Quando 2.809 delegados oficiais de todo o mundo se reuniram em St. Louis para a Assembleia da Associação Geral (AG) de 2025, poucos imaginavam que estavam no centro de uma das mais ousadas operações tecnológicas temporárias já realizadas por uma comunidade de fé.
Nos bastidores, uma equipe pequena e determinada transformou silenciosamente o complexo de convenções America’s Center em uma verdadeira “cidade digital”, com Wi-Fi de nível empresarial, votação eletrônica segura, acesso a conteúdo multilíngue, monitoramento em tempo real e uma ampla infraestrutura de rede.
Uma Visão em Evolução
Adrian Schmidt, diretor de Serviços de Informação (IS) da AG, e o diretor associado, Gerardo Sangronis, estiveram no centro dessa operação invisível.
“Queremos que a tecnologia esteja disponível, mas invisível”, explicou Schmidt. “Assim como ninguém percebe o som quando está funcionando bem, se fizermos nosso trabalho corretamente, os delegados nem vão notar nossa presença.”
Essa visão começou a ser construída em 2015, quando a votação eletrônica foi introduzida pela primeira vez. Em 2022, com o mundo saindo da pandemia, a AG adotou um modelo híbrido que trouxe desafios como falhas de conexão, fluxos de trabalho pouco claros e falta de coordenação com prestadores terceirizados. As lições aprendidas moldaram a abordagem adotada para 2025.
“Começamos o planejamento logo após 2022”, disse Schmidt. “Quando entrei, mais de um ano atrás, o planejamento já estava em andamento. Este evento não acontece do nada — é uma orquestração de um ano inteiro.”
Sangronis concorda: a orquestração não foi apenas técnica, foi também estratégica.
Construindo uma Cidade Digital Temporária
Embora quinze caminhões tenham sido usados para transportar materiais da sede da AG em Silver Spring, Maryland, apenas treze paletes continham os equipamentos da equipe de TI. O restante levava itens para os estandes da AG e suprimentos gerais de escritório.
“Praticamente transferimos escritórios inteiros para cá”, comentou Sangronis.
A escala da operação foi impressionante: 150 pontos de acesso Wi-Fi, mais de 100 monitores, 50 impressoras, mais de 60 switches de rede e milhares de cabos instalados sob os carpetes para evitar acidentes.
A equipe se preparou para de 5.000 a 6.000 conexões simultâneas de dispositivos.
“Cada delegado pode trazer um laptop, um tablet e um celular”, explicou Schmidt. “Tínhamos que estar prontos.”
Para atender um público global usando tanto dispositivos novos quanto antigos, foram implantadas duas redes sem fio distintas: uma otimizada para equipamentos modernos com frequência de 5 GHz, e outra para dispositivos mais antigos, com suporte a 2,4 GHz.
“Queríamos que todos tivessem a mesma experiência confiável, independentemente do aparelho que trouxessem”, completou Sangronis.
Votação em Larga Escala
Talvez a tarefa mais crítica fosse viabilizar a votação eletrônica em tempo real para quase 3.000 delegados. O sistema utilizado foi o ElectionBuddy, uma plataforma em nuvem gerenciada por um provedor canadense. Cada delegado recebeu um cartão de votação personalizado com um QR code e um PIN, garantindo a segurança do voto e preservando o anonimato.
A equipe garantiu que o sinal de Wi-Fi cobrisse todo o pavilhão da convenção, mesmo com a preferência por assentos na primeira fila para os delegados. “Não queríamos que a posição de alguém na sala interferisse na capacidade de votar”, enfatizou Gerardo. Cada voto registrado foi um testemunho silencioso de meses de planejamento, testes e uma complexa coordenação invisível nos bastidores.
Uma Equipe Global para uma Igreja Global
Embora a equipe central de TI da AG no local fosse composta por apenas 14 pessoas (incluindo dois voluntários), a missão era global. Voluntários da área de TI das diversas divisões da igreja — Europa, África Ocidental, Quênia, América do Sul e outras regiões — se juntaram ao esforço.
“Eles vieram como voluntários, oferecendo suporte aos delegados em seus próprios idiomas e contextos regionais.”
Vestindo jaquetas cinza padronizadas, essa equipe técnica internacional tornou-se um símbolo vivo de unidade. “Não era apenas a equipe de TI da AG ou interdivisional”, afirmou Schmidt. “Era a Tecnologia Adventista — todos trabalhando juntos pela igreja.”
Protegendo a Missão
Com uma estrutura digital tão ampla, a cibersegurança era prioridade absoluta. As credenciais dos delegados, seus votos e os dispositivos pessoais exigiam proteção rigorosa.
“Fizemos tudo o que era tecnicamente possível”, explicou Schmidt, citando o monitoramento em tempo real, atualizações de firewall, sistemas redundantes e atualizações constantes de software.
Os servidores principais permaneceram em Silver Spring, mas a equipe criou um plano de contingência para qualquer eventualidade, incluindo servidores de backup e cópias frequentes e incrementais do banco de dados.
“Você pode ter todos os sistemas e serviços corretos”, acrescentou Sangronis, “mas alguém precisa estar monitorando tudo ativamente. E foi o que fizemos — hora a hora.”
Inovação no Ministério
Algumas inovações tecnológicas foram mais visíveis para os participantes. Um sistema de bilhetagem desenvolvido internamente permitiu que visitantes comprassem refeições ou ingressos para eventos online ou escaneando QR codes na entrada — reduzindo o uso de dinheiro e as longas filas.
Os enormes painéis de LED no pavilhão foram integrados pela equipe da AG, embora fornecidos por uma empresa parceira.
“Também instalamos todos os iPads usados para escanear as credenciais nas reuniões administrativas, o que economizou muito tempo.”
O Invisível Tornando-se Visível
Muito além dos equipamentos e servidores, essa estrutura tecnológica tinha um propósito espiritual.
“Não fazemos tecnologia por fazer”, refletiu Sangronis. “Fazemos para que a missão avance. Para que os delegados possam votar, adorar e participar sem distrações.”
Valores teológicos como transparência, responsabilidade e inclusão foram “codificados” em cada decisão, segundo a equipe. Ao oferecer suporte a sete transmissões simultâneas em diferentes idiomas, acesso equitativo ao Wi-Fi e votação anônima, a infraestrutura de TI tornou os valores adventistas algo concreto. Cada clique, cada hino transmitido e cada voto seguro contribuíram para unir uma família global — sem ruídos e sem interrupções.
A desmontagem começou no sábado à noite, 13 de julho. Em poucos dias, todos os equipamentos terão desaparecido. Alguns retornarão a Washington, outros poderão ser usados em eventos futuros. Mas o verdadeiro legado permanece: um modelo de colaboração, um compromisso com a excelência e um testemunho silencioso de que, na era digital, até o trabalho mais invisível pode iluminar a missão.
“Em última análise”, concluiu Schmidt, “nosso objetivo é que a tecnologia desapareça para que a mensagem de Jesus ocupe o centro do palco.”
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