Henry Lowery estava em uma quadra de basquete em Detroit, nos Estados Unidos, em maio, quando recebeu uma ligação do coordenador de desbravadores da Região do Lago, perguntando se o seu corpo de tambores dos desbravadores poderia se apresentar durante a Assembleia da Associação Geral em St. Louis, no sábado, 12 de julho de 2025.
Lowery não hesitou. “No mesmo dia, conversei com os outros líderes para ver se eles podiam apoiar a ideia”, contou. “Eles disseram: ‘Sim, é algo que podemos fazer.’”
Mas foi uma oportunidade que ele quase perdeu.
Algumas semanas antes, ele havia dito ao pastor e a outros líderes da Igreja de Burns que pretendia deixar a liderança do clube.
“Falei para a igreja que este seria meu último ano, porque estava sendo demais para mim”, disse o jovem de 28 anos. Além disso, o ministério dos desbravadores parecia estagnado. Antes com mais de 20 membros, o clube agora tinha apenas seis. Apesar de ter reativado os Burns Falcons quase dois anos antes, ele não via o crescimento que esperava.
Da Raiva à Missão
Lowery sabe, por experiência própria, o quanto o ministério dos desbravadores pode ser transformador. Crescendo em Detroit sem a presença do pai, ele enfrentava muita raiva, envolvia-se frequentemente em brigas e chegou até a ser suspenso da escola pública.
Contudo, as coisas começaram a mudar quando ele se matriculou na Peterson-Warren Academy e entrou para os desbravadores.
“O diretor dos desbravadores, Rick Fuller, e meus professores Arthur e Alice Strawbridge investiram muito em mim”, disse ele sobre os professores adventistas da escola de ensino fundamental e médio em Inkster, Michigan. “A orientação deles me ajudou a deixar para trás muita raiva. Sempre penso: e se eles não estivessem lá? Onde eu estaria agora?”
Criando um Corpo de Tambores Pela Fé
Quando os jovens da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Burns começaram a pedir por um corpo de tambores, Lowery não conseguiu dizer não. “Eles vinham até mim dizendo: ‘Todos têm um corpo de tambores, nós nunca tivemos’”, lembrou. “Eu dizia: ‘Mesmo que conseguíssemos os tambores, não temos um líder.’”
Mas eles continuaram insistindo.
Lowery decidiu dar um passo de fé e aprender a tocar bateria por conta própria. “Passei o verão de 2023 assistindo a vídeos de prática, aprendi três cadências em todos os tipos de tambores. Eu só queria que nossos jovens tivessem todas as experiências possíveis.”
Preparação
Quando a ligação chegou em maio, levou alguns meses para que o financiamento da viagem se concretizasse. Com ajuda financeira da Divisão Norte-Americana, da União do Lago e da Região do Lago, eles tiveram cerca de três semanas intensas para se preparar.
O clube de Lowery e outro de Inkster — um clube comunitário formado principalmente por jovens não adventistas — ensaiavam quatro horas por dia, viajando 40 minutos de carro para praticar juntos. Carregavam os tambores nos ônibus, organizavam os acompanhantes e encaixavam os ensaios entre a Escola Cristã de Férias, reuniões da diretoria e outras atividades da igreja. “Encontrar tempo foi a parte mais difícil”, disse Lowery, que também atua como ancião em sua igreja. “Ainda tínhamos todas as outras responsabilidades.”
Quando saíram de Inkster por volta das 21h da quinta-feira anterior à apresentação no sábado, todos estavam exaustos. Chegaram em St. Louis ao amanhecer de sexta-feira, passaram o dia esperando no pavilhão de exposições e ainda não sabiam exatamente como seria a apresentação. Os organizadores ainda estavam definindo os detalhes do programa.
“Nós nunca conseguimos ensaiar no palco”, explicou.
Um Momento que Reacendeu seu Propósito
Lowery achava que as crianças não compreendiam a grandiosidade do evento até o dia da apresentação, quando viram a multidão de milhares de pessoas no imenso domo do America's Center.
“Nem mesmo nos bastidores, tirando fotos com o presidente da igreja mundial [Erton Köhler], caiu a ficha”, disse ele. “Mas, quando entraram no palco, entenderam.”
O fim de semana fez mais do que empolgar as crianças. Deu a Lowery um novo senso de propósito. No culto jovem promovido pela Associação de Diretores Jovens Adventistas Negros, onde o palestrante motivacional Eric Thomas pregou, cada música e mensagem pareciam direcionadas diretamente a ele.
“Tudo falava contra as minhas objeções, dizendo para eu não desistir”, contou. “Foi como se Deus dissesse: ‘ainda não. É por isso que você ainda está aqui.’”
Ver seus jovens percussionistas naquele palco gigante foi a confirmação. “Essas crianças nunca teriam tido essa oportunidade se eu tivesse desistido”, disse Lowery. “Quem sabe quantos outros momentos teriam sido perdidos?”
Por isso, por enquanto, o freelancer de TI — que mantém a agenda flexível para se dedicar aos desbravadores — não pretende ir a lugar algum. “Claro, eu gostaria de ganhar mais dinheiro, formar uma família, tudo isso”, disse ele. “Mas, quando oro, ouço Deus dizendo: ainda não. É aqui que você precisa estar agora.”
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Norte-Americana. Entre no canal da ANN no WhatsApp para acompanhar as últimas notícias da Igreja Adventista.






