"Quantos pneus furados são necessários para parar um carro?", perguntou Sikhu Daco, editora associada da Adventist Review, ao evangelista adventista Mark Finley durante um dos grupos de discussão matinais "Eu Vou", em St. Louis, Missouri. "Um só", respondeu ele. "Mas são necessários os quatro pneus cheios para que o carro ande."
A imagem do carro ficou na mente. Ao longo de quatro manhãs, os delegados exploraram as quatro prioridades estratégicas da Igreja. Comunhão com Deus: oração e estudo da Bíblia como fôlego diário. Identidade em Jesus: nossa identidade está enraizada no Cristo crucificado e ressurreto. Unidade no Espírito: caminhamos juntos ou não vamos muito longe. Qualquer pneu murcho desacelera todo o movimento. A quarta prioridade, Missão para Todos, fornece o impulso que impede que as outras três se tornem apenas uma exposição de museu.
Os apresentadores enfatizaram que, se a Igreja ora mas perde de vista o propósito de sua existência, ou se conhece sua identidade mas não se movimenta, é como um carro rodando no aro. Segundo eles, é a missão que dá vida e sentido a todas as demais prioridades.
Em seguida, Justin Kim, editor executivo da Adventist Review, abriu a sessão "Missão para Todos" com a improvável história do Major-General John Charles Beckwith, um soldado canadense de 72 anos que leu sobre os vales valdenses empobrecidos da Itália. Beckwith se mudou para lá, reconstruiu escolas, fortaleceu congregações, defendeu o ministério em língua italiana e reacendeu o zelo evangelístico de um movimento que estava esfriando.
Kim alertou que, sem missão, até os adventistas correm o risco de se tornarem "igrejas-clubes", cheias de programas, mas voltadas para si mesmas — satisfeitas em admirar o próprio reflexo.
A pioneira adventista Ellen White percebeu essa mesma tendência e insistiu que “cada igreja deve ser uma escola de treinamento para obreiros cristãos.” Os membros não são espectadores — são discípulos em formação, enviados aos bairros, cidades, campos difíceis e nações distantes. A missão é a vida da Igreja, disse Kim, assim como o fogo é a vida de uma chama. Sem a chama, restam apenas brasas mornas… e depois cinzas.
Quatro Equilíbrios da Missão
Com recursos limitados e necessidades crescentes, Justin Kim propôs quatro equilíbrios que ajudam a manter a missão completa. Cada um foi ilustrado com histórias de diferentes partes do mundo.
1. Serviço e Proclamação
Kim enfatizou que a missão deve alcançar corações tanto por meio do serviço quanto da proclamação. Ela alimenta, cura, educa e defende — e também prega, ensina, batiza e forma discípulos. “Um evangelho completo para pessoas completas”, disse ele.
Um exemplo veio de uma vila montanhosa isolada, onde uma jovem missionária chamada Millie transformou uma sala de aula simples em um pequeno santuário de oração e cura. Quando uma recém-batizada desmaiou e os moradores correram em busca do xamã, Millie orou em silêncio. Antes que o ritual começasse, a mulher recuperou a consciência — aprofundando a confiança no Deus a quem Millie serve.
2. Enviar e Receber
“A missão respira para dentro e para fora”, observou Kim, comparando-a a um corpo de água saudável, que precisa tanto receber quanto derramar para evitar estagnação ou esgotamento.
Ele explicou que, enquanto no passado a missão era vista como “do Ocidente para o restante do mundo”, o século XXI mudou o mapa. Hoje, a missão flui de “todos para todos os lugares” — da África para as Américas, de campi asiáticos para bairros do Oriente Médio, de vilas insulares para desertos do interior, de comunidades rurais para megacidades globais, e vice-versa.
“Não importa o tamanho ou o contexto,” disse Kim, “toda igreja pode ser tanto um centro missionário quanto um campo missionário.”
