Pela primeira vez na história das Assembleias da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, mais de 250 comunicadores de diferentes partes do mundo estão reunidos em um só espaço para contar as histórias do evento. Essa é a realidade da Redação Global — uma operação de notícias integrada e multilíngue, instalada nas suítes de mídia do America’s Center Convention Complex, em St. Louis, Missouri.
Um Modelo de Colaboração Sem Precedentes
Em sessões anteriores, as equipes de comunicação trabalhavam de forma fragmentada, com escritórios e produções separados por região, veículo de mídia ou plataforma. No entanto, a Assembleia da Associação Geral de 2025 marca uma mudança decisiva: pela primeira vez, todos os profissionais de comunicação das divisões, uniões e entidades de mídia da igreja estão fisicamente juntos, atuando como uma única equipe.
Esse esforço integrado vai além de um avanço logístico. Ele é uma representação viva do princípio de unidade na diversidade que sustenta a identidade adventista. Aqui, culturas, estilos e formas de comunicação se encontram — todos com um propósito comum: compartilhar histórias que fortalecem a missão.
A Evolução de um Conceito
Na Assembleia de 2022, em St. Louis, a pandemia forçou a adoção de um modelo híbrido, com cerca de 80 comunicadores distribuídos entre plataformas digitais e alguns escritórios presenciais. Essa experiência demonstrou que era possível trabalhar de forma coordenada, mesmo com as equipes fisicamente separadas.
Agora, em 2025, a Redação Global dá um passo além, não apenas concentrando a equipe em um único espaço, mas também fortalecendo a produção de conteúdo multilíngue, a cobertura simultânea dos eventos e a distribuição em diversas plataformas digitais e tradicionais.
Coordenação, Desafios e Lições Aprendidas
Para Alyssa Truman, diretora de notícias da Associação Geral, liderar uma equipe com mais de 250 comunicadores em um único espaço é a realização de um sonho antigo.
“Desde que comecei neste cargo, sempre quis encontrar uma maneira de unir o mundo, de nos aproximar de forma mais real, porque não acredito que possamos cumprir nossa missão trabalhando isoladamente,” afirmou Truman.
A organização tem sido complexa, especialmente por ser a primeira vez que algo assim é realizado. “O maior desafio tem sido entender a logística: como integrar, como permitir que cada entidade mantenha sua autonomia e, ao mesmo tempo, trabalhe de forma realmente colaborativa,” afirmou Truman. Apesar das dificuldades, ela destaca a disposição admirável da equipe em buscar soluções. “Tem havido uma conexão bonita e uma colaboração genuína entre todos,” afirmou.
Os desafios logísticos não foram pequenos. “Enfrentamos problemas de Wi-Fi que afetaram a transmissão instantânea de fotos diretamente do piso do evento — algo para o qual tínhamos nos planejado com cuidado,” explicou. “Tivemos que improvisar com cabos e adaptar nossas rotas de trabalho para garantir a entrega do conteúdo, mesmo que um pouco mais lenta.”
Um dos principais aprendizados foi a necessidade de planejar as histórias com antecedência e encontrar formas práticas para que os comunicadores se organizem.
“Fizemos vários testes até finalmente criarmos um painel colaborativo em uma plataforma digital — embora tenha sido mais complexo do que esperávamos,” contou Truman. “No início, havia matérias sem responsáveis e fotógrafos sem uma rota clara, mas no segundo dia já estávamos funcionando de forma mais fluida.”
Para Truman, essa experiência marcou uma diferença substancial em relação às assembleias anteriores.
“Antes, cada um fazia sua própria cobertura. Era comum encontrar o mesmo artigo escrito por 10 pessoas diferentes para 10 divisões diferentes. Agora, aprendemos a criar conteúdos de forma centralizada, que podem ser adaptados localmente. Isso reduz o esforço individual e fortalece o trabalho coletivo.”
A diretora de notícias enfatiza o impacto dessa metodologia para a igreja mundial.
“Estamos enviando uma mensagem unificada ao mundo. Cada história agora tem o mesmo foco e a mesma prioridade. Isso nos ajuda a consolidar nossa identidade como igreja e nos move em direção a uma unidade que é, por si só, uma prioridade missionária.”
O que mais surpreendeu Truman nesse processo foi a resposta da equipe.
“Eu orei por isso durante um ano. Achei que haveria resistência, mas encontrei uma geração de líderes de comunicação dispostos a romper com moldes tradicionais e colaborar. Isso é algo que a igreja precisava há muito tempo.”
