O Hospital Adventista Silvestre, que integra a Rede Adventist Health no Brasil, realizou, em 5 de setembro, o primeiro transplante intestinal isolado do estado do Rio de Janeiro. A paciente, Viviane, passou pela cirurgia realizada em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).
A operação durou aproximadamente seis horas. Viviane recebeu um transplante dos intestinos delgado e grosso, sem o transplante simultâneo de outros órgãos, como fígado, pâncreas ou estômago. Em decorrência da doença de Crohn, ela apresentava síndrome do intestino curto, insuficiência intestinal e desnutrição grave. Essas condições comprometiam a absorção dos nutrientes necessários ao organismo.

Para Viviane, o transplante representa a esperança de recuperar a saúde e retomar os planos interrompidos pela doença.
“Espero que ele me devolva todos os sonhos que não pude realizar. Que me dê força, saúde e condições de continuar sendo quem eu sou”, disse ela.
Procedimento de alta complexidade
Embora seja raramente realizado no Brasil, o transplante intestinal é indicado em situações específicas, como complicações graves associadas ao uso prolongado da nutrição parenteral, que fornece nutrientes diretamente à corrente sanguínea por meio de um cateter. Segundo Ranieri Leitão, diretor médico do Hospital Adventista Silvestre, Viviane dependia exclusivamente desse suporte havia vários anos.

Eduardo Fernandes, cirurgião-chefe e coordenador da unidade de transplantes hepáticos e multiviscerais, explicou que a equipe já tinha experiência com transplantes multiviscerais, nos quais vários órgãos são transplantados ao mesmo tempo. “Alguns deles participaram do primeiro transplante multivisceral do estado, com o transplante conjunto do intestino delgado, fígado, pâncreas e estômago”, afirmou.
Segundo o cirurgião Felipe Pedreira Tavares de Mello, a operação transcorreu sem complicações. Ele explicou que cirurgias anteriores podem deixar aderências, cicatrizes internas que dificultam uma nova intervenção.

“Para nossa surpresa, encontramos um cenário um pouco mais favorável do que imaginávamos. A cirurgia transcorreu muito bem, sem complicações, e estamos bastante esperançosos quanto ao sucesso do procedimento como um todo”, afirmou.
Experiência em transplantes
Desde 2010, o Hospital Adventista Silvestre realizou 1.688 transplantes de rim e fígado. Seu histórico também inclui o primeiro transplante de pâncreas do mundo pela técnica segmentar isolada, que utiliza parte do órgão do doador.

Atualmente, sete dos 12 cirurgiões da equipe de transplante de fígado são mulheres. A maioria dessas profissionais fez residência no hospital e construiu sua carreira na instituição. A equipe também buscou capacitação nos Estados Unidos para realizar transplantes intestinais.
“Foram muitos anos de dedicação, estudo e experiência. Para que o procedimento de hoje fosse possível, foram necessários muitos anos de experiência acumulada”, afirmou Fernandes.
Ao falar sobre o atendimento que recebeu, Viviane destacou sua admiração pela medicina e pelas pessoas que se dedicam aos pacientes.
“Acho a medicina linda. As descobertas, as soluções que encontram para ajudar os outros. A empatia, o amor ao próximo. Ajudar o ser humano. Acho isso muito bonito.”
Setembro Verde

O procedimento ocorreu durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Segundo Cristian Denis da Silva, diretor-geral do Hospital Adventista Silvestre, a realização do transplante reflete o preparo da equipe e a trajetória da instituição.
“Este momento coroa a celebração dos nossos 16 anos de pioneirismo em transplantes de fígado e rim, uma trajetória construída com ciência, experiência e, acima de tudo, compromisso com a vida”, afirmou Silva. “Em pleno Setembro Verde, louvamos a Deus por esta conquista: mais um marco histórico, com a realização do primeiro transplante intestinal, que abre um novo capítulo nessa trajetória.”
O artigo original foi publicado no site de notícias do Hospital Adventista Silvestre.