3. Viver Entre os Adventos
Kim lembrou aos presentes que “vivemos entre a manjedoura e as nuvens”. O Primeiro Advento — a encarnação, o sacrifício e o ministério atual de Jesus como nosso Sumo Sacerdote — molda a urgência e a empatia do nosso testemunho. Citando Apocalipse 14:6, Kim afirmou que ao proclamarmos o evangelho eterno, fazemos isso com urgência porque Cristo voltará em breve, e com compaixão porque Ele já veio até nós.
“No Primeiro Advento, Deus desceu ao nosso nível, andou por nossos caminhos e sofreu conosco e por nós,” disse Kim. “Isso molda nosso testemunho: não gritamos verdades à distância; nos aproximamos, servimos, ouvimos, choramos e convidamos. A urgência não cancela a empatia — ela a intensifica.”
4. Missão e Teologia
Citando o missiólogo alemão Martin Kähler — “A missão é a mãe da teologia” — Kim alertou que separar missão e teologia enfraquece ambas. “Missão sem teologia se torna apenas uma atividade agitada,” ele disse, “e teologia sem missão se torna um clube de debates. Unidas, elas acendem uma fé viva.”
Ele ilustrou isso com a história de Rosa Rodríguez, que ficou em uma cadeira de rodas após uma grande perda pessoal. Rosa orou por uma forma de testemunhar e, durante uma visita a um salão de beleza, viu uma Bíblia. Com gentileza, perguntou à cabeleireira se poderiam estudá-la juntas. Uma conversa levou a outra, e logo parentes, clientes e amigos passaram a participar. O salão virou um pequeno grupo, onde a Bíblia e a oração moldavam os encontros semanais. Uma jovem de 14 anos chamada Valentina foi inspirada a iniciar seu próprio grupo de jovens. “Naquele salão claro e movimentado,” compartilhou Kim, “a teologia se abriu na comunidade e a missão fluiu naturalmente por meio dos relacionamentos.”
Discussão em Grupo
Durante a sessão, os delegados se reuniram em grupos para refletir sobre algumas perguntas:
Quais são alguns dos maiores desafios para a missão no século XXI?
Qual é o seu envolvimento pessoal na missão da Igreja? Quais métodos você tem achado eficazes para compartilhar sua fé? Como a sua congregação local está impactando a comunidade?
Secularismo, distrações digitais, migração, polarização, zonas de conflito, falta de recursos, esgotamento e barreiras linguísticas foram alguns dos desafios mencionados. E muitas histórias foram compartilhadas.
O Plano Estratégico Eu Vou descreve a Missão para Todos como membros e entidades da Igreja, capacitados pelo Espírito, engajados na proclamação pessoal e pública do evangelho eterno a toda nação, tribo, língua e povo. Ele nos chama a usar métodos modernos e criativos, permanecendo fiéis à abordagem de Cristo para a missão: Ele se misturava com as pessoas, atendia às suas necessidades, ganhava sua confiança e então dizia: “Segue-Me.” Nosso objetivo é demonstrar interesse genuíno pelas pessoas, conduzi-las a Jesus e acolhê-las em um movimento de formação de discípulos.
Com o encerramento da Assembleia da Associação Geral e o retorno dos delegados para casa, alguns voltam com o coração sedento por Deus, muitos redescobrem sua identidade em Jesus, e todos seguem em busca da unidade do Espírito. E a iniciativa Missão para Todos volta a questionar:
Como sua igreja local pode se tornar uma escola de treinamento em vez de um clube?
Por qual janela não alcançada — 10/40, urbana, pós-moderna — você irá orar neste ano?
Um único pneu murcho é capaz de parar um carro. Mas com os quatro pneus cheios, é possível atravessar continentes. Que voltemos para casa com todos eles inflados — e o coração em chamas. Que o Espírito nos impulsione para a missão, desde nossos bairros até os confins da Terra. Una-se aos crentes ao redor do mundo e declare: Eu Vou.
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