numeroso e deixou apenas lugares em pé para os que desejavam participar. Intitulado “Painel de discussão entre CEO e tesoureiro”, o encontro contou com orientações de Don Livesay, Glynn Scott e Brian Danese, centradas em um elemento essencial: os relacionamentos interpessoais, especialmente entre presidentes e tesoureiros. Em suas respostas, os participantes do painel destacaram, de forma cuidadosa, a importância da comunicação aberta, de limites bem definidos, da colaboração no planejamento estratégico, do equilíbrio entre visão e realidade e do uso construtivo das tensões. O objetivo final, concordaram, é avançar a missão da Igreja Adventista.
“Faça sempre o que é certo”, incentivou Don Livesay. “Esforce-se para fazer o que é certo, da maneira certa, no momento certo e pela razão certa.” Encerrando com um alerta, acrescentou: “Se for sobre você, então é pela razão errada.”
Para muitos, a conferência foi tanto uma experiência de aprendizado quanto uma fonte de encorajamento. Alexandra Mora, tesoureira assistente da Divisão Intereuropeia, participou pela primeira vez após fazer a transição do ministério jovem para a área de tesouraria. Ela considerou a experiência oportuna e encorajadora.
“Foi uma experiência realmente positiva”, disse Mora. “Uma das principais lições para mim não foi uma mudança de mentalidade, mas a confirmação dessa mentalidade. Este é um período importante de transição para mim, e eu realmente valorizei o lembrete de que Deus nos prepara quando nos chama. Saio daqui motivada a dar o meu melhor neste novo papel e a ser uma bênção na igreja.”
Já próximo ao fim da conferência, a tesoureira da Divisão Norte-Americana, Judy Glass, conduziu uma sessão plenária intitulada “Olhando para o Futuro”. Glass abordou as incertezas do futuro com base na história agrícola de gerações de sua família no noroeste de Minnesota. Ela compartilhou uma história comovente de agricultores que se uniram para que nenhum deles tivesse prejuízo.
“É isso que a nossa igreja deve fazer: ser as mãos e os pés de Jesus”, enfatizou Glass. “Essa é a parte de ir além dos resultados financeiros.”
A conferência foi encerrada com uma apresentação envolvente da palestrante motivacional, autora e “treinadora de empatia” Vera Jones. Usando uma bola de basquete, Jones convidou os participantes, de forma bem-humorada, a refletir sobre como a empatia pode impulsionar o engajamento, fortalecer relacionamentos e servir como base sólida para uma liderança de alto impacto.
Segundo os organizadores, o evento serviu como um lembrete de que a liderança dentro da igreja está, em última análise, relacionada ao avanço da missão, ao fortalecimento da comunidade e à administração dos recursos de forma alinhada ao propósito maior de Deus.
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão Norte-Americana.










