Em uma comunidade onde o abuso de drogas tem aprisionado muitas vidas jovens, um jovem adventista está usando a dança para restaurar a esperança.
Makadunyiswe Moyo, de 26 anos, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Chitungwiza, fundou o Mamero, um grupo juvenil de danças tradicionais que se tornou um verdadeiro refúgio para jovens a partir dos 11 anos de idade. Seu objetivo é simples: manter os jovens longe das ruas e ajudá-los a encontrar um propósito.
“Vi meus colegas se destruindo por causa das drogas”, disse Moyo. “Quis oferecer algo melhor, algo que trouxesse alegria e significado.”
A ideia de Moyo ganhou forma depois que ele participou da capacitação Youth Alive (Juventude Viva), um programa da igreja que capacita jovens a alcançarem outros por meio de iniciativas criativas e fundamentadas na fé.
“A capacitação me ajudou a perceber que posso usar o grupo de dança para transformar vidas sem comprometer minha fé. Posso usar o que tenho à disposição para fazer a diferença”, disse Moyo. “A dança se tornou o meu ministério.”
Ele acrescenta que a experiência o fez enxergar a importância de integrar os membros de seu grupo de dança à igreja, tornando-os parte do Clube de Desbravadores. Isso melhorou significativamente o estilo de vida e o comportamento dos participantes.
A iniciativa recebeu apoio da liderança da igreja.
“Esse jovem está fazendo algo muito importante”, disse Dennis Munaiwa, diretor do Ministério Jovem da União Leste do Zimbábue. “É uma ótima iniciativa, e eu o parabenizo por isso. Vemos essa ação como uma forma criativa e eficaz de evangelismo. O grupo faz parte do Clube de Desbravadores, o que é excelente. Esperamos que continuem envolvidos em mais programas da igreja, incluindo a Voz da Profecia, para que se integrem plenamente à comunidade da fé.”
Em Chitungwiza, as danças tradicionais fazem parte da cultura local. Moyo viu nisso uma oportunidade de envolver seus colegas de forma familiar, usando o ritmo para iniciar conversas sobre estilo de vida saudável, fé e serviço comunitário.
Fé em movimento
O grupo Mamero já se apresentou em eventos comunitários e competições, conquistando diversos prêmios por sua coreografia vibrante e trabalho em equipe. Mas, para Moyo, a verdadeira vitória vai além do palco.
Quando o grupo ganha prêmios em dinheiro, o que acontece com frequência, eles reinvestem o valor na comunidade. Juntos, iniciaram pequenos projetos, como a criação de galinhas, para arrecadar fundos destinados à compra de mantimentos para idosos e ao pagamento de mensalidades escolares de crianças de famílias em dificuldade.
“Ajudar os outros me traz mais alegria do que ficar com o dinheiro”, disse Moyo. “Nós dançamos para atrair a atenção das pessoas e, quando elas se reúnem, falamos sobre Deus e sobre os perigos do uso de drogas.”
Na modesta casa de sua mãe, no bairro Unidade M, em Chitungwiza, Moyo exibe com orgulho os troféus e certificados conquistados pelo Mamero ao longo dos anos. Cada um deles conta uma história de trabalho em equipe, transformação e fé em ação.
A mãe de Moyo, observando da varanda, disse sentir orgulho da compaixão do filho. “Ele poderia ter usado o dinheiro para si mesmo”, afirmou. “Mas escolheu ajudar os idosos e alimentar os famintos. É isso que me enche de orgulho.”
Esperança em movimento
Embora não tenha um emprego formal, Moyo acredita que seu ministério por meio da dança é um chamado. Ele espera que o Mamero continue inspirando outros jovens adventistas a usarem seus dons em favor da missão e do impacto social.
“Nem todos conseguimos pregar”, disse ele, “mas todos podemos mostrar o amor de Deus à nossa maneira.”
Por meio do movimento e da melodia, o Mamero tornou-se um símbolo de esperança em uma comunidade em busca de mudança, afirmam pessoas que apoiam a iniciativa.
“A história dele é um lembrete poderoso de que o ministério nem sempre usa terno ou fica atrás de um púlpito. Às vezes, ele calça sapatos de dança”, disseram. “Isso é mais do que arte, é o ministério em movimento.”
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Africana do Sul e do Oceano Índico.








