Adventist Development and Relief Agency

Da crise ao crescimento: ADRA apresenta avanços no financiamento e na atuação global

Paulo Lopes destaca aumento de recursos, novos financiamentos e uma ênfase renovada no papel da ADRA na missão da Igreja

Associação Geral

Libna Stevens para ANN
Paulo Lopes, presidente da ADRA Internacional, apresenta seu relatório aos membros do Comitê Executivo da Associação Geral durante o Concílio Anual, em 11 de outubro de 2026, em Silver Spring, Maryland. [Foto: Tor Tjeransen/Adventist Media Exchange (CC BY 4.0)]

Paulo Lopes, presidente da ADRA Internacional, apresenta seu relatório aos membros do Comitê Executivo da Associação Geral durante o Concílio Anual, em 11 de outubro de 2026, em Silver Spring, Maryland. [Foto: Tor Tjeransen/Adventist Media Exchange (CC BY 4.0)]

Há um ano, Paulo Lopes usou uma palavra para descrever a situação enfrentada pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) Internacional: crise.

Diante dos membros do Comitê Executivo da Associação Geral, em 11 de outubro, o presidente da ADRA Internacional apresentou uma avaliação diferente.

“Hoje venho apresentar a vocês um relatório positivo”, disse Lopes. “Um relatório muito melhor.”

Durante sua apresentação no Concílio Anual, Lopes descreveu uma agência que está superando o que ele chamou de “tempos turbulentos”, com mais recursos, novas oportunidades de financiamento e uma ênfase renovada na compaixão e no papel da ADRA na missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Lopes expressou gratidão a Deus e aos líderes da Igreja e reconheceu a equipe de liderança da ADRA Internacional, que estava atrás dele: Imad Madanat, vice-presidente de Pessoas e Cultura; Jair Parada, vice-presidente de Finanças; Teresa Ferreira, vice-presidente de Estratégia e Crescimento; e Thierry Van Bignoot, vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável. Ele também agradeceu aos funcionários e voluntários da ADRA ao redor do mundo.

“É preciso uma equipe para realizar o trabalho que Deus nos confiou”, disse Lopes.

Paulo Lopes, presidente da ADRA Internacional, reconhece sua equipe de liderança durante a apresentação de seu relatório no Concílio Anual, em 11 de outubro de 2026, agradecendo aos profissionais da ADRA em todo o mundo por seu compromisso. [Foto: George Nelson/AME (CC BY 4.0)]

Crescimento em um ano de crise

Em 2025, a ADRA atendeu 8,6 milhões de pessoas e mobilizou US$ 328 milhões por meio de sua rede global, um aumento de 32% em relação a 2024.

Mas Lopes alertou para que as pessoas atendidas não sejam vistas apenas como estatísticas.

“Na ADRA, tomamos muito cuidado para não tratar as pessoas como simples números”, disse ele. “Porque, por trás desses números, há famílias. Há crianças. Há mães. Pessoas que enfrentam enormes desafios em sua vida e em suas comunidades.”

O crescimento ocorreu em um ano marcado por grandes desafios financeiros.

“Lembrem-se de que 2025 foi um ano de crise”, disse Lopes. “Ainda assim, conseguimos mobilizar US$ 328 milhões e usar esses recursos para atender àquelas 8,6 milhões de pessoas.”

“Em um ano de crise, Deus nos dá 32% a mais”, acrescentou.

Esperança além dos números

Lopes mostrou o impacto desse trabalho na vida das pessoas ao relatar uma visita recente à Síria, onde as comunidades continuam se recuperando de 14 anos de conflito.

Ele contou que viu crianças que nunca haviam conhecido uma vida sem guerra, deslocamento forçado e incerteza. Em uma escola restaurada pela ADRA, viu crianças cantarem e falarem sobre seus sonhos para o futuro.

Nas comunidades próximas, a ADRA tem ajudado a restabelecer o acesso à água potável e a recuperar os meios de subsistência. Um líder comunitário descreveu uma estação de abastecimento de água restaurada como algo que ia além de um projeto de prestação de serviços, afirmando que ela representava a recuperação de “um recurso vital e da dignidade humana”.

“Fazemos mais do que reconstruir a infraestrutura”, disse Lopes. “Restauramos a dignidade. Cultivamos a esperança e demonstramos o amor de Deus por meio da compaixão e do serviço.”

“Às vezes”, acrescentou, “a mais bela evidência dessa esperança está no sorriso de uma criança que ousa sonhar novamente.”

Voluntário da ADRA Jamaica avalia as necessidades de moradores afetados pelo furacão Melissa em novembro de 2025. [Foto: Migue Roth/ADRA Internacional]

Construindo uma ADRA mais resiliente

Ao falar sobre o futuro, Lopes afirmou que a ADRA está trabalhando para se tornar mais resiliente, sustentável e inovadora, além de ampliar seu impacto. Sua estratégia se concentra em quatro áreas: fortalecer sua identidade de fé e sua integração com a Igreja Adventista, diversificar as fontes de financiamento, apoiar o bem-estar de funcionários e voluntários e integrar melhor a resposta a emergências ao desenvolvimento de longo prazo.

A ADRA também está revendo sua estrutura organizacional para melhorar a eficiência e ampliar seu impacto.

