Silvestre Adventist Hospital - Rio

Hospital Adventista Silvestre realiza primeiro transplante de intestino isolado no Rio de Janeiro, Brasil

A cirurgia durou cerca de seis horas e renovou a esperança da paciente de retomar os planos interrompidos pela doença

Brasil

Patrícia Ferreira e Rafael Brondani, Hospital Adventista Silvestre
Equipe realiza transplante isolado de intestino no Hospital Silvestre; cirurgia durou aproximadamente seis horas.

Equipe realiza transplante isolado de intestino no Hospital Silvestre; cirurgia durou aproximadamente seis horas.

O Hospital Adventista Silvestre, que integra a Rede Adventist Health no Brasil, realizou, em 5 de setembro, o primeiro transplante intestinal isolado do estado do Rio de Janeiro. A paciente, Viviane, passou pela cirurgia realizada em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).

A operação durou aproximadamente seis horas. Viviane recebeu um transplante dos intestinos delgado e grosso, sem o transplante simultâneo de outros órgãos, como fígado, pâncreas ou estômago. Em decorrência da doença de Crohn, ela apresentava síndrome do intestino curto, insuficiência intestinal e desnutrição grave. Essas condições comprometiam a absorção dos nutrientes necessários ao organismo.

Cirurgiões durante o primeiro transplante intestinal isolado realizado no estado do Rio de Janeiro, no Hospital Adventista Silvestre. [Foto: Priscila Pahim Lopes]

Para Viviane, o transplante representa a esperança de recuperar a saúde e retomar os planos interrompidos pela doença.

“Espero que ele me devolva todos os sonhos que não pude realizar. Que me dê força, saúde e condições de continuar sendo quem eu sou”, disse ela.

Procedimento de alta complexidade

Embora seja raramente realizado no Brasil, o transplante intestinal é indicado em situações específicas, como complicações graves associadas ao uso prolongado da nutrição parenteral, que fornece nutrientes diretamente à corrente sanguínea por meio de um cateter. Segundo Ranieri Leitão, diretor médico do Hospital Adventista Silvestre, Viviane dependia exclusivamente desse suporte havia vários anos.

O procedimento, realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mobilizou a equipe do Hospital Adventista Silvestre para uma cirurgia que durou aproximadamente seis horas. [Foto: Priscila Pahim Lopes]

Eduardo Fernandes, cirurgião-chefe e coordenador da unidade de transplantes hepáticos e multiviscerais, explicou que a equipe já tinha experiência com transplantes multiviscerais, nos quais vários órgãos são transplantados ao mesmo tempo. “Alguns deles participaram do primeiro transplante multivisceral do estado, com o transplante conjunto do intestino delgado, fígado, pâncreas e estômago”, afirmou.

Segundo o cirurgião Felipe Pedreira Tavares de Mello, a operação transcorreu sem complicações. Ele explicou que cirurgias anteriores podem deixar aderências, cicatrizes internas que dificultam uma nova intervenção.

Equipe do Hospital Adventista Silvestre, onde foi realizado o primeiro transplante intestinal isolado do estado do Rio de Janeiro, pela Rede Adventist Health no Brasil. [Foto: Priscila Pahim Lopes]

“Para nossa surpresa, encontramos um cenário um pouco mais favorável do que imaginávamos. A cirurgia transcorreu muito bem, sem complicações, e estamos bastante esperançosos quanto ao sucesso do procedimento como um todo”, afirmou.

Experiência em transplantes

Desde 2010, o Hospital Adventista Silvestre realizou 1.688 transplantes de rim e fígado. Seu histórico também inclui o primeiro transplante de pâncreas do mundo pela técnica segmentar isolada, que utiliza parte do órgão do doador.

O Hospital Adventista Silvestre realizou 1.688 transplantes de rim e fígado desde 2010. [Foto: Priscila Pahim Lopes]

Atualmente, sete dos 12 cirurgiões da equipe de transplante de fígado são mulheres. A maioria dessas profissionais fez residência no hospital e construiu sua carreira na instituição. A equipe também buscou capacitação nos Estados Unidos para realizar transplantes intestinais.

“Foram muitos anos de dedicação, estudo e experiência. Para que o procedimento de hoje fosse possível, foram necessários muitos anos de experiência acumulada”, afirmou Fernandes.

Ao falar sobre o atendimento que recebeu, Viviane destacou sua admiração pela medicina e pelas pessoas que se dedicam aos pacientes.

“Acho a medicina linda. As descobertas, as soluções que encontram para ajudar os outros. A empatia, o amor ao próximo. Ajudar o ser humano. Acho isso muito bonito.”

Setembro Verde

Profissionais do Hospital Adventista Silvestre, instituição com experiência em transplantes de órgãos. [Foto: Priscila Pahim Lopes]

O procedimento ocorreu durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Segundo Cristian Denis da Silva, diretor-geral do Hospital Adventista Silvestre, a realização do transplante reflete o preparo da equipe e a trajetória da instituição.

“Este momento coroa a celebração dos nossos 16 anos de pioneirismo em transplantes de fígado e rim, uma trajetória construída com ciência, experiência e, acima de tudo, compromisso com a vida”, afirmou Silva. “Em pleno Setembro Verde, louvamos a Deus por esta conquista: mais um marco histórico, com a realização do primeiro transplante intestinal, que abre um novo capítulo nessa trajetória.”

O artigo original foi publicado no site de notícias do Hospital Adventista Silvestre.

Patrícia Ferreira e Rafael Brondani, Hospital Adventista Silvestre

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