Por alguns instantes, a Igreja Universitária pareceu se transformar em um terminal aéreo. O som que antecede os anúncios de embarque quebrou o silêncio e despertou a curiosidade entre os presentes. Mas não se tratava de uma viagem turística, e sim de um chamado para cruzar fronteiras em favor da missão. Esse foi o ambiente durante o Festival de Missões na Universidade de Montemorelos, em Montemorelos, Nuevo León, México.
O evento reuniu toda a comunidade universitária — estudantes, professores, funcionários administrativos e membros da igreja local — em uma experiência centrada no serviço intercultural e no compromisso com a missão global, realizada nos dias 27 e 28 de fevereiro.
Um chamado a sonhar grande pela missão
O ex-presidente da Associação Geral, pastor Ted N. C. Wilson, um dos principais oradores do evento, desafiou os estudantes a manterem uma visão ampla e global do chamado cristão.
“Quando você faz parte da missão de Deus, precisa sonhar grande”, afirmou Wilson durante sua mensagem na manhã de sábado.
Ao refletir sobre a história bíblica de José, Wilson lembrou ao público que a fidelidade ao propósito de Deus pode envolver dificuldades, mas nunca deve levar ao abandono da missão.
“Na sua jornada missionária, você pode se encontrar muitas vezes no calabouço ou no poço”, disse. “Mas, se permanecer fiel, quando Jesus voltar, Ele o levará para a corte celestial.”
Wilson também destacou o compromisso histórico da Universidade de Montemorelos com a missão.
“Esta universidade nunca hesitou em seu propósito: pensar grande e sonhar alto”, afirmou.
Durante uma apresentação à tarde, Wilson percorreu a história do movimento missionário adventista, lembrando que já se passaram 150 anos desde que o primeiro missionário adventista oficial, John N. Andrews, foi enviado à Suíça em 1874. Esse momento marcou o início formal da missão global da igreja.
Wilson enfatizou a importância de manter uma identidade espiritual clara, fundamentada em Apocalipse 12:17 e 19:10, que descrevem a missão do povo remanescente de Deus.
Ele também destacou três princípios essenciais para missionários que atuam em contextos interculturais:
“Adapte-se, adapte-se e adapte-se.”
Respeitar as culturas, aprender idiomas e contextualizar a mensagem do evangelho sem comprometer os princípios bíblicos, afirmou, são elementos essenciais para um trabalho missionário eficaz.
Missão além das fronteiras
O pastor Joni De Oliveira, secretário executivo associado da Missão Adventista na Divisão Sul-Asiática, incentivou os participantes a confiarem na direção divina ao responderem ao chamado missionário.
Em uma mensagem baseada em Atos 18, De Oliveira destacou quatro certezas para aqueles que respondem ao chamado missionário: haverá oposição ao evangelho, mas também haverá pessoas dispostas a abrir seus lares e corações; o trabalho fiel produz resultados; e a presença de Deus permanece constante.
“Não se preocupe dizendo: ‘O que farei lá?’ ou ‘Quem encontrarei lá?’”, disse De Oliveira. “Sua preocupação deve ser declarar: ‘Senhor, eis-me aqui: envia-me a mim’.”
Após compartilhar experiências do campo missionário em contextos desafiadores, De Oliveira lembrou aos participantes que a missão depende, em última instância, da ação de Deus no coração das pessoas.
“Deus já está à sua espera ali”, afirmou.
Mais tarde, no mesmo dia, De Oliveira apresentou uma reflexão sobre o budismo e os desafios de compartilhar a esperança em contextos moldados por cosmovisões diferentes do cristianismo, destacando a importância de compreender as culturas, respeitar as pessoas e construir pontes por meio do diálogo.
Após as apresentações, um painel moderado pelo Dr. Ismael Castillo, reitor da Universidade de Montemorelos, reuniu os palestrantes do festival juntamente com o pastor Abimael Lozano, diretor do Instituto de Missão da universidade.
A conversa explorou os desafios atuais enfrentados pela missão global da igreja, permitindo que os participantes ouvissem experiências em primeira mão, tensões culturais e lições aprendidas em diferentes contextos missionários ao redor do mundo.
Missão por meio da música e do testemunho
Ao longo de todo o fim de semana, a música e os testemunhos enriqueceram o programa e reforçaram o foco missionário do festival.
O Coro Handel e a Orquestra Universitária apresentaram seleções musicais especiais, acompanhados por um coral infantil e outros grupos musicais da comunidade universitária. O conjunto Vox Laude e um grupo de música caribenha também contribuíram para a diversidade cultural do evento.
Além disso, curtos vídeos destacaram experiências missionárias interculturais no Sudeste Asiático, compartilhando testemunhos e histórias de missionários que atuam na região.
Festival desperta compromisso dos estudantes com o serviço
Segundo Abimael Lozano, o principal objetivo do Festival de Missões foi fortalecer a visão da missão global, apresentar as realidades e os desafios do trabalho missionário — especialmente no Sudeste Asiático — e inspirar os estudantes a responderem às oportunidades de serviço voluntário no exterior.
Ao longo de todo o fim de semana, os palestrantes enfatizaram que responder ao chamado de Deus é um processo tanto pessoal quanto espiritual.
Ao final do evento, 34 jovens haviam iniciado o processo formal para servir no exterior, dando um passo significativo rumo ao serviço missionário intercultural.
Ao final do programa de sábado, vários estudantes avançaram para responder publicamente ao chamado, e o pastor De Oliveira lhes dirigiu palavras de encorajamento e uma oração de consagração.
Celebração de uma cultura missionária
O festival foi encerrado no domingo, 1º de março, com a Feira de Missões, uma celebração que incluiu comidas internacionais, música folclórica e expressões culturais que refletiram a diversidade da comunidade universitária.
Com 26 anos de história, o Festival de Missões continua reafirmando o compromisso institucional da Universidade de Montemorelos de formar profissionais com uma visão missionária, preparados para servir em qualquer contexto ao redor do mundo, segundo os responsáveis pela instituição.
A versão original deste artigo foi publicada no site da Divisão Interamericana.