“A mesma missão, um novo modelo para enfrentar a crise humanitária mundial”, disse Lopes, enfatizando que “somos mais fortes quando estamos juntos”.

Ele citou a resposta da ADRA ao recente terremoto na Venezuela como um exemplo de compaixão colocada em prática por meio da colaboração com a Igreja. Trabalhando ao lado de equipes locais da Igreja, congregações e voluntários, a ADRA mobilizou recursos para ajudar mais de 40 mil pessoas, e as ações de assistência continuam em andamento.

Voluntários da ADRA mostram suprimentos de emergência distribuídos a famílias afetadas pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho de 2026. A distribuição faz parte da resposta contínua da agência, que já ajudou mais de 40 mil pessoas desde então. [Foto: ADRA Internacional]

Novos recursos após a perda do financiamento da USAID

Lopes também relatou uma mudança significativa nas perspectivas de financiamento da ADRA, depois que a agência perdeu a maior parte dos recursos que recebia do governo dos Estados Unidos em 2025, após o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, conhecida como USAID.

“Nunca deixei de acreditar que Deus proveria”, disse ele.

Semanas antes do Concílio Anual, Lopes participou do lançamento de um novo financiamento do governo dos Estados Unidos para um consórcio de organizações religiosas. Por meio desse consórcio, a ADRA está obtendo acesso a recursos para duas iniciativas com duração de cinco anos, voltadas à saúde pública e à gestão de emergências. Uma delas prevê US$ 157,8 milhões ao longo desse período, e a outra, US$ 75,7 milhões.

“Não há outra palavra além de milagre para descrever o que estou mostrando a vocês”, disse Lopes. “Porque, no ano passado, jamais poderíamos imaginar que Deus proveria de maneira tão grandiosa.”

Um slide da apresentação destaca novas oportunidades de financiamento do governo dos Estados Unidos às quais a ADRA pode ter acesso por meio de um consórcio de organizações religiosas, para iniciativas de saúde pública e gestão de emergências. [Foto: George Nelson/AME (CC BY 4.0)]

“Estamos 100% comprometidos”

A compaixão também será central na participação da ADRA no OneVoice27, a ênfase evangelística mundial da Igreja.

“Estamos juntos nessa. Estamos 100% comprometidos”, disse Lopes.

A ADRA planeja três iniciativas: o livro devocional Servindo como Jesus: Amor em Ação, que reunirá histórias de sua atuação ao redor do mundo; um Dia Mundial da Compaixão, que mobilizará a ADRA e os membros da Igreja em ações de serviço à comunidade; e os Núcleos de Compaixão, que disponibilizarão à ADRA e à Igreja recursos digitais para contar e compartilhar histórias.

Lopes afirmou que o objetivo é que a Igreja fale não apenas “com uma só voz”, mas também “com um só coração”.

“Um coração compassivo”, disse ele.

Servindo como Jesus: Amor em Ação, um novo livro devocional que reúne histórias de toda a rede ADRA, é uma das três iniciativas da agência ligadas ao OneVoice27 e à sua ênfase em compartilhar o evangelho por meio da compaixão e do serviço. [Foto: Tor Tjeransen/Adventist Media Exchange (CC BY 4.0)]

Um ministério da Igreja

Essa ênfase na compaixão, afirmou Lopes, é inseparável da identidade da ADRA.

“A ADRA é mais do que uma ONG ou uma organização humanitária”, disse ele. “Somos um ministério da Igreja Adventista do Sétimo Dia.”

Em 120 países, explicou, as equipes da ADRA atendem pessoas que enfrentam desastres, fome, deslocamento forçado e outras crises.

“Isso não é apenas trabalho humanitário, meus amigos”, disse Lopes. “Isso é ministério. É a missão em sua melhor expressão. É o evangelho em ação.”

Ele apelou aos líderes para que não permitam que esse ministério se desvincule da missão mais ampla da Igreja.

“Por favor, não deixem que a ADRA se torne invisível na missão de nossa Igreja”, disse Lopes. “Fazemos parte dessa missão. Compartilhamos a mesma identidade, o mesmo chamado e a mesma esperança.”

Ele pediu aos líderes que se lembrem dos milhares de funcionários e voluntários da ADRA que servem em lugares difíceis e, às vezes, perigosos. “O ministério deles também é o ministério desta Igreja”, disse ele. “O ministério deles é a nossa missão.”

Lopes encerrou sua apresentação falando de um futuro em que o trabalho humanitário da ADRA não será mais necessário.

“Trabalhamos todos os dias por um futuro em que o sofrimento que buscamos aliviar deixará de existir para sempre”, disse ele. “Mas, até esse dia glorioso, há trabalho a fazer.”

Até lá, acrescentou, “há vidas a salvar, dignidade a restaurar e esperança a compartilhar”.

Ele deixou três pedidos aos líderes: que orem pela ADRA; apoiem seu trabalho por meio de sua liderança, influência e recursos; e deem visibilidade ao ministério da agência em todo o território sob sua responsabilidade.

“Permaneçamos unidos como uma só Igreja, com uma só missão e uma só voz”, disse Lopes, “proclamando a esperança de Jesus Cristo e demonstrando Seu amor a um mundo que sofre”.

Para saber mais sobre a ADRA e como apoiar seu trabalho, acesse adra.org.

Libna Stevens para ANN

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