Para Truman, essa colaboração responde não apenas a um sonho pessoal, mas a um anseio coletivo:
“Deus levantou líderes com um profundo desejo de servir à missão e unir a igreja. Este projeto só é possível graças a eles. Uma pessoa pode ter uma visão, mas se os outros não estiverem dispostos a se unir, nada acontece. O que mais me comoveu foi a disposição da equipe em dedicar seus melhores talentos à igreja e apoiar seus irmãos e irmãs ao redor do mundo. Embora fosse isso que eu esperava, ver isso se concretizar superou tudo o que eu poderia expressar. Tem sido uma experiência profundamente comovente.”
Trabalho Contínuo e Multilíngue
A dinâmica da redação é intensa. As equipes trabalham em turnos para cobrir as atividades desde o início de cada dia até o último programa. Notícias, fotografias, transmissões ao vivo e conteúdo para redes sociais são produzidos em diversos idiomas, incluindo inglês, espanhol, português, francês e outros.
O desafio técnico é enorme. A coordenação entre editores, fotógrafos, designers, produtores de vídeo, técnicos de streaming e administradores de plataformas exige uma sincronização precisa.
“Uma das chaves foi estudar com antecedência os temas e a agenda de votações, para que pudéssemos gerar conteúdo com precisão e agilidade. Criamos um espaço centralizado onde todos os colaboradores podiam visualizar e compartilhar o conteúdo que estava sendo produzido. O que tornou a Redação Global possível foi justamente o trabalho em equipe e a colaboração constante entre todos os departamentos,” explica Angélica Sánchez, responsável pelas operações técnicas.
A lição técnica mais valiosa, segundo Sánchez, tem sido a necessidade de flexibilidade.
“Na Redação Global, precisamos publicar conteúdo preciso, mas às vezes surgem mudanças ou temas fora da agenda. Aprendemos que é preciso estar sempre prontos para nos adaptar. Ser flexível e saber como reagir ao inesperado foi o que nos permitiu seguir em frente.”
Um Espaço de Aprendizado e Conexão
Para além da cobertura jornalística, a Redação Global se transformou em um espaço de mentoria e crescimento. Para muitos, esta é a primeira experiência em uma Assembleia da Associação Geral.
“É uma oportunidade realmente interessante poder colaborar com pessoas de tantos países e equipes diferentes. Todos trabalhamos com o mesmo objetivo e, embora haja uma certa pressão para que tudo saia bem, o mais valioso tem sido ver como todos estão dispostos a colaborar sem precisar de supervisão. Cada um é responsável pelo seu trabalho, mas compartilhamos a mesma motivação de fazer tudo da melhor maneira possível,” comenta Ingrid Gallardo, fotógrafa do México.
A Redação Global também se tornou uma oportunidade única para que comunicadores de diferentes regiões compartilhem estilos, desafios e aprendizados. A riqueza cultural se reflete nas múltiplas formas de contar histórias — desde os corredores até as reuniões, cultos e exposições.
“Tenho aprendido muito sobre fluxos de trabalho, organização e processos que facilitam a produção, inclusive em áreas como permissões, direitos autorais e metadados. Compreender essas metodologias me ajudou a enxergar como meu trabalho não apenas contribui com minha equipe, mas se torna parte de um projeto global,” acrescenta Ingrid Gallardo.
Um Legado para as Próximas Assembleias
A Redação Global vai além da cobertura dos acontecimentos — ela está estabelecendo um modelo que provavelmente será replicado em futuras assembleias. A presença física no mesmo local permitiu que comunicadores que antes se conheciam apenas por e-mail ou videochamadas construíssem conexões reais.
“A Redação Global é a realização de um sonho. Em vez de todo mundo produzir as mesmas 30 matérias repetidamente, agora conseguimos criar 300 histórias que revelam todos os aspectos do adventismo por meio desta Assembleia da Associação Geral. Isso só se tornou realidade graças às orações de muitos de nós ao longo dos anos,” compartilhou, visivelmente emocionado, Sam Neves, diretor associado de comunicação da Associação Geral.
Esse trabalho unido não apenas fortalece a missão no presente, mas também estabelece as bases para um futuro em que a comunicação continue sendo uma ferramenta essencial para conectar, informar e inspirar a família adventista ao redor do mundo.
Para acompanhar a cobertura completa da Assembleia da Associação Geral de 2025 — com atualizações em tempo real, entrevistas exclusivas e relatos dos delegados — acesse adventist.news e siga a ANN nas redes sociais.







