Portuguese Union of Churches Conference

Adventistas promovem a inclusão de pessoas com deficiência em Portugal

Campanha “Todos no Mesmo Passo” reúne cerca de 500 pessoas em ações de inclusão

Portugal

Cármen Maciel | Andreas Mazza, Divisão Intereuropeia
[Foto: União Portuguesa]

[Foto: União Portuguesa]

Adventistas do sétimo dia de todo o território português participaram de uma campanha nacional que convidou a igreja e a sociedade a criar mais oportunidades para pessoas com deficiência.

A iniciativa “Todos no Mesmo Passo” marcou o encerramento das comemorações dos 120 anos do adventismo em Portugal. A campanha reuniu cerca de 500 participantes de diferentes gerações, ministérios e comunidades.

De uma ideia comemorativa a uma causa nacional

A campanha surgiu em 2025, durante uma reunião de planejamento na União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia (UPASD). A equipe buscava uma forma significativa de encerrar o ano comemorativo.

Os organizadores queriam ir além de um evento de celebração. O objetivo era iniciar uma ação que fizesse a diferença na sociedade e demonstrasse que os adventistas estão presentes em suas comunidades e se importam com os desafios sociais. A proposta era unir as associações, os ministérios e os serviços da UPASD em torno de uma única causa.

Essa causa ficou clara após uma apresentação do Ministério Adventista das Possibilidades (MAP), que mostrou que a Igreja Adventista em Portugal e a sociedade em geral ainda têm um longo caminho a percorrer na inclusão de pessoas com deficiência.

Quatro formas de participar

“Todos no Mesmo Passo” foi concebida como uma campanha de conscientização e defesa de direitos. Seu objetivo era transformar mentalidades e criar condições concretas para que pessoas com deficiência participassem plenamente da vida da igreja e da sociedade. A iniciativa teve quatro frentes:

  • Um concurso de fotografia que convidou os participantes a refletir sobre a inclusão por meio de imagens.

  • Oficinas que proporcionaram espaços de aprendizado e diálogo.

  • Uma petição artística, elaborada como uma obra de arte coletiva, que expressou o compromisso dos participantes com a causa.

  • A Estafeta das Possibilidades, que levou a mensagem a espaços públicos de várias regiões do país.

Cada atividade foi pensada para transmitir uma única mensagem: boas intenções não bastam. A inclusão exige participação, compromisso e a eliminação de barreiras que impedem muitas pessoas de exercer plenamente seus direitos.

Estafeta leva a mensagem às ruas

A Estafeta das Possibilidades foi o momento de maior visibilidade da campanha. As ações no Porto, em Vila Nova de Gaia, Faro e Lisboa buscaram formar uma onda humana em apoio à inclusão.

As câmaras municipais do Porto, de Vila Nova de Gaia e de Faro apoiaram a estafeta, assim como a Junta de Freguesia do Areeiro, em Lisboa. Segundo os organizadores, essa parceria demonstrou o valor da atuação conjunta de instituições religiosas, órgãos públicos e sociedade civil para promover a inclusão.

Crianças e famílias dão o exemplo

As atividades da campanha também ocorreram no Congresso de Jovens Adventistas (JA), no encontro de delegados da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais, no Dia da Saúde e em diversos eventos do MAP ao longo do ano.

No Acampamento Nacional de Desbravadores, os organizadores lançaram uma nova especialidade JA voltada à inclusão. Cerca de 175 crianças de 6 a 11 anos concluíram as atividades propostas com grande entusiasmo e sucesso.

O Acampamento Nacional de Famílias teve a inclusão como tema. Mais de 200 participantes por dia receberam orientações de conscientização sobre deficiência auditiva, deficiência visual, neurodiversidade e mobilidade reduzida.

[Foto: ADRA Portugal]

Um esforço conjunto entre ministérios

A ADRA Portugal coordenou a iniciativa em parceria com o MAP, a Associação Internacional de Temperança (AIT) e a Associação de Jovens Adventistas. Outros ministérios adventistas também contribuíram.

Segundo os organizadores, a colaboração foi, por si só, um aprendizado valioso. Ao unir competências, recursos e redes de contato, as equipes construíram uma campanha de alcance maior do que qualquer ministério conseguiria realizar sozinho.

Um desafio para a igreja

A campanha se dirigiu à sociedade, mas também desafiou a igreja. Segundo os organizadores, uma comunidade inclusiva faz mais do que receber pessoas com deficiência em seus edifícios. Ela garante acessibilidade, ouve suas necessidades, valoriza suas contribuições e cria oportunidades reais de participação na vida espiritual, comunitária e organizacional.

Eles ressaltaram que as pessoas com deficiência não são apenas destinatárias de cuidado ou assistência. São pessoas com habilidades, sonhos, experiências e dons que enriquecem suas comunidades.

Os organizadores afirmaram que a conscientização precisa agora se transformar em mudanças concretas. Isso significa identificar barreiras, adaptar espaços e atividades, incentivar atitudes inclusivas e envolver as pessoas com deficiência nas decisões que as afetam.

O trabalho continua

Os organizadores avaliaram positivamente a participação e as colaborações que a campanha gerou. Ressaltaram, porém, que seu verdadeiro impacto será medido menos pelo número de participantes e pela visibilidade do que pelas conversas que despertou, pelas atitudes que questionou e pelas mudanças que poderá inspirar.

O aniversário deu origem à campanha, mas, segundo os organizadores, sua mensagem permanece viva na maneira como as pessoas acolhem, valorizam e abrem espaço para os outros.

Para eles, não é preciso que todos caminhem da mesma forma para avançar juntos. Esse é o desafio de estar, de fato, todos no mesmo passo.

O artigo original foi publicado no site de notícias da União Portuguesa.

Cármen Maciel | Andreas Mazza, Divisão Intereuropeia

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